Embargo a Cuba e Tropas no Paraguai: A Nova Doutrina Monroe na América Latina
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 5 dias
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter com @canalmilitarizandoomundo
Donald Trump acaba de autorizar um bloqueio total contra Cuba com o objetivo de estrangular e derrubar o regime comunista cubano, em linha com as diretrizes da doutrina Monroe.
Ao mesmo tempo, a mídia brasileira demonstra preocupação com a presença norte-americana na fronteira do Brasil com o Paraguai, que se estenderá até próximo das eleições presidenciais brasileiras.
O presidente dos Estados Unidos intensificou de forma agressiva a pressão sobre Cuba ao assinar uma ordem executiva que declara o país uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional americana.
A medida impõe tarifas elevadas sobre importações provenientes de qualquer nação que exporte petróleo para a ilha, criando um bloqueio efetivo ao fornecimento de combustível.
Durante o anúncio, Trump afirmou que Cuba não conseguirá sobreviver e classificou o regime como uma nação falida, responsabilizando diretamente as autoridades cubanas pelo sofrimento prolongado do povo.
Essa ofensiva representa o golpe econômico mais duro contra Cuba desde o embargo imposto por John Kennedy após a revolução liderada por Fidel Castro, quando refinarias americanas foram nacionalizadas e os Estados Unidos retaliaram com restrições comerciais.
Décadas depois, a lei Helms-Burton ampliou o isolamento, permitindo ações judiciais contra empresas que negociassem propriedades confiscadas.
Cuba, como membro fundador e influente do Foro de São Paulo, sempre foi vista por Washington como polo ideológico da esquerda latino-americana. Trump deixou claro que sua estratégia vai além de Cuba e visa desmantelar sistematicamente regimes de esquerda considerados ameaças diretas aos interesses americanos na região.
Sua administração busca cortar fontes de financiamento desses governos, especialmente através do petróleo subsidiado da Venezuela, além de enfraquecer alianças com países como Rússia e Irã.
Analistas apontam que essa abordagem atualiza a doutrina Monroe, priorizando o domínio do hemisfério ocidental contra a influência chinesa e russa.
Paralelamente, a chegada de tropas de elite dos Estados Unidos ao Paraguai gerou forte preocupação em setores da mídia brasileira.
Um avião militar desembarcou em Assunção carregado com armas e equipamentos, trazendo militares das forças especiais americanas para uma missão de treinamento junto ao exército paraguaio.
A operação foi aprovada pelo Congresso local e integra programas de combate ao terrorismo, ao crime organizado e às atividades ilícitas na tríplice fronteira.
Os Estados Unidos anunciaram investimentos para modernizar essas forças, mas a presença militar até o período eleitoral brasileiro alimenta temores de vigilância e pressão indireta sobre o processo democrático.
O pleito coloca Lula em busca de um novo mandato contra Flávio Bolsonaro, em um cenário de disputa acirrada. Lula já expressou preocupação com possível interferência americana e planeja discutir o tema em reunião com Trump na Casa Branca.
Essa posição remete ao histórico de pressão diplomática exercida por autoridades americanas em eleições anteriores, quando alertaram sobre riscos de isolamento internacional caso houvesse ruptura institucional no Brasil.
Em resumo, o estrangulamento econômico de Cuba e a presença militar americana no Paraguai ilustram uma estratégia coordenada dos Estados Unidos para enfraquecer regimes de esquerda na região, especialmente às vésperas de eleições decisivas no Brasil.
Esses movimentos revelam uma abordagem multifacetada da administração Trump para reconfigurar o mapa político da América Latina, priorizando a erradicação de influências esquerdistas que desafiam a hegemonia americana.
No caso de Cuba, o bloqueio ao petróleo não é apenas uma sanção econômica, mas uma tática de asfixia estratégica que explora vulnerabilidades históricas, como a dependência de importações energéticas desde o colapso da União Soviética.
Já a missão no Paraguai, embora oficializada como treinamento antiterrorismo, serve como projeção de poder na fronteira sul do Brasil, coincidindo com o calendário eleitoral e potencializando narrativas de interferência.
No contexto mais amplo, ambos os movimentos fortalecem uma versão atualizada da doutrina Monroe, contrapondo-se ao Foro de São Paulo e promovendo aliados liberais na região.
Contudo, também arriscam escalar tensões com o Brasil e outros países, destacando os limites da diplomacia coercitiva em um mundo multipolar influenciado por China e Rússia.


