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Zona de paz ou zona de crise? O discurso de Lula e Putin sobre a Venezuela

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Após a ação dos Estados Unidos contra Maduro, Lula conversa com Putin e critica a operação na Venezuela.


A conversa entre Lula e Vladimir Putin ocorre em um momento em que a região enfrenta uma ruptura institucional profunda, causada não por pressões externas isoladas, mas por anos de autoritarismo, repressão e colapso econômico sob o regime de Nicolás Maduro.


Enquanto o discurso oficial tenta enquadrar os acontecimentos como agressão dos Estados Unidos, os fatos revelam um cenário diferente: um país transformado em base de grupos armados, envolvido com narcotráfico internacional e responsável por uma das maiores crises humanitárias do planeta.


Lula, Putin e a crise venezuelana: soberania ou cumplicidade?


Nesse contexto, a ação dos Estados Unidos surge como resposta direta a um regime que perdeu legitimidade interna e externa, ignorando eleições livres, perseguindo opositores e mantendo poder por meio da força.


A postura de Lula, ao se alinhar retoricamente a Putin, levanta questionamentos sobre qual lado da história o Brasil escolhe ocupar quando confrontado com ditaduras que já não escondem sua natureza autoritária.


O discurso de zona de paz defendido por Lula e Putin soa desconectado da realidade venezuelana, onde a paz foi substituída pelo medo, pela escassez e pelo êxodo em massa de milhões de pessoas. Falar em soberania, nesse caso, significa fechar os olhos para um governo que sequestrou o próprio Estado e passou a usá-lo contra a população.


A Rússia, ao apoiar Maduro, mantém um padrão já conhecido de sustentação a regimes autoritários como instrumento de influência geopolítica. O Brasil, ao ecoar essa narrativa, enfraquece sua tradição diplomática de defesa da democracia e dos direitos humanos.


A ação dos Estados Unidos, ao contrário do que afirmam seus críticos, se insere em uma lógica de contenção de ameaças regionais e de pressão direta contra um regime que já havia rompido todos os limites institucionais aceitáveis.


Quando Putin e Lula falam em fortalecer o papel da ONU e do Brics, o contraste entre discurso e prática se torna ainda mais evidente. A Venezuela de Maduro ignorou sistematicamente resoluções internacionais, relatórios de direitos humanos e apelos por eleições transparentes.


Entre Washington e Moscou: o posicionamento do Brasil diante de Maduro


A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança, utilizou repetidamente seu poder para blindar aliados estratégicos, independentemente das violações cometidas. Já os Estados Unidos, ao agir de forma direta, sinalizam que certos comportamentos estatais não podem ser normalizados em nome de um multilateralismo vazio.


A mensagem é clara: regimes que sequestram a democracia, sustentam redes criminosas e desestabilizam regiões inteiras não podem se esconder indefinidamente atrás de discursos jurídicos enquanto aprofundam o caos interno e externo.


A crítica de Lula à ação americana como violação do direito internacional ignora um ponto central: o direito internacional também é violado quando governos reprimem brutalmente seu povo, fraudam eleições e transformam território nacional em plataforma de ameaças transnacionais.


Soberania, ditaduras e geopolítica: o dilema diplomático de Lula


O argumento da lei do mais forte perde força quando aplicado a um cenário em que o mais forte, na prática, sempre foi o regime armado contra uma população desarmada. A intervenção dos Estados Unidos é apresentada como um divisor de águas, mostrando que a impunidade não é infinita.


Para muitos países da região, essa ação representa um recado direto a líderes que acreditam que alianças ideológicas e retóricas antiamericanas são suficientes para garantir sobrevivência política eterna.


Ao optar por dialogar com Putin e criticar os Estados Unidos, Lula se distancia de setores que veem na ação americana uma tentativa concreta de restaurar limites claros contra ditaduras consolidadas.


Maduro simboliza o modelo de poder baseado no controle, na censura e na dependência de aliados externos autoritários. Putin representa a expansão desse modelo em escala global.


Os Estados Unidos, com todos os seus interesses estratégicos, assumem neste episódio o papel de confrontar diretamente esse eixo, reforçando que estabilidade não se constrói protegendo regimes falidos, mas impondo custos reais a quem viola regras básicas de convivência internacional.


O debate, portanto, não é sobre agressão, mas sobre até quando o mundo aceitará que ditaduras se escondam atrás da palavra soberania para perpetuar opressão e instabilidade.






 
 
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