Pastores que chantageiam os crentes através dos dízimos e das ofertas
- há 2 horas
- 5 min de leitura
Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @OFuxicoGospelReal
Aqui está o texto editado em formato corrido, sem marcações de tempo ou numeração:
Prepara o teu coração para se irritar junto comigo ou ver esse vídeo aqui. A gente assiste, eu faço já um comentário.
Vamos ver. Deus, se eu não sou fiel, se eu não sou fiel no dízimo, na oferta, nas contribuições, nesta manhã o cortador, o migrador, o devorador, o destruidor têm a liberdade de destruir o meu patrimônio.
Porque eu não estou sendo fiel. Eu falo contigo nesta manhã em nome de Jesus. Amém.
Eu não sei se você percebeu, mas ao longo desse trecho do vídeo, as pessoas foram parando de falar. “Ah, não sei o quê, o devorador, o cortador, tal...” e de repente foram notando a bizarrice que é, o absurdo que é. Eu vou já comentar sobre esse assunto aqui, mas antes somente um aviso: nós temos acompanhado as atualizações do YouTube nos últimos dias e a cada dia fica mais exigente que as pessoas interajam.
Então, se você puder, deixa qualquer interação nesse vídeo, seja um comentário, seja um like, porque se você não faz isso, acaba que o YouTube para de te entregar. E se você quer continuar acompanhando esses vídeos aqui, por mais que muitas vezes você seja até inscrito no canal, se você somente assiste mas não interage em nada, não deixa like, não comenta, não faz nada, a plataforma entende que você não tem interesse por esse tipo de conteúdo e para de te entregar.
Então, se você quer continuar recebendo esse tipo de conteúdo e principalmente esses vídeos aqui, é só clicar no like. Não custa nada, é rapidinho. Se você tá vendo pela televisão, eu compreendo, mas se tiver vendo pelo telefone, clica aí no like. Isso ajuda muito o nosso canal também. E aí você continua recebendo. Mas vamos lá.
Isso aqui acontece pelo que a gente tá vendo numa igreja Assembleia de Deus. E me deixa muito triste ver como as pessoas são coagidas. Veja, coagidas. Isso aqui não é uma forma de incentivar a doar, não. Isso aqui é coação. Isso aqui deveria ser crime, porque toca exatamente no que talvez a gente chame de estelionato espiritual.
Ele vai amedrontando você: “Olha, se você não der a sua oferta, o devorador, o cortador, o demônio, o Satanás, a Legião, vai levar tudo que você tem, tudo que você conseguiu, todo o seu patrimônio.” Eu já vi casos em que, inclusive, o pastor diz: “O devorador vai tocar na sua família, nos seus filhos, se você não der na igreja, se você não trouxer a sua oferta.” E nem falo só de dízimo, porque você vai ser chamado de ladrão. Mas a igreja muitas vezes, e é claro que eu preciso ser honesto aqui com vocês, não estou falando de todas as igrejas, claro que não. Inclusive algumas aprenderam a se adaptar.
Napoleão Bonaparte dizia que o ser humano age através de pelo menos duas emoções: ou é pelo medo, ou é pelo interesse. Muitos pastores inteligentes percebem isso e entendem que precisam atacar o rebanho no que ele é mais refém: medo ou interesse. Se a igreja é movida pelo interesse, a pregação vai ser: “Se você der, se você contribuir, então você vai ter isso em troca. Se você trouxer o seu sacrifício no altar, Deus vai te dar aquilo.
Todos os seus problemas vão se acabar.” Essa é a mensagem que cola para o fiel movido pelo interesse. Já para aqueles movidos pelo medo, o discurso é outro: “Se você não trouxer oferta, o que você tem o devorador vai consumir.” E aí se toca no ponto fraco dessa pessoa. Muitos pastores entenderam isso e conseguem compreender qual discurso cola mais. Talvez a igreja funcione mais assim: no dia que o pastor fala do benefício, a oferta não vem; no dia que ele fala do medo, do que as pessoas podem perder, aí sim elas se apavoram e colocam a mão no bolso, porque ninguém quer perder o que tem.
E com isso se cria uma igreja voltada ao medo de perder o que tem ou ao interesse em ter aquilo que não tem. E aí eu te pergunto: onde é que fica a generosidade? Onde é que fica aquilo que diz “Deus ama quem dá com alegria”? Cadê a alegria? Se eu estou dando por medo ou por interesse, porque estou fazendo ali uma poupança — dou 10 para ganhar 20, 30 — cadê a generosidade? Cadê o doar com alegria? A igreja do primeiro século era movida pelo senso de comunidade. As pessoas vendiam patrimônio, terras, fazendas, o que tinham, e levavam para a igreja.
Mas não era para o pastor comprar um jatinho, não era para o pastor comprar uma fazenda maior do que a de todo mundo, não era para ele viajar seis vezes por ano. Era para que ele pegasse aquilo ali e repartisse, de forma transparente, para que todos os irmãos vivessem em igualdade.
E de novo, nada a ver com comunismo, mas sim com o senso de igreja, de comunidade. Hoje, muitas vezes, a igreja se tornou muito mais um clube, onde as pessoas vão movidas pelo interesse ou pelo medo.
Tem gente que vai para a igreja pelo status, pela foto no Instagram, por dizer que faz parte da igreja mais próspera da cidade, por se aproximar do pastor, por se sentir parte de um grupo. Outros levam a família porque acreditam que, diante do mundo atual, não podem deixar os filhos crescerem fora da igreja.
No primeiro caso, é o interesse; no segundo, é o medo. E isso está em todas as áreas, não só nas finanças. Por isso eu digo: não é como a igreja primitiva. Não há senso de comunidade, mas sim pessoas que estão ali por interesse ou medo — às vezes até o interesse de ir para o céu e o medo de ir para o inferno.
Quando vemos situações como essa, percebemos instituições que se aproveitam desses sentimentos, sabendo que muitas vezes o medo funciona mais. E é triste ver o semblante das pessoas, cansadas, desconfortáveis, repetindo frases como “se eu não sou fiel no dízimo, na oferta, nas contribuições, o cortador, o migrador, o devorador, o destruidor têm a liberdade de destruir o meu patrimônio”.
Isso não poderia acontecer numa igreja, onde as pessoas acabam reféns de uma lavagem cerebral que as convence de que, se não ofertarem, Satanás vai levar o que elas têm. Infelizmente, esse discurso funciona porque muitos não leem a Bíblia. Quem lê, não se sujeita a isso.
Não estou dizendo para ninguém sair da igreja, mas é preciso protestar, reivindicar, impedir que esse tipo de discurso continue. Isso não é cristão, não é bíblico, é heresia e, mais do que isso, é criminoso. É exploração da fé. Não seja enganado por essas pessoas. Infelizmente, esse tipo de comportamento não para porque dá dinheiro.
Mas ser generoso é importante. Se você sabe que a igreja tem contas a pagar e pode contribuir, faça isso — mas não por pressão ou medo. Faça por generosidade, porque você quer, sem reclamar depois ou sentir falta daquilo que deu.


