Brasil se afasta de exercício naval do Brics e mantém postura cautelosa diante de tensões globais
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 4 dias
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter com @canalmilitarizandoomundo
Em meio ao aumento das tensões geopolíticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou a participação da Marinha do Brasil em um grande exercício naval do Brics, que reúne Irã, Rússia e China.
A decisão coloca o país em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que evita atritos com os Estados Unidos, mostra fragilidade diplomática perante os parceiros estratégicos do bloco.
O exercício, denominado Maritime Security Belt 2026, está previsto para ocorrer no início de fevereiro no norte do Oceano Índico, abrangendo áreas sensíveis como o Golfo de Omã e o estreito de Ormuz.
Trata-se da oitava edição de uma série iniciada em 2019, envolvendo uma ampla gama de unidades navais — de destroyers e corvetas a submarinos, helicópteros e forças especiais — com o objetivo de fortalecer a cooperação em segurança marítima, operações antipirataria, busca e resgate, além da defesa de rotas comerciais vitais para o transporte de energia e mercadorias.
Segundo informações da imprensa iraniana, o exercício contará com a participação da Marinha Regular do Irã e da Guarda Revolucionária Islâmica, além de navios chineses e unidades russas da Frota do Pacífico.
As atividades incluirão simulações de interceptação de embarcações suspeitas, exercícios de fogo real com mísseis antinavio e drones, além de operações conjuntas de forças especiais.
O contexto internacional é marcado por desafios estratégicos: a Rússia, envolvida na guerra contra a Ucrânia, busca projetar poder e estreitar laços com parceiros não ocidentais; o Irã enfrenta pressões dos Estados Unidos sobre seu programa nuclear; e a China reforça sua presença no Oriente Médio para garantir suprimentos energéticos e ampliar sua influência global.
O Brasil, como membro fundador do Brics, optou por limitar-se ao papel de observador, repetindo a postura adotada em exercícios anteriores.
Autoridades em Brasília justificam a decisão como medida de cautela diante da possibilidade de sanções econômicas ou pressões políticas de Washington, considerando a dependência brasileira de investimentos americanos e a proximidade geográfica com os Estados Unidos.


