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Pastor Luiz Fernando rompe com Lagoinha e denuncia salários milionários

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
 — Imagem/Foto Reprodução: @OFuxicoGospelReal - PASTOR DA LAGOINHA COM SALÁRIO DE R$ 1 MILHÃO.

Até pouco tempo, um pastor conhecido recebia cerca de um milhão de reais de salário por mês.


Essa é uma das falas mais difíceis de escutar vindo de um pastor da Lagoinha. Trata-se do pastor Luiz Fernando, que era líder de uma igreja no interior do Rio Grande do Sul e nesta semana decidiu se desligar da denominação depois de quatorze anos.


Ele escreveu uma carta aberta enviada para a Lagoinha Global e, no último culto na igreja, leu essa carta ao vivo. O trecho foi destacado para reflexão.


Ele afirmou que qualquer membro de igreja precisa sentir o peso do que foi dito, pois deveria causar vergonha diante do rumo que muitas denominações têm tomado. Ressaltou que não é apenas a Lagoinha, mas um problema que se espalha em diversas igrejas.


Na carta, Luiz Fernando declarou que chegou ao fim sua trajetória na Lagoinha, após treze para quatorze anos de relacionamento com pessoas extraordinárias, incluindo pastores e líderes com quem conviveu. Disse que foi um privilégio, mas apontou incoerências: igrejas locais com dificuldades financeiras precisam fazer promoções e cantinas para pagar dívidas de eventos megalomaníacos, enquanto pastores vocacionados são orientados a procurar empregos seculares para sustentar suas famílias, sem deixar de cumprir exigências financeiras da Global.


Ele criticou o fato de que pastores que não conseguem enviar o repasse de 10% para a Global e 5% para a Regional são advertidos ou até excluídos, mesmo em situações de impossibilidade. Para ele, não faz sentido que líderes tenham de escolher entre cumprir exigências financeiras ou comprar comida e remédios para suas famílias e membros da igreja.


Luiz Fernando afirmou que não poderia prostituir suas convicções de fé por status, hype da internet ou imposições que ferem sua visão de igreja. Citou que antes fazia sentido para ele, mas agora não faz mais. Questionou como pode um pastor receber um salário de um milhão de reais, enquanto outros não têm o que comer porque precisam enviar taxas obrigatórias.


Ele denunciou que primeiro vêm as taxas da regional e da global, leia-se André Valadão, e só depois, se sobrar, a família come ou a igreja paga suas contas. Para ele, isso é consequência da teologia da prosperidade que invadiu as igrejas, onde muitos membros encontram argumentos teológicos para justificar salários astronômicos de pastores.


Luiz Fernando concluiu que nenhum argumento é capaz de justificar, do ponto de vista do cristianismo, um pastor receber salários tão altos, já que os evangelhos não falam sobre isso. Pelo contrário, o ensinamento de Cristo não valida tais práticas.


Pastor Luiz Fernando denuncia distorções financeiras e alerta sobre futuro da Lagoinha


O pastor Luiz Fernando reforçou que a Bíblia não estabelece salários milionários para líderes religiosos, mas sim princípios de vida moderada e desprendimento. Ele lembrou que os apóstolos, missionários e pregadores do evangelho viviam de forma simples, sem serem um peso para a igreja. O apóstolo Paulo, principal influência do cristianismo primitivo, escreveu diversas vezes que o obreiro deveria viver com moderação, chegando a trabalhar como fabricante de tendas para não depender financeiramente dos irmãos.


Luiz Fernando desafiou os fiéis a citarem um pregador do evangelho que fosse rico e prosperasse financeiramente a partir da pregação. Barnabé, por exemplo, tinha muitas posses, mas vendeu tudo e entregou à igreja. Mulheres e pessoas ricas ajudaram a financiar o ministério de Cristo, mas não eram pregadoras do evangelho. Os Reis Magos trouxeram ouro, incenso e mirra, recursos que sustentaram a infância de Jesus, mas eles não eram missionários.


O pastor destacou que não há modelo bíblico em que líderes que vivem do evangelho sejam ricos. Pelo contrário, os exemplos mostram desprendimento e sacrifício. Ele criticou duramente os falsários que hoje cobram cachês, exigem ofertas com valores fixos e acumulam fortunas em nome do evangelho. Para ele, isso não é evangelho, mas comércio religioso.


Luiz Fernando lembrou que Jesus ensinou a não juntar tesouros na terra, mas no céu, e que a igreja atual ignora esse princípio. Ressaltou que não há problema em ser rico, pois Deus usa pessoas com posses para financiar ministérios, mas nunca houve pregadores do evangelho que se tornaram ricos por viver dele.


Ele concluiu afirmando que salários milionários para pastores são inadmissíveis, um absurdo que deveria ser investigado pelo Ministério Público. Alertou que, se não houver mudanças, a Lagoinha será reduzida cada vez mais, com pastores abandonando a denominação e membros se afastando. Para ele, alguém errou feio e a igreja corre risco de se destruir por dentro.









 
 
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