top of page

Doutrina Monroe 2.0  — Trump, CIA e a nova intervenção dos EUA na América do Sul

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 3 dias
  • 6 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: CIA CHEGOU NO BRASIL E SE REUNIU COM PF! REUNIÃO SECRETA? OU PRESSÃO? TRUMP AVANÇA EM FOCO.

Um jato cargueiro da Força Aérea Americana pousou no Brasil e foi confirmada a chegada de agentes da CIA para uma reunião sigilosa com o alto comando da Polícia Federal. Isso representa a confirmação da doutrina norte-americana também dentro do Brasil. Mas para que fim serviu essa reunião?


Para quem ainda não sabe o que é essa doutrina, vou explicar de forma breve. Os Estados Unidos estão determinados a defender pela força militar todos os países da América do Sul, expulsando regimes autoritários e a presença chinesa. A Doutrina Monroe, proclamada em 1823 pelo presidente James Monroe, estabeleceu os princípios fundamentais da política externa dos Estados Unidos em relação ao hemisfério ocidental. Ela declarava que as Américas eram uma esfera de influência exclusiva dos EUA, proibindo novas colonizações ou intervenções por potências europeias, sob pena de serem consideradas atos hostis.


Ao longo dos séculos, essa doutrina evoluiu, ganhando corolários como o de Theodore Roosevelt em 1904, que justificava intervenções diretas para policiar nações instáveis. No contexto atual, sob o segundo mandato de Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025, a Doutrina Monroe foi revitalizada e adaptada às rivalidades geopolíticas contemporâneas, especialmente contra a expansão chinesa. Trump, em discursos como o de sua posse, referiu-se a uma “Doutrina Monroe 2.0” ou informalmente “Doutrina Don R”, enfatizando a restauração da preeminência dos Estados Unidos na América Latina e Caribe.


Essa agenda visa não apenas controlar ameaças transnacionais, como narcotráfico, terrorismo e migração irregular, mas também dominar recursos estratégicos como petróleo, minerais raros e rotas comerciais, enquanto diminui a influência de rivais externos. Críticos, incluindo acadêmicos como Noam Chomsky, argumentam que isso representa um neointervencionismo, violando princípios de soberania e multilateralismo estabelecidos na Carta da OEA e na ONU, potencializando conflitos regionais e alienando aliados.


A implementação dessa estratégia começou de forma dramática com a intervenção na Venezuela. Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram a operação “Resolução Absoluta”, uma ação militar surpresa envolvendo forças especiais da Marinha e drones da Força Aérea. Os alvos incluíram o Palácio de Miraflores em Caracas e bases militares em Maracai, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro, de sua esposa Silia Flores e de altos oficiais do regime. Maduro foi imediatamente extraditado para Nova York, onde enfrenta acusações federais de narcoterrorismo, lavagem de dinheiro e conspiração para importar toneladas de cocaína via cartéis colombianos e mexicanos.


Trump, em coletiva de imprensa no dia seguinte, justificou a operação como defesa hemisférica necessária, invocando a Doutrina Monroe para argumentar que regimes falidos como o da Venezuela ameaçam a estabilidade regional, facilitando infiltrações chinesas e russas. A ação causou pelo menos 47 mortes confirmadas, incluindo civis em áreas residenciais atingidas por bombardeios colaterais, e levou à detenção de assessores cubanos presentes, escalando tensões com Havana. Internacionalmente, a China condenou a intervenção como agressão imperialista, enquanto a Rússia ameaçou retaliações cibernéticas.


Na América do Sul, as reações variaram. Governos conservadores, como o da Argentina, expressaram apoio tácito, vendo oportunidades para explorar as vastas reservas de petróleo venezuelano sob a administração provisória dos Estados Unidos. Já organizações como a UNAS, revivida em 2025, emitiram resoluções de repúdio, destacando violações ao direito internacional.


Prosseguindo na agenda, Trump estendeu pressões a outros países, com foco em reduzir parcerias estratégicas com a China, que investiu bilhões na iniciativa Cinturão e Rota, financiando portos, estradas e minas em toda a região. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro, ex-guerrilheiro e crítico vocal de Trump, tornou-se alvo prioritário após diversas declarações públicas acusando o líder americano de neocolonialismo. Petro comparou Trump a um ditador imperial em discursos na ONU e em cúpulas regionais, criticando sanções unilaterais e ameaças de intervenção.


Em resposta, Trump impôs sanções pessoais a Petro e sua família, congelando ativos nos Estados Unidos, e acusou o governo colombiano de conivência com as FARC remanescentes e cartéis de cocaína. Em entrevista à Fox News em 5 de janeiro de 2026, Trump afirmou que invadir a Colômbia “soa como uma boa ideia” para desmantelar laboratórios de drogas, evocando imagens de operações passadas como a invasão do Panamá em 1989. Petro, por sua vez, mobilizou as Forças Armadas para a fronteira com a Venezuela e organizou protestos massivos em Bogotá, equiparando as ameaças ao bombardeio de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola.


