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A intervenção americana no México e a guerra contra o Cartel Jalisco Nova Geração

  • há 4 horas
  • 5 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: @canalmilitarizandoomundo - SEM PIEDADE FORÇAS COMBATEM COM HELICÓPTEROS NA GUERR4 MEXICANA EUA EM AÇÃO.

A intervenção americana no México se intensifica de forma bem eficaz e novas imagens de helicópteros de ataque americanos são vistas realizando ataques e operações contra os cartéis de droga. O espaço aéreo mexicano está sendo restringido.


Na sequência da morte de Nemesueguera Cervantes, conhecido como El Menchel, líder do Cartel Jalisco Nova Geração, uma das organizações criminosas mais violentas e influentes do México e da América Latina, o país enfrenta uma escalada sem precedentes de confrontos armados entre forças de segurança e membros do cartel.


A operação que resultou na morte do narcotraficante ocorreu no domingo, 22 de fevereiro, em Tapalpa, no estado de Jalisco, durante uma ação das forças especiais mexicanas, que visava capturá-lo enquanto ele era transportado para receber tratamento médico.


Ferido em um tiroteio intenso, El Menchel faleceu durante o traslado aéreo para a Cidade do México, desencadeando uma reação imediata e coordenada do cartel, com ataques que se espalharam por pelo menos vinte estados, incluindo Jalisco, Michoacán, Guanajuato, Colima, Nayarit, Tamaulipas e Guerrero.


Essa onda de violência incluiu mais de duzentos bloqueios de estradas com veículos incendiados, saques a lojas, incêndios em ônibus e infraestruturas, além de confrontos diretos com o exército e a Guarda Nacional, resultando em pelo menos sessenta mortes confirmadas.


Em meio a esse caos, os helicópteros UH-60 Black Hawk do Exército mexicano emergiram como um dos equipamentos mais cruciais nessa guerra contra os cartéis de drogas, proporcionando superioridade aérea, mobilidade rápida e capacidade de fogo de suporte que têm sido decisivos para conter a ofensiva dos narcotraficantes.


Os UH-60 Black Hawk, fabricados pela empresa norte-americana Sikorsky e em serviço no México desde a década de 1990 por meio de aquisições e doações via programas de cooperação internacional, são helicópteros multifuncionais projetados para operações de assalto, transporte de tropas, evacuação médica e suporte armado.


No contexto mexicano, eles são equipados com miniguns de calibre 7,62 milímetros montadas nas portas, capazes de disparar milhares de projéteis por minuto, o que os torna ideais para suprimir posições inimigas em terrenos difíceis, como as montanhas e estradas rurais de Jalisco, onde o cartel opera com veículos blindados improvisados, drones armados e minas terrestres.


Sua importância se destaca especialmente nessa fase pós-morte de El Menchel, pois permitem que as forças mexicanas respondam rapidamente a emboscadas e bloqueios, transportando reforços para áreas isoladas e fornecendo cobertura aérea em confrontos urbanos e rurais. Algo que veículos terrestres sozinhos não conseguiriam devido à mobilidade limitada imposta pelos narcobloqueios.


Vídeos circulando em redes sociais mostram esses helicópteros em ação, como em Puerto Vallarta, onde um UH-60 Black Hawk da Força Aérea Mexicana abriu fogo com sua minigun contra homens armados do Cartel Jalisco Nova Geração, posicionados perto de uma prisão, neutralizando ameaças e permitindo o avanço de tropas no solo.


Em outra cena, próximo à estrada Ecoterra em Jalisco, um Black Hawk foi filmado disparando contra posições do cartel, demonstrando como esses aparelhos são vitais para quebrar a resistência armada e restaurar o controle em regiões voláteis.


