Crise sem precedentes: guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos expõe disputa global de poder
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 2 dias
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @vozcentraltv
Eu preciso que você pare tudo que está fazendo agora, porque o que acabou de acontecer entre Brasil e Estados Unidos não tem precedentes.
Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Donald Trump humilhou publicamente o presidente Lula diante de jornalistas do mundo inteiro e anunciou tarifas de 100% sobre produtos brasileiros.
Isso significa que tudo que o Brasil exporta para os Estados Unidos passará a custar o dobro da noite para o dia.
Nos últimos meses, a relação entre Trump e Lula vinha melhorando. Após a crise das tarifas no ano passado, o vice-presidente Geraldo Alckmin conseguiu negociar um acordo, as tarifas foram retiradas e parecia que os dois países tinham chegado a um ponto de equilíbrio. Trump chegou a elogiar Lula algumas vezes.
Mas tudo desmoronou após a viagem de Lula à China, onde ele assinou um contrato bilionário de exportação de petróleo, soja e minério de ferro, com pagamento em yuan, driblando o dólar americano.
Além disso, vazou um áudio de uma reunião com Xi Jinping e Vladimir Putin em que Lula teria dito que o Brasil não pode mais aceitar pressão americana e que os países do sul global precisam se unir contra a hegemonia dos Estados Unidos.
Ao receber essa informação, Trump explodiu. Na coletiva, chamou Lula de “duas caras” e “traidor”, acusou-o de se curvar à China e à Rússia e anunciou tarifas devastadoras sobre todas as importações brasileiras.
Em seguida, publicou no Truth Social uma montagem com a bandeira do Brasil de cabeça para baixo, afirmando que o país escolheu comunismo em vez de liberdade.
A resposta de Lula veio poucas horas depois. Visivelmente irritado, declarou que o Brasil é soberano e não se curva a ninguém.
Disse que as tarifas são ilegais perante a OMC e anunciou retaliação imediata: o Brasil também imporá tarifas de 100% sobre produtos americanos, oferecendo contratos para Europa e Ásia.
Lula afirmou que não foi eleito para ser submisso, mas para defender a soberania brasileira, e que se a economia sofrer, a culpa será de quem declarou guerra comercial.
Enquanto Brasil e Estados Unidos entram em rota de colisão, o mundo observa com atenção. Para Trump, trata-se de reafirmar a hegemonia americana. Para Lula, é a defesa de um mundo multipolar, onde países emergentes têm voz.
A crise, iniciada com um acordo comercial com a China, tornou-se um teste definitivo dessa disputa global. A China já se posicionou, afirmando que qualquer tentativa de coerção econômica contra o Brasil será vista como agressão ao princípio de comércio livre e justo.
A China está preparada para aumentar significativamente as importações brasileiras para compensar qualquer perda de mercado americano. Em outras palavras, os chineses afirmam que vão comprar tudo o que os Estados Unidos deixarem de adquirir e pagar bem por isso.
Essa posição reduz parte da pressão econômica sobre o Brasil, mas cria outro problema: o país passa a ser forçado a escolher um lado, e Trump sabe disso. Sua estratégia é clara: isolar o Brasil, forçar Lula a recuar e mostrar ao mundo que desafiar os Estados Unidos traz consequências.
Lula, por sua vez, aposta que Trump não vai aguentar a pressão interna, já que tarifas de 100% sobre produtos brasileiros vão aumentar o custo de vida nos Estados Unidos.
Café, carne e suco de laranja ficarão mais caros ou até escassos, e com eleições se aproximando, Trump pode não se dar ao luxo de irritar o eleitor americano com inflação alta por causa de uma disputa com o Brasil.
O cenário é um impasse clássico: dois líderes com ego elevado, nenhum disposto a recuar, e economias inteiras sendo usadas como arma.
Enquanto isso, empresários brasileiros entram em pânico. A Federação das Indústrias de São Paulo pediu diálogo urgente, o agronegócio está apreensivo e consumidores americanos também sentirão os efeitos no bolso.
Mas política não é feita apenas de lógica econômica, e sim de orgulho, ego e poder. Neste momento, Trump e Lula parecem mais preocupados em não parecer fracos do que em proteger suas economias.
Analistas internacionais estão divididos. Alguns acreditam que em poucos dias um dos dois recuará, outros avaliam que a crise pode durar meses e causar danos permanentes às relações entre Brasil e Estados Unidos. Há quem diga que isso pode empurrar o Brasil definitivamente para o campo chinês, encerrando décadas de parceria com os americanos.
Amanhã, a Organização Mundial do Comércio receberá duas queixas simultâneas: uma do Brasil contra os Estados Unidos e outra dos Estados Unidos contra o Brasil, ambos alegando tarifas ilegais. O processo pode levar anos, mas até lá as tarifas continuam.
O Congresso americano está dividido: republicanos apoiam Trump incondicionalmente, enquanto democratas criticam a medida, dizendo que é irresponsável e prejudica trabalhadores americanos.
No Brasil, a oposição acusa Lula de provocar desnecessariamente os Estados Unidos, enquanto seus apoiadores defendem que ele está certo em não se submeter. A população brasileira, por sua vez, teme pelo futuro imediato, sem saber se haverá emprego no próximo mês.
Resumindo: Trump humilhou Lula publicamente, chamou-o de traidor e anunciou tarifas de 100% sobre produtos brasileiros. Lula respondeu na mesma moeda, impondo tarifas sobre produtos americanos e reafirmando que não se curva a ninguém.
A China ofereceu compensar as perdas brasileiras, e o mundo inteiro assiste ao que pode ser o início de uma nova ordem econômica global.
As próximas horas serão cruciais: se nenhum dos dois recuar, a escalada será inevitável, com mais tarifas, retaliações e até sanções diplomáticas.
Empresas podem começar a demitir, produtos podem desaparecer das prateleiras e a guerra comercial, que parecia apenas uma ameaça, se tornará realidade.


