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Bioterrorismo na Unicamp sob investigação — vírus furtados e suspeitas de biossegurança

  • há 18 horas
  • 2 min de leitura
 — Imagem/Foto Reprodução: @tvcoiote - Reportagem BOMBA do Fantástico 24 tipos de vírus foram furtados.

Duas faculdades separadas por poucos metros na Unicamp se tornaram palco de um caso que mistura ciência e polícia. A Polícia Federal e a própria universidade investigam o furto de material biológico de um laboratório de alta segurança.


Os principais suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e seu marido, o doutorando Michael Edward Miller, do Instituto de Biologia.


Entre fevereiro e março de 2026, câmeras de vigilância registraram o casal acessando o laboratório de virologia fora do horário de expediente e retirando caixas com amostras.


Pesquisadores notaram o desaparecimento de tubos contendo vírus como H1N1, H3N2, dengue, zika, chikungunya, herpes, Epstein-Barr e até coronavírus humano, além de vírus que infectam animais. No total, pelo menos 24 cepas diferentes foram levadas.


Parte do material foi encontrada em um biofreezer da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad trabalhava. A operação da PF lacrou o laboratório e recolheu as amostras.


Apesar da gravidade, a direção do Instituto de Biologia divulgou nota afirmando que não há risco imediato de contaminação, desde que os recipientes permaneçam vedados e congelados.


O episódio levanta questões sérias sobre biossegurança, rastreabilidade e controle de materiais sensíveis em instituições de pesquisa.


A investigação segue em andamento, com participação da Anvisa e da Polícia Federal, para esclarecer como e por que vírus de alto risco foram retirados de um dos laboratórios mais protegidos do país.


Unicamp e o caso dos vírus furtados: ciência sob suspeita


Logo após a operação da Polícia Federal, a professora Soledad Palameta Miller foi flagrada em outro laboratório vizinho ao de virologia, onde, segundo as investigações, estariam escondidas mais amostras subtraídas.


Ela teria descartado material biológico e alterado rótulos para descaracterizar a origem das amostras.


O furto ocorreu em um laboratório NB3, nível de biossegurança que exige controle rigoroso de acesso, paramentação especial e ultrafreezers para armazenamento. Esse tipo de estrutura é projetado para manipular vírus de risco elevado, como H1N1, dengue e zika.


Acima dele só existe o NB4, usado para patógenos letais como o ebola — nível que não existe no Brasil.


Embora as investigações apontem Michael Miller como o principal responsável por retirar as amostras, foi Soledad quem acabou presa, passando uma noite na cadeia antes de obter liberdade provisória.


Como o material estava armazenado na Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde ela atuava, a conduta recaiu sobre ela.


A professora vai responder por transporte irregular de organismos geneticamente modificados, fraude processual e por expor a vida e a saúde de outras pessoas a perigo.


Uma das hipóteses da PF é que as 24 cepas de vírus levadas poderiam ter algum uso na empresa de biotecnologia do casal.


A Unicamp classificou o episódio como “isolado” e abriu sindicância interna. O advogado dos suspeitos não se manifestou.


Esse caso expõe uma vulnerabilidade grave: a circulação de material biológico de alto risco fora de ambientes controlados, levantando questões sobre segurança, fiscalização e possíveis interesses privados em pesquisas que deveriam estar restritas ao âmbito acadêmico.




 
 
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