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CRIMES POLICIAIS — Segundo relatório cerca de 90% dos mortos pela polícia em 2025 eram negros

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura
 — Imagem de Arquivo CP: As taxas de mortes decorrentes de intervenção policial mostram que, em média, pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia.
 — Imagem de Arquivo CP: As taxas de mortes decorrentes de intervenção policial mostram que, em média, pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia.

 —Jornalista José Adauto Ribeiro da Cruz


Em 2025, 86,3% das vítimas da letalidade policial eram negras, sobretudo jovens das periferias e favelas, segundo o estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, da Rede de Observatórios da Segurança.


Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação junto às secretarias de segurança de nove estados, revelam não apenas o aumento de 6,4% na violência policial em relação ao ano anterior, mas também a persistência de um padrão que escancara o racismo estrutural na atuação das forças estatais. Foram 4.330 mortes registradas nesses estados em 2025, das quais 3.104 tinham identificação de raça/cor e eram pessoas negras.


Não se trata de fatalidade ou de casos isolados: ano após ano, a juventude negra das periferias é a principal vítima da violência policial. O fato de esse padrão se repetir por sete edições consecutivas do Pele Alvo, somando 28.799 mortes, evidencia a ausência de políticas públicas eficazes para proteger essas vidas.


— Imagem/Reprodução: Captura de tela 2026 06 29 182450 - Elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança. *Somatório de pretos e pardos conforme critério estabelecido pelo IBGE.
— Imagem/Reprodução: Captura de tela 2026 06 29 182450 - Elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança. *Somatório de pretos e pardos conforme critério estabelecido pelo IBGE.

A responsabilidade por esse descalabro recai diretamente sobre os governos federal e estaduais, que falham em cumprir seu dever constitucional de garantir segurança e igualdade.


As taxas de mortes decorrentes de intervenção policial mostram que, em média, pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas.


Esse dado não apenas denuncia a seletividade racial da violência, mas também expõe a omissão das autoridades que deveriam enfrentar o problema com seriedade e urgência. Persistir nesse quadro é perpetuar um projeto de exclusão e descaso com a vida da população negra.


Mais de 300 crianças vítimas 

 

O estudo também chama atenção para os dados que mostram que a letalidade policial é um fator que interrompe o futuro de centenas de crianças. Dentro do grupo de vítimas de 2025, as crianças e os adolescentes até 17 anos somaram 312, o que evidencia, de acordo com os pesquisadores, ” infâncias e juventudes interrompidas mesmo quando o Estado sustenta discursos de eficiência na segurança pública, frequentemente associados a investimentos em tecnologia, inteligência e ampliação do aparato policial”.


— Imagem/Reprodução: Captura de tela 2026 06 29 182555 - Fonte: Elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança.
— Imagem/Reprodução: Captura de tela 2026 06 29 182555 - Fonte: Elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança.

Omissão 

 

O relatório destaca a qualidade dos dados fornecidos pelas secretarias de segurança pública e afirma que a falta de informações sobre o perfil racial das vítimas não é apenas uma falha burocrática, mas “uma omissão que insiste em invisibilizar o recorte racial da letalidade estatal”.  

 

Os pesquisadores citam que, estados como Maranhão e Ceará utilizam a categoria “não informado” para ocultar o perfil racial de, respectivamente, 54,9% e 57,5% de suas vítimas. No entanto, quando os dois estados passaram a informar melhor o perfil racial das vítimas, a a proporção de negros mortos disparou 22 pontos percentuais no Maranhão e 8 no Ceará. 


Letalidade policial se reconfigura com a expansão de facções

 

O monitoramento também aponta que a dinâmica da letalidade policial tem se reconfigurado com a expansão e articulação de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em direção às regiões Norte e Nordeste, desencadeando respostas governamentais baseadas exclusivamente na lógica da militarização e do confronto. Como resultado, quatro estados registraram o maior número de mortes de suas séries históricas desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834). 

 

Dados da violência por estado

 

O estudo também destaca alguns dados que chama atenção sobre a letalidade policial nos nove estados investigados, são eles: 

  • Amazonas tem a maior proporção de vítimas negras entre os nove estados monitorados: 96% dos mortos pela polícia 

  • Dos 365 dias de 2025, 346 registraram mortes por agentes públicos de segurança na Bahia  

  • O Ceará registrou 200 mortes por intervenção policial em 2025, o maior número da série histórica, e pessoas negras representaram 87,1% das vítimas 

  • Mais da metade dos registros de letalidade policial (54,9%) no Maranhão não informa a raça ou cor das vítimas, ocultando o impacto racial da violência estatal 

  • No ano em que Belém sediou a COP30, a letalidade policial do Pará atingiu o maior patamar da série histórica, com 632 mortes; entre as vítimas, 418 tinham entre 12 e 29 anos 

  • Apesar da narrativa oficial de preservação da vida em Pernambuco, a letalidade policial cresceu 30,9% em 2025; negros têm 11 vezes mais chances de morrer pela polícia 

  • No Piauí, protocolos antirracistas na PM promoveram queda da letalidade policial, mas o crescimento do número mortes ocultas por causas indeterminadas gera alerta 

  • Enquanto a narrativa dos “narcoterroristas” legitima a lógica do confronto, o Rio de Janeiro registrou 800 mortes em 2025 – sendo duas das vítimas com idade entre 0 e 11 anos 

  • São Paulo voltou a bater recorde de letalidade policial, com 834 mortes em 2025, mesmo em um contexto de redução dos principais indicadores criminais 

 
 
 

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