GEOPOLÍTICA — Minérios Estratégicos e a Nova Geopolítica Americana
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 24 horas
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter com @canalmilitarizandoomundo
O cenário geopolítico do continente americano está mudando e o Brasil ocupa o centro desse novo tabuleiro global.
Uma movimentação militar crescente dos Estados Unidos no Caribe e na América Latina acendeu alertas diplomáticos na região.
Navios de guerra, fuzileiros navais e bases reforçadas indicam que Washington não está apenas observando, mas se reposicionando estrategicamente.
Por trás dessa presença militar existe um interesse ainda mais profundo: os minerais brasileiros que movem a tecnologia do século XXI — nióbio, lítio, terras raras e grafite de alta pureza — tornaram-se peças-chave na disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das cadeias globais de produção.
Essa corrida por recursos naturais não afeta apenas governos e indústrias de defesa, mas pode mexer diretamente com o valor do dólar, com a geração de empregos no Brasil e com o rumo da nossa economia nos próximos anos.
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, iniciou desde o final de 2025 uma escalada militar significativa no Mar do Caribe e em áreas próximas à América Latina.
Embora o número exato de militares seja debatido em círculos de inteligência, a mobilização confirmada já envolve milhares de fuzileiros navais, marinheiros e o envio de grupos de navios de guerra, incluindo porta-aviões e submarinos nucleares.
Washington afirma que o objetivo é combater o narcoterrorismo e os cartéis de drogas que operam na região. No entanto, países vizinhos, incluindo o Brasil, acompanham o movimento com preocupação, vendo-o como uma demonstração de força que pode servir para pressionar governos adversários, como o da Venezuela.
Recentemente foi aprovado um plano de 1,5 bilhão de dólares para obras em bases navais no Oceano Pacífico, sinalizando que a presença militar americana na região não é temporária, mas uma mudança de foco estratégico da Ásia para o próprio continente americano.
Nesse contexto, o Brasil se tornou peça central na nova estratégia industrial dos Estados Unidos, cujo objetivo é quebrar o domínio da China sobre os materiais necessários para a tecnologia moderna.
Atualmente, o mercado chinês controla a maior parte do refino e fornecimento de minerais essenciais, como nióbio, lítio e terras raras, usados em baterias de carros elétricos, celulares e armamentos.
Para reduzir essa dependência, o governo Trump lançou o “Project Volt”, um fundo bilionário para estocar minerais estratégicos.
O Brasil, que possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo e é o principal produtor de nióbio, surge como parceiro ideal para os americanos evitarem o risco de um corte de suprimentos por parte de Pequim.
Há também um diálogo diplomático para criar um grupo de trabalho entre os dois países focado exclusivamente na exploração mineral. O governo brasileiro tenta equilibrar o interesse americano com a soberania nacional, buscando não apenas exportar o minério bruto, mas também atrair fábricas que agreguem valor a esses materiais em solo brasileiro.
Entre os minerais estratégicos na mira de Washington estão:
• Nióbio, essencial para ligas de aço resistentes e leves, fundamentais em motores de aviões, foguetes e mísseis.
• Lítio, o “petróleo branco”, componente principal das baterias de íon-lítio, chave para carros elétricos e armazenamento de energia renovável.
• Terras raras, usadas na fabricação de ímãs superpotentes presentes em turbinas eólicas, sistemas de mísseis guiados e computadores quânticos.
• Grafite de alta pureza, indispensável para baterias de alta performance, com os EUA financiando projetos de mineração no Brasil para garantir abastecimento.
A presença militar americana também serve como escudo de proteção para as rotas comerciais, sinalizando que Washington pretende garantir o transporte desses minérios pelo Atlântico sem interferência de potências rivais.
Essa corrida pelos minerais brasileiros não é apenas uma questão de amizade entre países, mas um movimento econômico pesado que mexe diretamente com o bolso do brasileiro e com a estrutura da nossa economia.
A compra em larga escala de minérios pelos Estados Unidos pode impactar o valor do dólar, reduzir a inflação ao baratear produtos importados e combustíveis, além de injetar bilhões na economia brasileira.
Estados como Minas Gerais, Goiás e Amazonas devem ver aumento na arrecadação de impostos e royalties, permitindo maiores investimentos em infraestrutura local, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.
Brasil entre a Oportunidade e o Risco: Minérios Estratégicos e o Futuro da Economia Nacional
O grande desafio e a grande oportunidade para o Brasil agora é não se tornar apenas um buraco no chão para os americanos.
Se o país negociar bem, pode exigir que o refino desses minerais seja feito em território nacional.
Isso criaria empregos qualificados, exigindo engenheiros, técnicos e químicos, em vez de apenas mão de obra voltada para a extração bruta.
Esse movimento abre espaço para o desenvolvimento de novos polos econômicos. Regiões antes esquecidas, como o Vale do Jequitinhonha, estão sendo transformadas em centros tecnológicos praticamente da noite para o dia, o que movimenta o comércio local, hotéis e o setor de serviços.
Mas há também riscos. Economistas alertam para a chamada “doença holandesa”: se o Brasil focar demais apenas na exportação desses minérios, porque o lucro é fácil e rápido, outros setores — como a indústria de eletrônicos ou de tecidos — podem acabar enfraquecendo.
O país correria o risco de ficar excessivamente dependente de um único setor, tornando a economia vulnerável caso os preços desses minerais caiam no futuro.


