Avenida Guarapari — um retrato da desordem urbana e seus múltiplos impactos
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 1 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 3 de set. de 2025

Adauto Jornalismo Policial*
A audiência pública realizada na manhã de hoje, 1º de setembro na Câmara Municipal de Belo Horizonte trouxe à tona um problema que transcende o desconforto pontual: os episódios recorrentes de festas clandestinas, brigas, poluição sonora e desordem urbana na Avenida Guarapari, no bairro Santa Amélia, revelam uma crise multifacetada que envolve dimensões sociais, econômicas e de segurança pública.
Diagnóstico do problema
A região, marcada pela alta concentração de bares e estabelecimentos noturnos, tornou-se palco de conflitos entre o direito ao lazer e o direito ao sossego.
Moradores relatam prejuízos diretos à saúde mental, à segurança e à valorização imobiliária.
Atirou em agentes da Lei, oficiais de justiça, policiais ou outra autoridade legal, portou drogas ilícitas, danificou bem público, é tratado aqui como narcoterrorista.
O som alto até as 4h da manhã, o uso de drogas, a presença de fezes e urina nas vias públicas e os episódios de violência são sintomas de um ambiente urbano desregulado.
Bernardo Marra, representante da Associação dos Moradores, sintetiza o impacto:
“A poluição sonora impacta o sono, a saúde mental e a produtividade das pessoas. Os imóveis estão desvalorizados, comércios sofrem com fezes, urina, pinos de cocaína e garrafas quebradas.”
Desafios institucionais
Apesar das ações constantes da Prefeitura e das forças de segurança, a eficácia das medidas é comprometida por estratégias evasivas dos estabelecimentos, como a troca frequente de CNPJ para evitar sanções.
Segundo o subsecretário José Mauro Gomes, cerca de 20% das ocorrências em BH estão relacionadas à poluição sonora, e os problemas se concentram em poucos estabelecimentos — entre 3 e 5 bares, dos 25 existentes na avenida.
A Central de Operações da PBH contabilizou 99 operações conjuntas até agosto de 2025, evidenciando o esforço institucional.
A Polícia Militar, por sua vez, abordou mais de 2.600 pessoas e vistoriou mais de 2.500 veículos na região, com reforço de batalhões e atuação antecipada a partir das 18h.
Propostas legislativas e articulação política
O vereador Sargento Jalyson (PL), autor do pedido da audiência, propôs medidas legislativas para ampliar o poder de fiscalização da Polícia Militar e restringir o horário de funcionamento de bares no estilo distribuidora.
O Projeto de Lei 431/2025, em tramitação, busca alterar a Lei do Silêncio e conceder à PM poder de autuação nos casos de excesso de barulho.
Outros parlamentares, como Cleiton Xavier (MDB) e Cláudio do Mundo Novo (PL), defenderam a manutenção das ações integradas e sugeriram a criação da “Patrulha do Sossego” pela Guarda Municipal, além da ampliação da divulgação do canal 156 para denúncias.
Análise crítica
A situação da Avenida Guarapari é emblemática de um dilema urbano recorrente: como equilibrar o dinamismo econômico do setor de entretenimento com a preservação da ordem pública e do bem-estar coletivo?
A audiência pública revelou que, embora haja esforços operacionais significativos, a ausência de mecanismos legais mais robustos e a falta de fiscalização contínua e inteligente dificultam a resolução do problema.
A proposta de integração entre forças de segurança, fiscalização e comunidade é promissora, mas exige continuidade, transparência e responsabilização.
Sem isso, a desordem tende a se perpetuar, com impactos cada vez mais profundos na vida dos moradores.
* Com suporte de IA Copilot fornecido pelo Microsoft
REFERÊNCIAS:



