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A Ilusão da Garantia — Como o FGC Socializa Prejuízos e Você Paga a Conta

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 5 dias
  • 8 min de leitura
   — Imagem/Reprodução: PAULO GUEDES alerta : se você tem conta no BRADESCO,veja esse video.

Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter com @Governopróprio


Dizem que o Banco Central protege seu dinheiro, que o FGC é uma garantia gratuita e perpétua até duzentos e cinquenta mil reais, que bancos grandes como o Bradesco são sinônimos de solidez e que bancos médios oferecem oportunidades de rentabilidade maior sem risco adicional.


Matematicamente, isso é uma ilusão cara. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, com um rombo bilionário. Mas os alertas existiam desde agosto de 2023, quando analistas recomendavam publicamente não comprar CDBs da instituição. O então presidente do Banco Central sabia dos problemas de liquidez e optou por não intervir em pelo menos duas ocasiões durante 2024. A intervenção só veio quando o estrago já estava feito.


Não se trata de teoria da conspiração, mas de documentos oficiais, investigação da Polícia Federal e decisão do Conselho Monetário Nacional. O FGC não é um seguro gratuito, mas sim um fundo mutualizado que socializa prejuízos. Isso significa que mesmo quem nunca investiu no Master vai pagar a conta por meio de tarifas maiores no Bradesco, no Inter e em todos os outros bancos nos próximos anos. Grandes instituições observaram o crescimento desordenado do Master em silêncio, sabendo que a insustentabilidade do modelo acabaria por quebrar os concorrentes irresponsáveis.


Se você prefere continuar acreditando que o sistema financeiro brasileiro te protege, feche o vídeo agora. Mas se quer entender como a regulação capturada permite que banqueiros e responsáveis apostem com seu dinheiro enquanto você paga a conta dos erros alheios, fique até o final. A verdade pode irritar, mas também liberta.


Você já se perguntou por que alguns bancos pagam cento e cinquenta por cento do CDI em CDBs, enquanto outros oferecem apenas cento e vinte? A resposta mais comum é que bancos médios são mais eficientes, menos burocráticos e menos gananciosos que gigantes como Bradesco, Itaú e Santander. Essa narrativa é confortável e faz o investidor se sentir esperto por ter encontrado uma oportunidade que os outros não enxergaram.


Mas a matemática mostra outra realidade: bancos médios pagam mais porque captam recursos com risco de crédito maior. Essa diferença não é eficiência operacional, mas prêmio de risco. O mercado está dizendo que existe uma probabilidade maior de esse banco não honrar o compromisso, e você é compensado por aceitar correr esse risco.


Em agosto de 2023, a Warren Investimentos recomendou explicitamente que seus clientes não comprassem CDBs do Banco Master. A justificativa era técnica: crescimento acelerado demais, operações de risco elevado, descompasso entre captação de curto prazo e aplicação de longo prazo. Essa informação era pública e acessível a qualquer investidor minimamente informado.


Mas a ganância falou mais alto. Milhares de brasileiros de classe média continuaram aplicando no Master porque a promessa de rentabilidade extra era irresistível. Afinal, o dinheiro estava garantido pelo FGC. O que poderia dar errado?


A analogia é simples: se um vizinho oferece juros de trinta por cento ao ano, não é porque ele não tem burocracia bancária, mas porque o risco de inadimplência é alto. A mesma lógica se aplica aos bancos. Rentabilidade acima da curva é compensação por risco acima da média.


Se os alertas existiam desde 2023, por que o Banco Central não interveio antes de 2025? Por que esperou mais de dois anos enquanto o rombo crescia? A resposta oficial é que o BC conduz uma investigação interna para apurar falhas na fiscalização.


Mas documentos e reportagens revelam algo mais grave: Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central até dezembro de 2024, tinha conhecimento dos problemas de liquidez e optou por não intervir em pelo menos duas ocasiões. As hipóteses são duas: incompetência técnica ou captura regulatória. Ambas são aterrorizantes.


A liquidação só veio em novembro de 2025, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do BC. Nesse ponto, o banco já estava insolvente e os prejuízos eram irreversíveis. A intervenção não preveniu a crise, apenas gerenciou os escombros.


E aqui entra o FGC. A grande ilusão do investidor médio brasileiro é acreditar que o fundo é um seguro gratuito oferecido pelo governo. Não é. O FGC é um fundo mutualizado, financiado por contribuições obrigatórias de todos os bancos que operam no Brasil.


Quando um banco quebra e o FGC precisa desembolsar bilhões para cobrir os depósitos garantidos, esse dinheiro vem das contribuições dos outros bancos. E esses bancos repassam o custo para você por meio de tarifas administrativas mais altas, spreads bancários maiores e redução da rentabilidade oferecida em aplicações.


Após a liquidação do Master, o Conselho Monetário Nacional promoveu alterações nas regras do FGC, inclusive nas normas de captação. Isso significa que as contribuições obrigatórias dos bancos aumentaram e que esse custo já está sendo repassado para você.


Mesmo quem nunca investiu no Master, quem sempre foi conservador e aplicou apenas em Tesouro Direto ou CDBs de grandes bancos, vai pagar parte da conta através de taxas maiores, rentabilidades menores e spreads mais altos em financiamentos.


FGC e a Socialização dos Prejuízos: Por que Diversificar é Essencial


Isso é socialização de prejuízo e é completamente legal e estrutural no sistema financeiro brasileiro. Vamos às contas de um exemplo real: digamos que o FGC precise desembolsar oito bilhões de reais para cobrir os depósitos garantidos do Banco Master.


Esse valor será dividido entre todos os bancos através de contribuições extraordinárias proporcionais ao tamanho de cada instituição. Um banco grande como o Bradesco, que tem trilhões em ativos, pagará algumas centenas de milhões. Um banco médio pagará dezenas de milhões. E todos repassarão esses custos para a base de clientes.


Se o Bradesco tem quarenta milhões de clientes ativos, uma contribuição de quinhentos milhões de reais significa doze reais e cinquenta centavos por cliente. Parece pouco, mas multiplique por outros eventos de liquidação que acontecem regularmente, pelos aumentos de capital regulatório exigidos pelo Banco Central como resposta às crises e pelos custos adicionais de compliance e auditoria que sempre surgem após escândalos sistêmicos.


O custo anual médio por cliente para cobrir falhas de outros bancos fica na faixa de cinquenta a cem reais. Você não vê esse custo de forma explícita na sua fatura, mas ele está embutido nas tarifas de manutenção de conta, nas taxas de transferência, no spread do cheque especial e na rentabilidade que você deixa de receber porque o banco precisa manter reservas maiores.


Agora vem a pergunta que ninguém faz: se o Master crescia de forma desordenada, oferecendo rentabilidades insustentáveis desde 2023, onde estavam os grandes bancos como Bradesco, Itaú e Santander? Por que não competiram agressivamente para impedir o crescimento do concorrente?


A resposta é estratégia de paciência institucional. Grandes bancos sabem identificar modelos de negócio insustentáveis. Sabem que um banco que capta a 150% do CDI e empresta em operações de risco elevado vai quebrar eventualmente.


E sabem que, quando isso acontecer, os clientes assustados vão migrar de volta para instituições grandes e sólidas. É como uma luta de boxe: o veterano deixa o iniciante se cansar jogando golpes descontrolados. Não precisa nocautear. Basta esperar o colapso por exaustão e consolidar o mercado na sequência.


O Bradesco não foi vítima da concorrência do Master. Observou, catalogou e esperou. E agora, após a liquidação, está colhendo uma base de clientes assustados que aprenderam na dor que rentabilidade acima da curva significa risco acima da média.


O ponto mais importante é que grandes bancos cobram taxas altas e oferecem rentabilidades menores não por ganância ou ineficiência, mas porque mantêm estruturas de compliance, auditoria, provisionamento de risco e capital regulatório muito superiores às dos bancos médios. Isso tem custo operacional real e mensurável.


A diferença entre ganhar 120% do CDI no Bradesco versus 150% no Master não é questão de eficiência, mas de probabilidade. A probabilidade de você entrar numa fila do FGC aguardando restituição por meses, enquanto a inflação corrói seu poder de compra, é significativamente menor num banco grande.


É como comprar um carro com airbag, freios ABS e controle de estabilidade versus comprar um carro sem nenhum item de segurança, mas 20% mais barato. Ambos funcionam em condições normais, até o dia do acidente.


Então, a solução é aceitar as taxas do Bradesco e conformar-se com rentabilidade menor? Não. A solução é entender que maximizar rentabilidade dentro do sistema bancário tradicional é uma estratégia limitada e que sempre expõe o investidor a risco mutualizado.

Para ilustrar, comparemos dois investidores em 2023.


O investidor A, “esperto”, coloca cem mil reais em CDBs do Banco Master a 150% do CDI. O investidor B, “soberano”, diversifica: quarenta mil em Tesouro IPCA+, trinta mil em fundos imobiliários de tijolo com dividendos médios de 8% ao ano e trinta mil em ações de blue chips pagadoras de dividendos consistentes.


Em novembro de 2025, quando o Master é liquidado, o investidor A tem seus cem mil reais bloqueados e entra na fila do FGC. O processo leva de quatro a seis meses, sem remuneração. Ao receber a restituição, o poder de compra já foi corroído pela inflação: cem mil viram noventa e sete mil e quinhentos em termos reais.


Enquanto isso, o investidor B vê seu Tesouro IPCA+ render cerca de 11% ao ano, seus fundos imobiliários acumularem dividendos e suas ações valorizarem com dividendos adicionais. Em 2026, seu patrimônio chega a cento e trinta e cinco mil reais.


A diferença é de trinta e sete mil e quinhentos reais, ou 38% a mais em apenas três anos. Mais importante: o investidor B dormiu tranquilo todas as noites, sem pânico, sem bloqueio de recursos e sem custo psicológico da incerteza.


O argumento de que “o FGC devolve” ignora três custos invisíveis: o custo de oportunidade (perda de reinvestimentos durante o bloqueio), o custo inflacionário (restituição nominal sem ajuste real) e o custo operacional embutido (estrutura do FGC financiada pelos próprios clientes).


Se o FGC socializa prejuízos e todos pagam a conta da irresponsabilidade de alguns bancos, existe forma de escapar desse sistema? Sim. A resposta é diversificação em ativos descorrelacionados do sistema bancário tradicional.


Descorrelação: O Caminho da Soberania Financeira


Excelente ponto. O trecho que você trouxe explica de forma muito clara o conceito de ativos descorrelacionados e o contraste entre depender do sistema bancário tradicional e buscar alternativas que não estão atreladas à solvência de intermediários financeiros. Vou organizar e sintetizar para deixar ainda mais direto:


O que significa “descorrelacionado”


Um ativo descorrelacionado é aquele cujo valor não depende da promessa de um banco, da garantia de um fundo ou da solvência de intermediários financeiros. Ele se apoia em fatores econômicos reais: geração de fluxo de caixa, escassez relativa, utilidade funcional.


Exemplos práticos:


• Imóvel alugado → gera fluxo de caixa mensal independente de bancos.

• Fundos imobiliários de tijolo → distribuem aluguéis mensais sem depender de bancos.

• Ações de empresas pagadoras de dividendos → distribuem lucros diretamente.

• Tesouro Direto IPCA+ → dívida do governo federal, não de banco.

• Ouro → reserva de valor milenar, independente do sistema financeiro moderno.

• Criptomoedas (custodiadas corretamente) → permitem controle direto sem intermediários.


A lógica central


Quanto menos seu patrimônio depende da promessa de terceiros, menos você paga pela irresponsabilidade alheia.


Mas existe um custo: diversificação real exige estudo, disciplina e aceitação de rentabilidades menores no curto prazo em troca de retorno ajustado ao risco muito superior no longo prazo.


Estruturas de incentivo


• Bancos médios: têm incentivo para captar a qualquer custo, oferecendo rentabilidades insustentáveis.

• Grandes bancos: têm incentivo para esperar os concorrentes quebrarem e depois consolidar mercado.

• Banco Central: tem incentivo para evitar intervenções politicamente custosas até o último momento.

• Investidores comuns: têm incentivo para perseguir rentabilidade máxima, porque o custo do erro é socializado via FGC.


A escolha do investidor


Você pode continuar sendo combustível do sistema, aceitando CDBs milagrosos e pagando taxas crescentes para cobrir quebras.


Ou pode assumir a responsabilidade radical de construir patrimônio soberano em ativos descorrelacionados, aceitando o custo de aprendizado e preservando poder de compra no longo prazo.


Essa é a lição do soberano. Não há vítimas, apenas voluntários. Você escolhe.





 
 
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