Pressões Hemisféricas: Trump, CIA e a disputa por influência na América Latina


Uma ligação telefônica entre os dois líderes em 7 de janeiro indicou tentativas de desescalada, com Petro concordando em intensificar operações antinarcóticos conjuntas, possivelmente cedendo à pressão para limitar investimentos chineses em projetos como o metrô de Bogotá e minas de níquel. No México, as ameaças foram ainda mais diretas, focando na crise do fentanil, que Trump atribui a precursores químicos importados da China via portos mexicanos. Em tweets e discursos, Trump ameaçou ataques terrestres cirúrgicos contra laboratórios de cartéis em Sinaloa e Michoacán, propondo uma zona de exclusão na fronteira.


Sob pressão de tarifas impostas em 2025 sobre exportações mexicanas de automóveis e agricultura, o governo de Cláudia Shinba cedeu, assinando acordos bilaterais para maior cooperação em imigração, incluindo o uso de tecnologia americana para monitoramento de fronteiras. Isso incluiu a redução de importações chinesas em telecomunicações e infraestrutura, como a rede 5G da Huawei, que foi parcialmente desmantelada.


Cuba, isolada economicamente, enfrentou ameaças semelhantes. Trump cortou remessas familiares e ameaçou um bloqueio naval ampliado, declarando que o regime castrista estava pronto para cair como um castelo de cartas. Havana respondeu com denúncias na ONU, acusando os Estados Unidos de terrorismo de Estado, mas sinais de cedência apareceram em negociações secretas para limitar bases russas e chinesas na ilha, incluindo a estação de espionagem em Lords.


Todas essas pressões visam forçar nações sul-americanas a realinhar suas economias e políticas externas, priorizando os Estados Unidos como parceiro principal. A China, com investimentos que ultrapassam 140 bilhões de dólares na região desde 2000, representa o principal rival, controlando portos como o de Shankai no Peru e minas de lítio no triângulo do lítio (Argentina, Bolívia e Chile). Trump argumenta que esses laços facilitam espionagem e “armadilhas de dívida”, justificando sanções secundárias contra empresas que negociam com Pequim.


O Brasil, como maior economia sul-americana, não foi exceção. Em 2025, Trump aplicou sanções, retaliações comerciais e tarifas elevadas sobre exportações brasileiras de soja, carne e minério de ferro, alegando desequilíbrios comerciais e perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.


Houve também a suspensão do status de aliado estratégico em acordos como o GSP. Inicialmente, o governo brasileiro sob o presidente Lula resistiu, fortalecendo laços com os BRICS e a China, maior parceiro comercial do Brasil. No entanto, pressões econômicas, incluindo a ameaça de boicotes a produtos amazônicos, levaram a uma guinada pragmática. Em 2026, as relações se aproximaram com acordos para joint ventures em energia renovável e defesa.


Um marco recente foi a visita, em 28 de janeiro de 2026, do vice-diretor da Agência Central de Inteligência, Michael Ellis, à Polícia Federal em Brasília. Ellis, ex-conselheiro de Trump e especialista em direito de segurança nacional, reuniu-se com o diretor-geral Andrei Rodrigues e delegados como William Murad (diretor executivo), Leandro Almada (inteligência policial), Felipe Seixas (cooperação internacional) e Rafael Caldeira (contrainteligência).


A agenda oficial destacou o intercâmbio de informações contra ameaças transnacionais, como cybercrimes e narcotráfico, mas fontes indicam discussões sobre contrainteligência contra infiltrações chinesas em setores como 5G e mineração. Fotos da reunião mostraram trocas de presentes simbólicos, como emblemas de agências, enfatizando o papel estratégico do Brasil no continente.


Essa doutrina norte-americana sobre a América do Sul busca estabilidade hemisférica favorável aos interesses dos Estados Unidos, mas ignora aspirações locais por multipolaridade e desenvolvimento autônomo.


Para o Brasil, equilibrar Washington e Pequim é vital. Laços com a China impulsionam exportações e investimentos em infraestrutura, como a ferrovia Norte-Sul, mas pressões americanas podem forçar concessões em soberania, como maior acesso a bases militares ou restrições a tecnologias chinesas.


O risco é uma polarização regional, com governos de esquerda, como os da Bolívia e Chile, resistindo via alianças com Pequim e Moscou, enquanto conservadores, como no Paraguai e Uruguai, se alinham aos Estados Unidos.


No longo prazo, essa estratégia pode isolar os Estados Unidos, incentivando nações sul-americanas a diversificar parcerias com a União Europeia, Índia ou África, promovendo uma verdadeira autonomia. Analistas preveem que, sem diálogo genuíno, o corolário Trump pode reviver fantasmas de intervenções passadas, como as na Guatemala em 1954 ou no Chile em 1973, minando a credibilidade global dos Estados Unidos em uma era de declínio relativo.





 
 
bottom of page