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Corrida tecnológica — EUA tentam conter avanço da China nos semicondutores

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: O projeto secreto da China é mais assustador do que você imagina.

Em meio à guerra comercial e às crescentes tensões geopolíticas, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas sobre a produção estrangeira de chips e semicondutores, com foco direto na China.


A medida reflete a disputa estratégica pelo domínio da tecnologia que sustenta desde celulares e computadores até sistemas de inteligência artificial e armamentos militares.


O papel da ASML


No centro dessa disputa está a ASML, empresa holandesa considerada a mais importante do mundo na fabricação de máquinas de litografia. Essas máquinas são essenciais para produzir semicondutores avançados e, sem elas, não há smartphones modernos, redes 5G ou sistemas de IA. A ASML é a única capaz de vender equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV), que imprimem padrões microscópicos em chips, aumentando exponencialmente seu poder de processamento.


Com 83% do mercado global de litografia e valor de mercado próximo a 500 bilhões de dólares, a ASML tornou-se peça-chave na contenção tecnológica. Desde 2018, os EUA pressionam a Holanda a restringir a venda dessas máquinas para a China, alegando risco de uso militar. O governo holandês atendeu, bloqueando exportações de modelos avançados e, mais recentemente, até de versões menos sofisticadas.


O desafio chinês


A China, por sua vez, encara a autossuficiência em semicondutores como prioridade nacional. O governo exige que novas fábricas utilizem ao menos 50% de equipamentos nacionais, com meta de chegar a 100%. Para isso, investe bilhões em pesquisa e desenvolvimento, mobilizando empresas como a Huawei e milhares de engenheiros em um esforço comparado a um “projeto Manhattan” tecnológico.


O desafio é monumental: cada máquina da ASML tem mais de 100 mil peças fornecidas por 5 mil empresas diferentes, custa até 400 milhões de dólares e exige logística complexa para transporte. Reproduzir essa tecnologia é considerado quase impossível no curto prazo, mas Pequim aposta em engenharia reversa, espionagem industrial e fusão entre setores civil e militar para acelerar o processo.


Implicações estratégicas


O Pentágono teme que semicondutores avançados permitam à China desenvolver sistemas militares baseados em IA, capazes de operar caças, navios e tanques de forma autônoma. Nesse cenário, quem dominar primeiro a tecnologia poderia obter vantagem decisiva em conflitos futuros, inclusive na disputa por Taiwan.


A corrida tecnológica entre Washington e Pequim, portanto, não é apenas econômica: trata-se de uma batalha pelo controle da infraestrutura que sustentará a próxima geração de poder militar e digital.


China acelera projeto secreto para dominar tecnologia de semicondutores

Shenzhen, China – Relatos recentes indicam que engenheiros chineses avançam rapidamente em um laboratório de alta segurança localizado no polo tecnológico de Shenzhen. Segundo informações da agência Heuters, um protótipo capaz de gerar luz ultravioleta extrema (EUV) foi concluído no início de 2025. Embora ainda não produza chips, o feito representa um passo crucial para a ambição chinesa de desenvolver máquinas de litografia comparáveis às da holandesa ASML, líder mundial nesse setor.


O plano chinês


Fontes próximas ao projeto afirmam que o governo espera ter uma máquina funcional até 2028, embora especialistas considerem 2030 uma meta mais realista. Analistas ocidentais estimam que a China precisaria de pelo menos uma década para alcançar o nível atual da ASML.


Um detalhe chama atenção: parte dos engenheiros envolvidos no projeto são ex-funcionários da própria ASML, aposentados e contratados pela China com pacotes milionários de bônus e benefícios. Apesar de terem assinado acordos de confidencialidade, eles estariam aplicando conhecimentos técnicos sensíveis em favor do esforço chinês.


Espionagem e propriedade intelectual


A ASML já foi alvo de diversos casos de espionagem e roubo de propriedade intelectual. Em 2019, uma empresa ligada à China foi condenada por violação de patentes no valor de 845 milhões de dólares. Em 2023, a companhia informou às autoridades holandesas que um ex-funcionário chinês havia levado informações críticas para a Huawei, que hoje coordena parte do esforço nacional em litografia.


Serviços de inteligência da Holanda alertaram em 2025 que Pequim utiliza programas de espionagem e recrutamento agressivo de cientistas para acelerar seu avanço tecnológico. Como resposta, autoridades holandesas estudam medidas mais rígidas de proteção, incluindo triagens de pessoal e restrições de contratação por nacionalidade.

Obstáculos técnicos


Apesar dos avanços, a China ainda enfrenta grandes desafios. O protótipo construído é muito maior que os modelos da ASML e não possui a mesma precisão. A maior dificuldade está na produção de lentes e espelhos de altíssima qualidade, atualmente fornecidos por empresas alemãs como a Zeiss AG. Para superar essa barreira, Pequim oferece salários ilimitados a pesquisadores locais e busca componentes em mercados paralelos, muitas vezes recorrendo à engenharia reversa.


Impactos globais


Especialistas acreditam que, mesmo com atrasos, a China inevitavelmente alcançará a tecnologia EUV. Quando isso ocorrer, não apenas a ASML perderá o monopólio, mas o equilíbrio de poder tecnológico global será alterado. O objetivo estratégico de Pequim é reduzir ao máximo sua dependência do Ocidente, enquanto mantém o mundo dependente de suas terras raras, baterias e medicamentos.


Nesse cenário, a China poderia usar sua posição para influenciar decisões internacionais, inclusive sobre Taiwan. Para conter esse avanço, analistas defendem que Estados Unidos e aliados europeus lancem seus próprios “projetos Manhattan” em setores estratégicos, garantindo independência tecnológica.






 
 
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