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A escalada rumo à Terceira Guerra e o papel dos EUA e Israel

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: @cortesdointeligencia - GUERRA no ORIENTE MEDIO: QUAL a VERDADE SOBRE o apoio AMERICANO? - DANIEL LOPEZ.

O cenário atual


Os ataques recentes no Oriente Médio, incluindo mísseis sobre Jerusalém e ações contra países árabes aliados dos Estados Unidos, intensificaram a percepção de que estamos mais próximos de um conflito global.


A dificuldade em distinguir imagens reais de simulações digitais aumenta a confusão, mas há registros confirmados de bombardeios.


O choque é maior porque não apenas Israel foi alvo, mas também nações que, em princípio, não estavam diretamente envolvidas.


Estratégia americana: retirada e terceirização


Há análises de que os Estados Unidos planejam reduzir sua presença militar no Oriente Médio, transferindo parte do controle para Israel.


Isso seria motivado não apenas por questões econômicas — já que a dívida americana ultrapassa os US$ 37 trilhões — mas também por uma estratégia geopolítica de reposicionamento.


A ideia seria “perder” a guerra de forma controlada, justificando a retirada das tropas e deixando Israel como guardião da região.


Objetivos estratégicos


Entre as metas americanas e israelenses estão:

• Neutralizar a liderança iraniana (a chamada “decapitação” política).

• Impedir o avanço nuclear do Irã, que há décadas é descrito como “a dois meses de ter a bomba”, embora essa previsão nunca tenha se concretizado.

• Enfraquecer a China, que depende fortemente da importação de energia do Oriente Médio.

Assim, cada movimento contra Irã, Venezuela ou outros países não é apenas local, mas parte de uma estratégia maior de conter o crescimento chinês.


O discurso e a realidade


Donald Trump se elegeu com a promessa de colocar “America First” e evitar novas guerras.


No entanto, a prática mostra que, mesmo sem iniciar grandes conflitos diretos, os EUA continuam envolvidos em operações que moldam o equilíbrio global.


A justificativa para ataques muitas vezes lembra o argumento usado em 2003 para invadir o Iraque — armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.


Isso reforça a ideia de que parte da narrativa serve como ferramenta política.


O pano de fundo: China como alvo


No fim das contas, o verdadeiro foco não é apenas o Irã ou a Venezuela, mas a China. Ao fragilizar países que fornecem energia ou recursos estratégicos para Pequim, os EUA buscam limitar sua ascensão.


A dependência chinesa de petróleo e gás importados explica o investimento pesado em alternativas como fusão nuclear e carros elétricos.


Esse quadro mostra que o conflito atual não é isolado: ele se conecta a uma disputa maior pela hegemonia global.


O bloqueio energético e a estratégia contra a China


A dependência chinesa


A China enfrenta uma fragilidade estrutural: depende fortemente da importação de petróleo e gás natural. Suas três principais fontes são:

• Venezuela – maior reserva de petróleo do mundo.

• Irã/Golfo Pérsico – responsável por grande parte do fluxo energético global.

• Rússia – fornecedora tradicional de petróleo e gás.


Com a pressão americana sobre Venezuela e Irã, e a guerra envolvendo a Rússia, Pequim já perdeu acesso a cerca de 2/3 do seu fornecimento energético barato, ficando apenas com um terço disponível. Isso compromete diretamente sua competitividade industrial.


O papel do Estreito de Ormuz


O fechamento do Estreito de Ormuz agrava ainda mais a situação. Além do petróleo, o gás natural é crítico: o Catar é um dos maiores produtores do mundo e já prevê interrupções nas exportações. Mesmo que a situação se normalize, especialistas afirmam que levará semanas para retomar o fluxo. O gás natural é considerado um “combustível VIP”, essencial para aquecimento residencial e para a indústria pesada.


A estratégia iraniana


O Irã, ao ser atacado, responde mirando não apenas os EUA, mas também seus aliados no Golfo — Emirados Árabes, Catar, Barém, Kuwait e Arábia Saudita. Essa postura busca desmobilizar os parceiros norte-americanos, forçando-os a repensar sua aliança. Ataques a hotéis e infraestrutura em Dubai e Abu Dhabi mostram que a estratégia é atingir a vida cotidiana e a economia desses países, aumentando o custo político de apoiar Washington.


Risco de ruptura com os EUA


Há relatos de que países do Golfo cogitam interromper relações comerciais com os Estados Unidos e até cancelar contratos vigentes. Isso seria um golpe profundo, já que boa parte da sustentação de Wall Street vem do chamado petrodólar: desde os anos 1970, o petróleo é vendido em dólares, e os lucros são reinvestidos em títulos e bolsas americanas. Se esses capitais forem retirados, o mercado financeiro dos EUA pode sofrer um colapso.


O jogo silencioso da China e da Rússia


Enquanto isso, a China mantém uma postura discreta, observando o desenrolar da crise. A expectativa é que, mesmo sob controle americano, o petróleo iraniano continue sendo vendido para Pequim, ainda que mais caro. A Rússia, por sua vez, protesta verbalmente, mas age pouco na prática, aguardando para ver como o equilíbrio de forças se redefine.


Em resumo


O bloqueio do Estreito de Ormuz e a pressão sobre fornecedores estratégicos não são apenas uma questão regional. Trata-se de uma estratégia global para sufocar energeticamente a China, ao mesmo tempo em que ameaça a estabilidade financeira dos EUA caso os países do Golfo rompam com o petrodólar.

 
 
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