Além disso, os helicópteros têm sido usados para evacuações médicas urgentes, como o pouso de um UH-60 em um hospital em Lagos de Moreno, Jalisco, transportando membros da Guarda Nacional feridos por tiros do cartel, destacando sua versatilidade em cenários de guerra assimétrica contra grupos criminosos que já derrubaram helicópteros militares no passado, como em ataques anteriores do próprio cartel Jalisco Nova Geração.


As ações em andamento incluem o reforço de dois mil e quinhentos soldados federais em Jalisco e estados vizinhos, com patrulhas blindadas e aéreas intensificadas, remoção de bloqueios e confrontos diretos em cidades como El Grullo, onde helicópteros UH-60 Black Hawk e EC-725 Cougar forneceram suporte aéreo com fogo de minigun para desmantelar emboscadas em Aguascalientes.


Veículos blindados do exército patrulham ruas, enquanto helicópteros sobrevoam áreas de risco. Em Puerto Vallarta, o foco tem sido neutralizar homens armados que incendiaram caminhões e reboques em autoestradas.


O governo ativou o código vermelho para proteger civis, suspendendo aulas, fechando lojas e orientando moradores a permanecerem em casa, enquanto o aeroporto de Guadalajara registrou tiros e cancelamentos de voos, afetando turistas e levando embaixadas estrangeiras a emitirem alertas de segurança.


A presidente mexicana Cláudia Shinba, em coletiva de imprensa, destacou a participação dos Estados Unidos na operação, esclarecendo que se limitou a uma troca intensa de informações e inteligência sem a presença de forças americanas no terreno.


Ela enfatizou que todas as ações foram executadas por forças federais mexicanas, com o Ministério da Defesa Nacional responsável pelo planejamento, mas reconheceu que o governo dos Estados Unidos forneceu dados cruciais que permitiram localizar El Menchel, incluindo o suporte de uma nova força-tarefa conjunta do Pentágono, que mapeia cartéis na fronteira.


A secretária de imprensa da Casa Branca, Caroline Levid, confirmou esse apoio de inteligência e expressou gratidão às Forças Armadas Mexicanas, enquanto o presidente Donald Trump, em postagem no Truth Social, cobrou que o México intensifique esforços contra os cartéis e as drogas.


Essa intervenção dos Estados Unidos, embora indireta, representa uma parceria estratégica no combate aos cartéis, com treinamentos especializados fornecidos por instrutores da marinha americana a equipes mexicanas desde 15 de fevereiro de 2026, como parte de um programa classificado para mirar líderes criminosos de alto nível.


Os acontecimentos na região expõem a fragilidade do controle estatal em áreas dominadas pelo narcotráfico, com o Cartel Jalisco Nova Geração emitindo ameaças diretas ao partido governista Morena e suas famílias, alegando quebra de acordos não especificados, o que intensifica o risco de uma sucessão sangrenta dentro do cartel e possíveis guerras com rivais como o Cartel de Sinaloa.


Essa crise deve servir como alerta para toda a América Latina sobre o quão perigoso é apaziguar cartéis de drogas, pois políticas de conciliação ou corrupção permitem que essas organizações se fortaleçam, expandam para o tráfico internacional de fentanil e armas e desafiem abertamente as instituições, levando a cenários de violência generalizada que afetam economias, turismo e segurança regional, como visto em países vizinhos, onde cartéis semelhantes operam com impunidade.


A participação direta dos Estados Unidos, por meio dessa inteligência compartilhada e forças-tarefa, ilustra uma abordagem binacional para o combate aos cartéis, mas também levanta debates sobre soberania, já que depende de coordenação transfronteiriça para interromper fluxos de drogas que afetam ambos os países.


Em uma pequena análise, a morte de El Menchel pode enfraquecer o Cartel Jalisco Nova Geração a curto prazo, mas o vácuo de poder tende a gerar mais violência interna e externa, reforçando a necessidade de estratégias integradas que vão além de operações militares, incluindo reformas sociais e econômicas para desmantelar as raízes do narcotráfico na América Latina.






 
 
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