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ONU em Crise Financeira e a Política dos Grandes Eventos

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: O CANCELAMENTO da COPA e INFORMAÇÕES sobre a FALÊNCIA da ONU - RICARDO MARCÍLIO.

A Organização das Nações Unidas enfrenta uma crise de credibilidade e agora também de sobrevivência financeira.


O secretário-geral António Guterres declarou que, com a redução drástica das contribuições dos Estados Unidos durante o governo Trump e o atraso de outros países, a ONU não consegue mais sustentar sua infraestrutura até julho deste ano.


A contribuição dos Estados é proporcional ao PIB, e os EUA, maior economia do mundo, representam 22% do financiamento.


A China, segunda maior, responde por 19%. Com a saída americana de diversas organizações, incluindo a OMS, e a suspensão de aportes, o sistema entrou em colapso.


A ONU não possui fundo de reserva, já que desde sua criação os recursos não utilizados são devolvidos aos países-membros.


Agora, sem essa margem de segurança, a instituição começou a cortar gastos básicos em sua sede de Genebra, como desligar calefação, reduzir iluminação e suspender escadas rolantes.


Guterres anunciou ainda a demissão de cerca de 2.900 diplomatas para tentar equilibrar as contas. Ao mesmo tempo, pede que os EUA retomem o financiamento e defende a criação de um fundo permanente para evitar a falência em momentos de inadimplência.


A crise financeira se soma à percepção de inoperância prática. Nos principais conflitos globais, a ONU tem se limitado a declarações e sanções, sem capacidade de resolução efetiva.


Esse enfraquecimento abre espaço para alternativas, como o chamado Conselho de Paz proposto por Trump, inicialmente voltado para Gaza, mas que pode ser expandido para a guerra na Ucrânia, a crise na Venezuela e outros embates internacionais.


A disputa mostra como a ONU perde relevância enquanto novas estruturas de poder tentam ocupar seu espaço.


Paralelamente, cresce o debate sobre a Copa do Mundo. Apesar das críticas ao governo Trump e às tensões internacionais, a história mostra que o torneio raramente é boicotado. Em 1978, a Argentina sediou a competição em plena ditadura militar, marcada por graves violações de direitos humanos.


Em 2018, a Rússia já havia invadido a Ucrânia e mesmo assim recebeu o evento. Em 2022, o Qatar foi palco da Copa apesar das denúncias de abusos trabalhistas que resultaram em milhares de mortes.


Os interesses econômicos e políticos sempre falaram mais alto. Ainda que dirigentes, como o vice-presidente da Federação Alemã, defendam boicotes, é improvável que países abram mão da participação.


A Dinamarca, por exemplo, mesmo em repescagem, deve disputar o torneio. A lógica permanece: enquanto a ONU perde força e legitimidade, eventos globais como a Copa seguem acontecendo, blindados por interesses financeiros e pela busca de projeção internacional.


Copa do Mundo, Protestos e o Relógio do Juízo Final


A discussão sobre boicotes à Copa do Mundo ganhou força, mas muitas vezes em tom irônico. Países como Dinamarca e Itália, que não se classificaram, falam em boicote, o que soa como justificativa conveniente.


O Brasil, por sua vez, mantém um histórico único: é o único país com tradição que nunca ficou de fora de uma edição.


Com a ampliação do número de seleções, a classificação se tornou ainda mais acessível, permitindo que países em crise, como o Haiti, consigam disputar o torneio mesmo em meio a uma guerra civil.


Apesar disso, cresce a insatisfação de países africanos diante de declarações ofensivas de Donald Trump, como quando chamou a Somália de “lugar fedido” e desdenhou do continente.


Esse tipo de postura pode gerar protestos durante o evento. Ao mesmo tempo, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu o retorno da Rússia às competições, argumentando que não faz sentido excluir Moscou enquanto os Estados Unidos, que também violaram a Carta da ONU em intervenções militares, continuam participando.


A lógica é clara: interesses econômicos e políticos pesam mais do que princípios diplomáticos.

Nesse contexto, surge outro símbolo de alerta global: o Relógio do Juízo Final.


Criado em 1947 por cientistas ligados ao projeto Manhattan e apoiado por Albert Einstein, o relógio mede o quão próxima a humanidade estaria de uma catástrofe global. Inicialmente voltado apenas para o risco nuclear, hoje incorpora crises climáticas, guerras, pandemias e até inteligência artificial.


Pela primeira vez na história, o ponteiro está a menos de 90 segundos da meia-noite, representando o maior risco existencial já registrado.


A atualização reflete tensões geopolíticas recentes, como a intervenção americana na Venezuela e a escalada contra o Irã. Para os cientistas, o fim do mundo deixou de ser apenas uma questão religiosa ou filosófica e passou a ser uma questão científica, baseada em dados e cenários reais.


O perigo não está apenas em bombas atômicas, mas na soma de crises simultâneas que fragilizam o sistema global.


O debate sobre o relógio mostra como a humanidade vive sob pressão constante. Alguns acreditam que o fim será silencioso, fruto do cansaço coletivo diante de tantos problemas.


Outros veem na metáfora do lixo deixado nas praias uma analogia para o destino do planeta: uma civilização que abandona seu mundo sem conseguir cuidar dele. Seja qual for o desfecho, o relógio segue como alerta de que o tempo está se esgotando.

 
 
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