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Brasil e as Forças Externas: Entre a Soberania e a Dependência Histórica

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: PROF. VALLE: TRUMP será DONO do BRASIL e das AMÉRICAS? | Fala Glauber.

A primeira coisa que é importante esclarecer é que forças externas não têm qualquer interesse em mudar aquilo que é fundamental: o Brasil sempre foi tratado como colônia e não há intenção de transformar o país em uma grande potência ao sul do Equador.


Pelo contrário, qualquer intervenção carrega o objetivo óbvio de manter o hemisfério ocidental sob o controle dos Estados Unidos.


Esse é o ponto inicial de análise. A elite brasileira, representada por aqueles que controlam o Congresso Nacional e os estados, reflete um problema estrutural de caráter educacional. Não importa quem é o juiz ou qual a comarca, mas sim quem está por trás, indicando o que deve ou não ser feito. Em cenários de intervenção, a coleta de dados e sua transformação em informações estratégicas é o primeiro passo. Escândalos, sejam novos ou antigos, podem servir como gatilho para movimentações políticas e institucionais.


A experiência da Lava Jato é um exemplo emblemático: começou em um posto de gasolina em Brasília e acabou em Curitiba, com vícios processuais que derrubaram toda a estrutura. Esse tipo de atuação mostra como estratégias de médio prazo exigem paciência, dedicação e clareza de direção. Não se trata de improviso, mas de construção gradual de cenários que, em determinado momento, podem impactar diretamente processos eleitorais e a estabilidade institucional.


O Brasil, historicamente, não desenvolveu tecnologia de ponta, não possui poder militar dissuasório capaz de confrontar grandes potências e seu poder econômico é fortemente dependente de empresas estrangeiras. O país raramente esteve em posição confortável e essa é a primeira ilusão que precisa ser desfeita. Nenhum líder externo, seja Trump, João ou Maria, está lutando pelo Brasil.


O essencial permanece: o Brasil continua sendo visto como território estratégico, mas não como protagonista. A soberania nacional é constantemente tensionada por interesses externos que buscam manter o controle geopolítico, enquanto internamente a fragilidade institucional e a dependência econômica reforçam a condição de vulnerabilidade.


Brasil: Alternância de Poder e a Ilusão da Mudança


Quem tem que lutar pelo Brasil são os brasileiros. No entanto, mesmo que amanhã haja alternância de governo, se não forem enfrentadas as questões fundamentais, nada muda de fato. A máxima que se aplica às colônias é clara: mudar para não mudar nada. A alternância de poder dá às pessoas uma falsa sensação de rodízio, mas o essencial permanece intocado.


Não importa se o governante é João, Maria ou Alfredo, o que importa é se as estruturas e as pessoas que comandam o país têm um projeto nacional capaz de colocar o Brasil à frente de interesses pessoais e transformá-lo em uma potência regional respeitada. Caso contrário, continuará como colônia, seja submissa aos Estados Unidos, à China ou à Rússia. O que interessa é a submissão, e não a soberania.


Para que a situação se tornasse mais favorável, seria necessário um governo pragmático, capaz de planejar estrategicamente a longo prazo e de aproveitar a polarização mundial para extrair benefícios de ambos os lados, como fez a Índia. Com apenas 70 anos de independência, a Índia se tornou potência militar, espacial e econômica, enquanto o Brasil, com 200 anos de independência, não alcançou posição equivalente.


A realidade política brasileira mostra que figuras como Lula e Bolsonaro, apesar de mobilizarem multidões e apresentarem discursos distintos, não conseguiram alterar a condição estrutural do país. Lula foi derrubado pela Lava Jato, vista por seus apoiadores como um golpe, enquanto Bolsonaro foi enfraquecido por narrativas que o associaram ao autoritarismo e ao golpismo. Em ambos os casos, forças externas e internas atuaram para manter o Brasil dentro de um sistema que não permite mudanças profundas.


Independentemente da paixão política ou da preferência por um lado, nenhum dos dois pode levar o Brasil a algo diferente, pois isso significaria romper com a lógica colonial que sustenta o sistema. A análise fria mostra que, seja qual for a narrativa, ela não pode se concretizar porque não favorece os interesses estabelecidos.


Assim, o Brasil permanece preso a uma condição de dependência, incapaz de alcançar o patamar de países como a Índia, que em menos tempo construiu uma trajetória mais sólida e respeitada. A independência brasileira, com seus 200 anos, ainda não se traduziu em soberania plena, e o país continua a ser visto como colônia em um mundo multipolar.


Brasil e Índia: O Peso da Cultura e da Elite na Construção de Potências


A Índia, gigante em território e população, conquistou sua independência apenas em 1947. Geograficamente posicionada em uma região marcada por tensões, cercada pela China de um lado e pelo Paquistão do outro, foi obrigada por sobrevivência e cultura a desenvolver pragmatismo e força própria. O poder real naquele país entendeu que era necessário construir uma potência nacional, e isso se refletiu em avanços militares, espaciais e econômicos.


No Brasil, a lógica é diferente. O poder real sempre considerou mais conveniente que o país permanecesse como colônia. Seja com Bolsonaro, Lula ou qualquer outro governante, a alternância política não altera o essencial. O poder nos bastidores flutua conforme os interesses, mas nunca em direção a um projeto nacional sólido. Se houvesse lideranças voltadas para o país, capazes de criar um ambiente de negócios favorável, estabilidade jurídica e capacidade de investimento, o Brasil poderia trilhar outro caminho. Mas a elite brasileira nunca foi capaz de estruturar um ambiente que favorecesse o poder nacional.


Enquanto a Índia lutou contra o império britânico e construiu sua soberania em meio a ameaças externas, o Brasil, privilegiado geograficamente e rico em recursos naturais, desenvolveu ao longo da história uma elite incapaz e corrupta. Essa característica se tornou praticamente sua assinatura desde o Segundo Reinado. Poucos foram os momentos de estabilidade e desenvolvimento; o restante da trajetória nacional foi marcado por confusões, revoluções e golpes.


No Congresso Nacional, raríssimas vezes se viu a defesa dos interesses do país acima da própria carreira política. O que predomina é a busca por vantagens pessoais e imediatas. Para que o Brasil se transformasse em uma potência, seria necessário um processo de pelo menos cinquenta anos de mudança cultural e educacional, capaz de formar uma nova geração com outra mentalidade. Sem isso, o país continuará sendo mais do mesmo.


Apesar de investir proporcionalmente mais em educação do que países como o Japão, o Brasil não conseguiu traduzir esse esforço em resultados concretos. Universidades produzem pouco em termos de expertise mundial, não há prêmios Nobel e a pesquisa científica é insuficiente diante do nível de investimento realizado. Em áreas estratégicas, como semicondutores ou aviação hipersônica, o país não apresenta avanços significativos.


O Brasil permanece, portanto, em uma condição de estagnação estrutural. A falta de visão estratégica, somada à fragilidade cultural e educacional, mantém o país preso a um ciclo de dependência e submissão. Dentro do contexto atual, o resultado é inevitável: mais do mesmo.




 
 
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