O estilo de negociação de Trump e suas implicações para o Brasil
- 7 de mar.
- 4 min de leitura
Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @cortesdointeligencia
Sinais de tensão comercial e política
A situação atual exige que o Brasil se prepare para acontecimentos inéditos. Já estamos vendo medidas incomuns, como os Estados Unidos aplicando uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — algo jamais feito antes.
E isso foi apenas na primeira rodada de negociações. Agora, com o clima mais tenso, o governo americano parece ainda mais desconfiado. A postura agressiva se intensificou: os EUA já romperam com a Venezuela, atacaram o Irã e eliminaram o aiatolá.
Além disso, o Brasil tem sido rotulado como um dos piores parceiros econômicos, o que indica que há algo maior em jogo.
Estratégia de confronto como método de negociação
Trump tem um estilo de negociação peculiar, aprendido com Roy Cohn — um advogado conhecido por sua influência e métodos controversos.
Para entender melhor essa mentalidade, é recomendável assistir ao documentário sobre Roy Cohn, que o retrata como um milionário manipulador e perigoso, além do filme “O Aprendiz”, que, embora ficcional, oferece uma base sobre como Trump foi moldado por esse ambiente.
Roy Cohn: poder nos bastidores
No documentário, há um relato impressionante de um deputado americano sobre uma operação no Camboja.
Eles precisavam conceder cidadania americana a um informante local com urgência. Roy Cohn indicou exatamente onde ir, o horário, o tribunal e até o juiz. Quando o deputado chegou, o juiz interrompeu a audiência e declarou a cidadania do cambojano imediatamente.
Foi descrito como o exemplo mais poderoso de influência que aquele político já presenciou. Roy Cohn tinha acesso a áudios e vídeos comprometedores de figuras poderosas — um precursor do tipo de influência que Jeffrey Epstein viria a exercer.
Trump e os círculos de poder
Trump não apenas herdou esse estilo de negociação, mas também cresceu cercado por figuras da máfia e da elite nova-iorquina. No filme “O Aprendiz”, há uma cena em que ele é convidado por Roy Cohn para se sentar à mesa com os chefes da máfia de Nova York.
Ele era o mais jovem a ser aceito naquele clube exclusivo. Nesse ambiente, respeito só vem com demonstração de força — e Trump aprendeu a se impor.
Relação com a máfia e proteção institucional
Há relatos de mafiosos que tentaram extorquir Trump durante obras em Nova York, mas desistiram ao perceber que seus seguranças eram ex-agentes do FBI e da CIA.
Isso mostra que ele sabia jogar o jogo do poder com os “peixes grandes”. Nenhum empresário ingênuo sobrevive à construção de prédios em Nova York sem lidar com a máfia — e Trump conseguiu contornar isso.
A escalada de agressividade na segunda gestão
Se na primeira gestão Trump foi mais contido, agora ele está com “a faca nos dentes”. Isso não significa que seja bom ou ruim, mas é um alerta para o Brasil.
O presidente americano não apenas matou o líder iraniano, como declarou que escolherá o próximo. E se ele já pensa assim sobre o Irã, por que não faria o mesmo com o Brasil?
Influência americana e lições da história
A intenção parece clara: manter o Brasil sob influência direta dos Estados Unidos. E a história mostra que quem peitou os EUA se deu mal.
Basta lembrar de Getúlio Vargas, que após a Revolução Constitucionalista e sua saída do poder, voltou eleito democraticamente após a Segunda Guerra Mundial — quando o Brasil saiu como credor.
A lição é que desconhecer a história é repetir os erros do passado.
A influência dos Estados Unidos na política e economia brasileira
Do Brasil credor ao Brasil devedor
Após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil saiu como credor internacional, cobrando dívidas de outros países. Getúlio Vargas, então presidente, decidiu abdicar e devolver o país à democracia.
Na eleição seguinte, a disputa foi entre o brigadeiro Eduardo Gomes e Eurico Gaspar Dutra, sendo Dutra o vencedor.
Em apenas quatro anos, o Brasil passou de credor a devedor extremo, o que levou à volta de Vargas ao poder, mesmo com sua imagem de ditador. A população acreditava que apenas ele poderia recuperar o país.
O petróleo e a Standard Oil
Durante o governo Dutra, os Estados Unidos assumiram controle sobre o petróleo brasileiro por meio da Standard Oil, empresa da família Rockefeller. Essa companhia enviava 90% dos lucros para fora, deixando apenas 10% no Brasil.
Vargas, ao retornar, enfrentou diretamente essa situação. Criou a Petrobras e lançou o slogan “O petróleo é nosso”, invertendo a lógica: 90% dos lucros deveriam permanecer no Brasil e apenas 10% poderiam ser remetidos ao exterior.
Essa postura de enfrentamento gerou enorme pressão política e culminou em sua morte, oficialmente registrada como suicídio, mas cercada de controvérsias.
Conflitos políticos e pressões externas
Outros líderes brasileiros também tentaram confrontar os interesses norte-americanos. João Goulart, por exemplo, foi deposto pelo golpe de 1964 e morreu em circunstâncias misteriosas no exílio.
Há relatos de envenenamento, embora oficialmente tenha sido declarado infarto. Esses episódios reforçam a percepção de que a política brasileira sempre esteve sob forte influência dos Estados Unidos.
O pré-sal e os governos recentes
Mais recentemente, durante o governo Dilma Rousseff, houve resistência em abrir o pré-sal para empresas americanas. Essa postura teria motivado espionagem de seus e-mails, revelada pelo Wikileaks, e intensificado pressões externas.
As jornadas de junho de 2013, vistas por alguns como movimentos espontâneos, foram interpretadas por outros como parte de uma “revolução colorida” financiada por agentes estrangeiros.
O desgaste culminou no impeachment em 2016. Posteriormente, Lula foi impedido de concorrer, e Bolsonaro também enfrentou tensões ao desafiar interesses internacionais durante a crise sanitária.
Crises como oportunidade de controle
A narrativa sugere que sempre que o Brasil resiste aos interesses corporativos e políticos dos EUA, enfrenta instabilidade. Governos que “entregam” o que é exigido conseguem estabilidade; os que resistem sofrem pressões internas e externas.
Nesse contexto, há quem interprete que crises globais — sejam sanitárias, energéticas ou alimentares — são vistas como oportunidades para redefinir sistemas econômicos e aumentar o controle das corporações e do Estado sobre a população.
A escassez de petróleo, gás e fertilizantes poderia ser usada como justificativa para um “reset” mundial, alinhado a ideias defendidas por organismos internacionais.

