Brasil na Mira dos EUA — A Nova Geopolítica das Tarifas e Sanções
- 6 de mar.
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A situação está estranha. Donald Trump cismou com o Brasil — e não foi só ele. O secretário-geral da OTAN, Mark Huter, também entrou na questão.
Historicamente, o Brasil sempre passou à margem dos grandes conflitos mundiais. Presidentes falavam uma besteira ou outra, mas ninguém ligava.
O país mantinha uma política de boa vizinhança, negociando com Rússia, Ucrânia, China, Arábia Saudita, Irã — sem tomar partido. Mas, de repente, veio a pergunta: “O que esses caras estão falando da gente?” E a cisma começou.
Essa situação é inédita. Sem precedentes, sem referência. Quando Trump cisma com o Brasil, surgem várias questões. A tarifa anunciada como 50% na verdade é 31%, porque o Brasil já havia recebido uma tarifa de 10%.
Inicialmente, parecia tranquilo. Mas depois veio mais 40%, totalizando 50%. No entanto, quase 700 produtos foram isentos, o que reduz a tarifa real para cerca de 31%.
Mesmo assim, é uma das maiores tarifas já aplicadas. E não para por aí. Mês passado, o senador Lindsey Graham declarou que a guerra na Ucrânia acabaria rapidamente — bastava cortar o financiamento.
E quem financia? Quem compra petróleo e produtos da Rússia. Os grandes compradores? China, Índia e Brasil. Desde 2023, o Brasil é um dos maiores compradores de diesel russo.
A União Europeia também compra, mas agora está migrando para o gás natural dos EUA. Graham propôs uma tarifa de 500% sobre quem continuar comprando da Rússia. A ideia foi descartada, mas Trump retomou o discurso.
O embaixador americano na OTAN, Matt Whooker, afirmou que no dia 8 de agosto os EUA sancionarão todos os países que compram produtos russos, acusando-os de financiar a guerra.
Segundo ele, cada novo soldado russo custa milhares de dólares — pagos com dinheiro vindo da Índia, China e Brasil. A narrativa é clara: o Brasil estaria bancando a guerra. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutter, já havia dito isso.
O secretário de Estado americano, Mark Rubel, e o vice-presidente Jade Vence também. Não se trata apenas de tarifas: há sanções contra autoridades brasileiras e uma investigação do Escritório de Ativos Internacionais dos EUA.
Essa investigação, sob a seção 301 da legislação americana, é uma das mais difíceis de reverter.
Estão investigando desde o desmatamento na Amazônia até o uso do Pix, alegando que o governo brasileiro favorece o sistema e prejudica empresas americanas como Visa e Mastercard. O argumento é de concorrência desleal.
Todo esse cenário é novo e preocupante. E surge a dúvida: será que o medo de perder o dólar como moeda internacional é real ou apenas uma desculpa? Parece real — é um argumento recorrente.
Muitas guerras começaram por isso. Basta lembrar da relação dos EUA com o Irã até o final dos anos 1970.
O Irã, país central no Oriente Médio, com petróleo, gás natural e rotas comerciais estratégicas, rompeu com os EUA após a Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini.
As empresas americanas foram expulsas, e os EUA apoiaram Saddam Hussein para atacar o Irã e tentar recuperar o mercado perdido.
A guerra Irã-Iraque começou, e Saddam chegou a ser homenageado no Senado americano. A história se repete — com novos protagonistas e novas justificativas.

