Brasil no Tabuleiro Ocidental: Pressões Externas e a Arte da Influência
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 23 horas
- 4 min de leitura
Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @cortesdoflow
O Brasil está no centro das atenções globais. O país possui terras raras, água, petróleo, um mercado interno poderoso e expansão continental.
Nesse contexto, Donald Trump tem direcionado sua atenção ao hemisfério ocidental, da Groenlândia até a Argentina, e considera o Brasil peça indispensável em sua estratégia.
A disputa política interna brasileira, portanto, não se desenrola isolada: quem vencer em 2026 inevitavelmente terá de lidar com a influência norte-americana.
A forma de atuação dos Estados Unidos não precisa ser uma invasão direta, como ocorreu na Venezuela. O argumento utilizado lá foi o combate ao narcotráfico, mas a lógica pode ser adaptada a qualquer narrativa conveniente.
O Brasil, mesmo sem problemas estruturais equivalentes, pode ser enquadrado em discursos de combate ao terrorismo ou ao crime organizado, criando brechas para intervenções indiretas. A história mostra que, quando necessário, Washington recorre a justificativas que legitimam sua presença militar ou política em outros países.
A atuação externa não se limita ao campo militar. Casos como o do Banco Master, ainda que não tenham relevância internacional, ilustram como dinheiro e poder se entrelaçam em escalas locais e globais.
A CIA, sob comando de Trump, pode ter preferências claras sobre quem deve governar o Brasil, e mesmo que Lula mantenha proximidade diplomática, não está descartada a possibilidade de pressões para favorecer lideranças mais alinhadas aos interesses norte-americanos.
Essa lógica não é nova. Desde o golpe de 1964, quando documentos revelaram a participação direta dos Estados Unidos na derrubada de João Goulart, até a aplicação da Doutrina Monroe no século XIX, o Brasil esteve sob influência externa.
A política do “big stick” — falar manso, mas carregar um porrete — continua sendo aplicada, agora em formas mais sofisticadas, como as chamadas “revoluções coloridas” ou guerras híbridas. Nessas estratégias, movimentos populares são incentivados e financiados para criar a aparência de espontaneidade, quando na verdade refletem interesses externos.
O caso da Ucrânia é emblemático. A revolução Euromaidan contou com apoio explícito dos Estados Unidos, e a expansão da OTAN para países do antigo Pacto de Varsóvia foi vista pela Rússia como uma ameaça existencial. A entrada da Finlândia na aliança, com mais de mil quilômetros de fronteira com Moscou, intensificou a tensão.
A Ucrânia, berço cultural da Rússia, tornou-se linha vermelha. Para Moscou, aceitar sua adesão à OTAN significaria permitir mísseis apontados diretamente para sua capital.
O Brasil, embora privilegiado geograficamente e distante de conflitos diretos, não está imune a essas dinâmicas. O país continua sendo alvo de pressões externas, seja por seus recursos estratégicos ou por sua posição continental.
A disputa interna, muitas vezes vista como puramente doméstica, carrega sempre a sombra de interesses internacionais que moldam o destino nacional.
Putin, Sanções e a Guerra de Sistemas: O Jogo Geopolítico entre Rússia e Ocidente
Os Estados Unidos forçaram a barra ao aproximar a Ucrânia da OTAN e da União Europeia, contrariando os alertas de Vladimir Putin de que não aceitaria tal movimento.
A resposta russa foi a invasão, seguida pela expulsão do país do sistema Swift, o mecanismo internacional de pagamentos.
O acordo do Nord Stream, que garantiria à Rússia domínio energético sobre a Europa, foi desfeito, servindo como justificativa para arrancar Moscou do jogo global.
Putin, ex-diretor da KGB e fluente em alemão, percebeu a cilada e se preparou com antecedência. Antes mesmo da guerra, firmou acordos com a China durante as Olimpíadas de Inverno de 2022, prevendo que o Ocidente congelaria reservas russas e bloquearia o uso do dólar.
A Rússia passou a utilizar o sistema interno de pagamentos MIR e contou com o apoio chinês para transações internacionais. O petróleo e o gás natural, antes destinados à Europa, foram redirecionados para China e Índia a preços vantajosos.
Quando as sanções entraram em vigor, o rublo despencou e a bolsa russa colapsou.
No entanto, em poucos dias, o plano alternativo foi acionado e a economia se estabilizou. Putin também havia criado o conceito de “internet soberana”, uma rede nacional que simula acesso global, mas protege o país de ataques cibernéticos externos. A estratégia visava blindar a Rússia de dependências ocidentais e preparar o terreno para o isolamento.
Esse cenário mostra como Moscou já vinha se preparando há mais de uma década para enfrentar o bloqueio ocidental. A guerra na Ucrânia foi o gatilho, mas a estrutura de defesa econômica e tecnológica já estava montada. No fim, o conflito revelou não apenas a força militar, mas a capacidade de adaptação estratégica da Rússia.
Voltando ao panorama histórico, os Estados Unidos sempre influenciaram diretamente a trajetória de países como o Brasil. Durante a Guerra Fria, figuras como Luís Carlos Prestes e Olga Benário representavam a influência soviética, enquanto Carlos Lacerda e o regime militar se alinhavam a Washington.
Em determinados momentos, até lideranças de esquerda passaram a ser interessantes para os norte-americanos, mostrando como os conceitos políticos se moldam conforme os interesses externos.
Nos anos 1970, por exemplo, a esquerda brasileira era conservadora em valores sociais, defendendo a família e criticando a promiscuidade atribuída aos filmes de Hollywood. Décadas depois, os papéis se inverteram: os Estados Unidos assumiram posições mais conservadoras, enquanto setores da esquerda passaram a defender a liberdade sexual.
O que permanece constante é a lógica de oposição: criticar e se posicionar contra aquilo que o Ocidente representa, independentemente da forma que assuma.


