Bombardeio a South Pars — O ataque que mudou a guerra
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @realidademilitartv
Existe uma coisa que um regime precisa acima de tudo para sobreviver. Não é o exército. Não são os mísseis. É dinheiro. E Israel acabou de atacar exatamente o lugar onde o dinheiro do regime iraniano começa.
Essas imagens que você está vendo foram gravadas por civis iranianos. O fogo que aparece é real. E o que ele representa é o maior ataque ao Irã em décadas.
Esse lugar tem um nome: South Pars, um campo de gás localizado no Golfo Pérsico que não tem nada igual no mundo. É o maior campo de gás natural do planeta.
Para se ter uma ideia do tamanho disso, esse único campo representa uma parte enorme de toda a receita que o governo iraniano usa para se manter no poder, pagar seus soldados, financiar aliados espalhados pelo Oriente Médio e sustentar toda a estrutura da Guarda Revolucionária Islâmica. Sem o dinheiro que vem do gás e do petróleo, o regime iraniano simplesmente não funciona.
O South Pars é compartilhado com o Catar, um dos maiores exportadores de gás do mundo. Essa divisão sempre foi fonte de tensão, mas também de equilíbrio.
Nenhum dos dois lados tinha interesse em destruir o que alimentava a economia de ambos. Pelo menos era o que se pensava.
A guerra começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar conjunta contra o Irã. No primeiro dia, o líder supremo Ali Khamenei foi morto. Dias depois, seu filho Mojtaba assumiu o poder.
O Irã não recuou; respondeu com mísseis, drones e tentativas de fechar o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo do mundo.
Por vinte dias, Israel atacou alvos militares, bases e depósitos de mísseis. Mas havia uma linha que nenhum lado havia cruzado: as instalações de energia. Atacar petróleo e gás significava arriscar uma crise global. No vigésimo dia, Israel cruzou essa linha.
As forças israelenses lançaram um ataque direto contra o South Pars. Não foi simbólico. Foi calculado para atingir o coração econômico do regime. E funcionou. As chamas filmadas por civis correram o mundo em poucas horas.
O ataque ao South Pars foi só o começo. O Irã respondeu atacando instalações de energia de seus vizinhos no Golfo — Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O alvo principal foi Ras Laffan, no Catar, o maior terminal de gás do mundo.
O ataque destruiu parte da capacidade de exportação do país, causando perdas bilionárias e disparando o preço do petróleo Brent para 115 dólares por barril.
Mas o Irã havia atacado um país neutro. O Catar não estava envolvido no conflito. A resposta foi imediata: expulsou representantes militares iranianos e rompeu relações.
A Arábia Saudita declarou que “o pouco de confiança que ainda restava no Irã foi completamente destruído” e ameaçou resposta militar.
Em um único movimento, o Irã transformou vizinhos neutros em inimigos em potencial, justamente no momento em que já estava perdendo a guerra.
Donald Trump reagiu com uma ameaça direta: se o Irã atacasse novamente instalações de energia do Catar, os Estados Unidos “explodiriam completamente todo o campo de gás South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu ou testemunhou.”
O colapso interno do regime iraniano
Enquanto o Irã se isolava no Golfo e recebia ameaças dos Estados Unidos, por dentro o regime estava desmoronando. Os homens que poderiam salvar o sistema estavam sendo eliminados.
Nos vinte dias de guerra, forças americanas e israelenses eliminaram os principais líderes do regime. Ali Larijani, chefe de segurança e um dos políticos mais experientes do país, foi morto em um ataque israelense. Com ele, desapareceu uma das poucas pontes possíveis entre o Irã e o Ocidente.
Gholamreza Soleimani, comandante das forças Basij, também foi eliminado. Esmail Khatib, ministro da inteligência, foi morto em outra operação.
O próprio presidente iraniano confirmou publicamente o que chamou de “assassinato covarde” do seu ministro. Três figuras centrais da segurança e inteligência, mortas em menos de três semanas.
No topo de tudo isso, o novo líder supremo Mojtaba Khamenei, escolhido às pressas após a morte do pai, ainda não havia aparecido em vídeo. Apenas comunicados escritos.
O Secretário de Defesa americano afirmou que Mojtaba estava ferido, provavelmente desfigurado, e que sua ausência pública era um sinal claro da situação.
O homem que deveria aparecer na televisão para dizer ao povo que o Irã resistiria não conseguia mostrar o rosto.
Famílias em Teerã choravam parentes mortos, bairros inteiros estavam destruídos, e o líder permanecia escondido. Isso não era apenas uma derrota militar, mas o colapso da imagem construída em quarenta anos.
Em vinte dias, Estados Unidos e Israel destruíram mais de quinze mil alvos dentro do Irã — uma média de setecentos e cinquenta por dia.
Noventa por cento das defesas aéreas foram eliminadas, setenta por cento dos lançadores de mísseis destruídos, os drones praticamente desapareceram e a marinha iraniana foi apagada do mapa.
Com o céu limpo, os americanos passaram a usar bombardeiros B-52, aeronaves antigas e sem tecnologia furtiva, como uma mensagem clara: o Irã não tinha mais como impedir.
Mísseis ATACMS foram usados para afundar navios e até um submarino, pela primeira vez na história. Bunkers de mísseis no Estreito de Ormuz foram destruídos com bombas de cinco mil libras.
O Irã tentou reagir. Um F-35 americano foi atingido, mas conseguiu pousar em segurança. A tentativa de mostrar força não mudou o quadro: os ataques continuaram.
No campo de batalha, o Irã estava perdendo. Fora dele, a situação era ainda pior. Cada movimento para mostrar resistência resultava em mais isolamento, mais pressão e mais destruição.
A estratégia de tornar a guerra cara para o Ocidente falhava porque o preço que o próprio Irã pagava era muito maior.
O petróleo disparou para 115 dólares o barril, mas o país havia perdido o South Pars, seus principais líderes de segurança e aliados no Golfo.
O novo líder não conseguia aparecer em público. Os preços cairiam quando a guerra acabasse, mas o regime talvez não sobrevivesse até lá.
No fundo, essa história não é apenas sobre uma guerra. É sobre o que acontece quando um regime que construiu sua identidade inteira em cima da palavra “resistência” é finalmente testado de verdade.
O Irã sobreviveu a sanções e isolamento, mas agora enfrenta uma guerra direta em seu próprio território contra duas das maiores forças militares do Ocidente.
A diretora de Inteligência dos Estados Unidos admitiu que o regime ainda estava de pé, mas muito enfraquecido. Não é uma guerra que termina com rendição formal, mas um desmanche lento, peça por peça, de tudo que sustentava o sistema.
Quando se perde a liderança nos primeiros vinte dias de conflito, não há recuperação rápida. Quando se atacam países neutros e se transformam em inimigos, não se reconquista confiança em semanas. Quando a principal fonte de dinheiro é destruída, não se reconstrói uma economia em meses.
O colapso já começou. A questão não é se vai acontecer, mas quanto tempo vai levar e o que surgirá do outro lado. O South Pars era o coração financeiro do regime. Agora está em chamas.

