Operação Domino: investigação italiana liga financiamento do Hamas ao Brasil
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- há 1 dia
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter e @mundoemfoco_noticias
A Itália deflagrou uma operação antiterrorista que pode atingir diretamente o Brasil. O nome da operação é Domino.
A polícia e a guarda de finanças prenderam nove pessoas e colocaram três associações humanitárias sob investigação, acusadas de enviar cerca de milhões de euros ao Hamas por meio de ONGs de fachada. Tudo está sendo apurado pela promotoria antimáfia e antiterrorismo de Gênova.
No centro da trama está Mohammed Hanum, chefe de uma associação palestina na Itália. Segundo os procuradores, ele é visto como vértice da célula italiana do Hamas, que por duas décadas montou um sistema de coleta e remessa de dinheiro disfarçado de doações para Gaza.
Até aqui, parece apenas mais um caso europeu de financiamento ao terrorismo, mas há um nome que conecta essa história diretamente ao Brasil: Ângela Lano.
Lano é jornalista italiana e diretora da agência Infopal. Sua casa foi vasculhada pela Digos, o departamento da Polícia de Estado especializado em terrorismo.
Ela está formalmente investigada por participação em terrorismo, acusada de propaganda e de ter recebido centenas de milhares de euros de uma empresa ligada a Hanum.
O Brasil aparece porque, segundo a revista Panorama e documentos oficiais do Parlamento italiano, Ângela Lano abriu em março de 2023 uma empresa chamada Infopal em Salvador, na Bahia, e fechou a sociedade em novembro do mesmo ano. Foi um CNPJ relâmpago, registrado como empresa de publicação de jornais e sites.
A mesma Infopal que na Itália é apontada como peça de propaganda ligada ao Hamas teve uma versão gêmea criada e encerrada rapidamente no Brasil.
Isso levantou suspeitas a ponto de deputados italianos apresentarem uma interrogação formal ao ministro do Interior, Matteo Piantedosi, pedindo cooperação com as autoridades brasileiras para rastrear o que aconteceu com a Infopal da Bahia.
Questionam por que essa empresa foi aberta em Salvador e que tipo de movimentação financeira passou por ela. Assim, o Brasil entrou oficialmente no radar de uma investigação antiterrorista europeia ligada ao financiamento do Hamas.
Além disso, reportagens mostram que o ecossistema da Infopal dialoga diretamente com figuras conhecidas no Brasil, como Sayid Marcos Tenório, vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina.
Documentos da Polícia Federal, na operação Trapiche, apontam que Tenório apareceu em chats e relatórios de inteligência sobre uma célula do Hezbollah planejando ataques contra alvos israelenses no Brasil.
Reportagens brasileiras também o descrevem como lobista do Irã e do Hezbollah, com longa carreira remunerada no Congresso Nacional, assessorado por partidos de esquerda e articulando aproximações com Teerã.
O quadro é preocupante: a Itália desmonta uma rede milionária para o Hamas, prende pessoas e bloqueia bens. Entre os investigados está Ângela Lano, acusada de propaganda e financiamento, que abriu uma empresa em Salvador.
O Parlamento italiano quer saber que dinheiro passou por ali. Ao redor dela surgem nomes já citados em investigações da Polícia Federal sobre o Hezbollah no Brasil.
Não se trata de teoria da conspiração. Está em autos judiciais, documentos parlamentares, relatórios da PF e reportagens da imprensa italiana e argentina. A pergunta é: onde estão as autoridades brasileiras? Até agora, nenhum grande órgão de imprensa no Brasil tratou o caso com a profundidade necessária, e o governo permanece em silêncio.
Não há prova pública de que a Infopal da Bahia enviou dinheiro ao Hamas, mas há uma investigação em curso na Itália, um pedido formal de cooperação, uma empresa criada e fechada em tempo recorde por uma investigada por terrorismo e nomes brasileiros já citados em inquéritos.
O mínimo que se espera é que a Polícia Federal e o Ministério da Justiça digam se receberam o pedido da Itália e o que estão fazendo.
Que o Itamaraty explique que tipo de diálogo mantém com as organizações e pessoas citadas. E que a sociedade brasileira saiba se o país está sendo usado como plataforma de propaganda, lavagem ou logística para grupos ligados ao Hamas e ao Hezbollah.
O Irã já usa a Venezuela e a Argentina como nós estratégicos. Agora, investigações indicam que o Brasil também entrou nesse mapa. Isso impacta diretamente nossa segurança, política externa e relações com Estados Unidos, Israel e Europa.


