Lula entre pressões dos EUA e dependência da China
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter com @canalmilitarizandoomundo
Donald Trump faz Lula virar as costas para a China e iniciar compra de produtos de aliados. Isso faz parte da doutrina norte-americana que visava isolar totalmente o Brasil.
Afinal, Donald Trump está certo ou Lula foi vassalo? O presidente Lula, após um período de resistência às pressões do governo de Donald Trump, fará uma viagem à Ásia com o objetivo de diversificar as parcerias comerciais do Brasil e reduzir a dependência econômica da China.
A agenda inclui visitas à Índia e à Coreia do Sul em um contexto de crescente isolamento regional e tensões geopolíticas na América do Sul, onde os Estados Unidos intensificaram sua influência por meio de ações militares e econômicas.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que a iniciativa reflete uma estratégia pragmática para evitar que o Brasil se torne o próximo alvo de sanções ou intervenções, semelhante ao que ocorreu com a Venezuela e Cuba.
A decisão de Lula vem após meses de embates diplomáticos com Washington. Inicialmente, o presidente brasileiro manteve uma postura firme, defendendo a soberania nacional e a manutenção de laços estreitos com Pequim, principal destino das exportações brasileiras. No entanto, o cenário mudou com o agravamento das crises na região.
Na União Europeia, agricultores de países como França, Espanha e Alemanha organizaram protestos contra o acordo comercial entre Mercosul e o Bloco Europeu, alegando concorrência desleal de produtos sul-americanos mais baratos.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos elevaram suas pressões militares sobre países da América do Sul, com operações como a Southern Spear, que resultaram em mortes e intensificaram o clima de instabilidade.
Um marco dessa doutrina foi a derrubada de Nicolás Maduro na Venezuela em uma operação militar surpresa dos Estados Unidos. Maduro e sua esposa foram capturados e levados para Nova York, onde enfrentam acusações de narcoterrorismo.
Em Cuba, a pressão americana agravou uma crise humanitária com escassez severa de alimentos e combustível.
Diante desse panorama, Lula percebeu o risco de isolamento. Com a China impondo cotas a importações brasileiras e os Estados Unidos ameaçando tarifas sobre aço e alumínio, o Brasil poderia enfrentar sanções semelhantes se mantivesse sua proximidade com Pequim.
Um ponto de tensão adicional foi a recusa de Lula em fornecer terras raras aos Estados Unidos sem condições específicas de industrialização local.
O presidente declarou que o país não seria mero exportador de minerais críticos, exigindo investimentos em processamento e valor agregado dentro do território nacional.
Essa posição chocou a administração Trump, que buscava acesso direto às reservas brasileiras. Em retaliação, os Estados Unidos recusaram inserir o Brasil em uma aliança estratégica de minérios críticos lançada em 2025, o que agravou as preocupações econômicas no Brasil.
Internamente, a guinada diplomática de Lula enfrenta resistências das Forças Armadas Brasileiras, que pressionam o governo a não se afastar dos Estados Unidos devido à dependência tecnológica de sistemas e equipamentos americanos.
Generais e almirantes argumentam que qualquer distanciamento poderia comprometer a modernização das forças e levar a embargos tecnológicos. Apesar disso, Lula insiste que o eixo da economia mundial se desloca para a Ásia e que o Brasil não pode ficar à margem.
A viagem, portanto, visa comprar produtos indianos e sul-coreanos como semicondutores e farmacêuticos, reduzindo as importações chinesas em setores estratégicos.
Na Índia, Lula participará de um evento sobre inteligência artificial e espera firmar acordos em minerais críticos, defesa e comércio bilateral.
Em seguida, na Coreia do Sul, o foco será na abertura do mercado para carne bovina brasileira e parcerias em alta tecnologia, com a assinatura de um plano de ação trienal até 2029.

