Alerta: fraude com maquininha que captura senha se espalha no Brasil e ameaça consumidores
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 2 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Adauto Jornalismo Policial*
Golpe com maquininha que rouba senha se espalha pelo Brasil: atenção redobrada para evitar prejuízos

Uma investigação da Polícia Civil do Paraná revela a expansão de um sofisticado golpe envolvendo maquininhas de cartão manipuladas por quadrilhas. A fraude, que já foi identificada também em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, consiste em dispositivos que capturam a senha digitada pela vítima e a transmitem imediatamente aos criminosos por bluetooth, informa a Folha de S.Paulo.
A dinâmica do crime é cada vez mais comum nas ruas: golpistas se passam por ambulantes ou motoristas de aplicativo, convencem a vítima a inserir o cartão na máquina e digitá-lo, e em seguida trocam o cartão por outro semelhante. Em posse do cartão original e da senha, os criminosos passam a fazer compras de alto valor em diversos estabelecimentos.
Caso em Curitiba revela gravidade do golpe
Na capital paranaense, a Delegacia de Estelionato já apreendeu várias dessas máquinas adulteradas. Segundo o delegado Emmanoel David, três pessoas foram presas — todas com antecedentes por estelionato e oriundas de São Paulo. Ele alerta que o golpe está se diversificando: além de ambulantes na saída de eventos, falsos motoboys fazem entregas de presentes no dia do aniversário da pessoa e pedem para ela pagar apenas o frete.
Durante esse processo, segundo ele, o suposto entregador alega falha na senha ou na conexão, troca a maquininha e, nesse momento, substitui o cartão da vítima. A senha digitada é transmitida na hora para a quadrilha, afirma David.
Jornalista perdeu R$ 28 mil após comprar camiseta
A jornalista Maigue Gueths, de Curitiba, foi vítima do esquema após tentar comprar camisetas de um ambulante na saída de um show. “Ele pegou a máquina com meu cartão e disse que não deu certo, que precisaria passar na máquina da colega. Foi muito rápido. Eu nem conferi, o cartão era igual ao meu”, contou.
A fraude só foi percebida na manhã seguinte, quando ela notou que estava com um cartão de outra pessoa e a senha havia sido bloqueada. Ao verificar os gastos, descobriu compras que totalizavam R$ 28 mil em um único dia — incluindo uma única transação de R$ 8,9 mil, além de despesas em postos de combustíveis, lojas de roupas, mercados e até barracas de churros.
“Como um cliente gasta R$ 10 mil de uma vez e ninguém avisa? As notificações estão todas ativadas, mas continuo não recebendo no celular, só no aplicativo, que nem sempre abro”, criticou.
Casos se multiplicam no Sudeste e Sul do país

O Departamento de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo já identificou nove vítimas e quatro novos suspeitos. Foram apreendidas 17 máquinas adulteradas e diversos cartões bancários, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública do estado.
No Rio Grande do Sul, um torcedor foi vítima ao comprar um lanche na saída de um jogo de futebol. Segundo o delegado Filipe Bringhenti, do departamento de crimes cibernéticos, os criminosos clonaram seu cartão e iniciaram compras que superaram R$ 8 mil.
Santa Catarina também confirmou registros de crimes semelhantes, embora as autoridades locais ainda não tenham fornecido detalhes adicionais.
O médico Thales Bretas, viúvo do humorista Paulo Gustavo, relatou à TV Globo ter sido enganado por um falso taxista no Rio de Janeiro e teve seu cartão clonado em situação parecida.
Reembolso é desafio - De acordo com o advogado Frederico Glitz, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os bancos normalmente se recusam a devolver os valores alegando que as compras foram feitas com a senha pessoal do cliente. "Nos contratos, a senha é intransferível, então o banco entende que existe uma transação autorizada, sem possibilidade de ressarcimento", explicou.
No entanto, ele ressalta que há decisões judiciais obrigando os bancos a ressarcir quando os gastos se mostram completamente fora do perfil do cliente.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou que cada instituição adota uma política própria para reembolso, com base em análise de cada caso. A entidade destacou ainda que os bancos investiram R$ 4,2 bilhões em cibersegurança em 2024 e estimam aplicar R$ 4,7 bilhões neste ano.
Golpes digitais em crescimento no Brasil

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que os crimes digitais dispararam no país. Em 2023, foram 281,2 mil registros de golpes eletrônicos — um aumento de 17% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados 222,7 mil casos. A elevação é mais que o dobro da taxa dos estelionatos em geral, que subiram 7,8% no mesmo período.
O relatório aponta, ainda, que a tipificação específica para estelionatos digitais só foi incluída na legislação em 2021. Isso tem dificultado a separação desses registros de outros tipos de fraude nos sistemas das polícias estaduais.
Como se proteger: dicas de especialistas
Para reduzir os riscos, o delegado Emmanoel David e o advogado Frederico Glitz recomendam que o consumidor:
Ative notificações de transações por SMS ou WhatsApp;
Reduza o limite do cartão para compras diárias;
Nunca entregue o cartão a terceiros, mantendo-o sempre à vista;
Desconfie de maquininhas que não aceitam aproximação ou com visor quebrado;
Confira se o cartão devolvido é realmente o seu;
Não aceite justificativas como “falta de sinal” sem verificar pessoalmente;
Contrate seguros contra roubo de cartão, desde que cubram esse tipo de golpe — alguns não incluem fraudes por senha digitada.
Em caso de golpe, é essencial bloquear imediatamente o cartão, registrar boletim de ocorrência online e acionar o banco para contestação dos débitos. Se necessário, a vítima pode procurar o Procon ou recorrer ao Judiciário.
* Com recursos de Inteligência Artificial
REFERÊNCIAS:


