Brasil na mira: Trump retoma guerra comercial com novas investigações
- há 20 horas
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O governo dos Estados Unidos acaba de afirmar que estão investigando o Brasil e encurrala cada vez mais o governo brasileiro após a redução de tarifas.
Os Estados Unidos anunciaram que prosseguirão com as investigações contra o Brasil no âmbito da sessão 301 da Lei de Comércio de 1974.
Mesmo após a Suprema Corte norte-americana derrubar uma série de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, essa medida revelada pelo escritório do representante comercial dos Estados Unidos, USTR, pode resultar na aplicação de novas tarifas específicas contra produtos brasileiros em meio a uma ofensiva comercial descrita como sem precedentes.
A investigação foca em supostas práticas desleais de comércio, incluindo desmatamento ilegal, o mercado de etanol, propriedade intelectual, pirataria, corrupção e até o sistema de pagamentos instantâneos Pix, apontado como ferramenta de concorrência desleal por facilitar transações digitais de forma eficiente e barata.
A decisão da Suprema Corte, tomada por seis a três votos, considerou que as tarifas emergenciais impostas por Trump violavam a lei federal, limitando o uso de poderes executivos para impor taxas unilaterais sem aprovação congressional.
Essa sentença beneficiou diretamente o Brasil, isentando cerca de quinze bilhões de dólares em exportações brasileiras que estavam sujeitas a tarifas de dez ou quarenta por cento, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
No entanto, o alívio pode ser temporário, pois o governo Trump respondeu rapidamente com a imposição de uma sobretaxa global temporária de dez por cento via sessão 122, o início de novas investigações sob a sessão 301, a continuidade das apurações existentes contra países como Brasil e China e a manutenção de tarifas da sessão 232 sobre itens como aço, alumínio e cobre, que afetam quase onze bilhões de dólares em exportações brasileiras.
Essa estratégia reflete a agenda America First de Trump, que busca corrigir desequilíbrios comerciais percebidos como prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Iniciada em julho de 2025, a investigação contra o Brasil ganhou novo fôlego após a decisão judicial, com o USTR enfatizando que, se práticas desleais forem confirmadas, tarifas serão um dos instrumentos de resposta.
Países e empresas ao redor do mundo reagiram à derrubada das tarifas, mas o foco no Brasil destaca tensões específicas, como acusações de tarifas preferenciais concedidas a parceiros comerciais e subsídios no setor de etanol que competem diretamente com produtores dos Estados Unidos.
O presidente Donald Trump tem intensificado sua pressão sobre o Brasil, encurralando o presidente brasileiro em uma série de fronts comerciais e políticos. Essa ofensiva inclui não apenas as investigações comerciais, mas também críticas públicas a políticas ambientais brasileiras, como o desmatamento na Amazônia, que Trump vincula a vantagens comerciais injustas.
Em discursos recentes, Trump qualificou as práticas brasileiras como desleais e ameaças à economia americana, exigindo reformas em áreas como propriedade intelectual e combate à pirataria.
Essa abordagem contrasta com negociações anteriores, onde o Brasil buscava alinhamento com os Estados Unidos, mas agora enfrenta uma postura mais agressiva, com potencial para embargos ou tarifas retaliatórias.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do MDIC, já apresentou defesas contra as acusações, argumentando que suas políticas estão alinhadas com acordos internacionais da Organização Mundial do Comércio. No entanto, com um encontro previsto em Washington entre representantes brasileiros e o USTR, as negociações prometem ser tensas.
Setores como o agronegócio e a indústria de tecnologia no Brasil expressam preocupação, pois novas tarifas poderiam elevar custos e reduzir competitividade em um mercado chave como os Estados Unidos, que absorve uma fatia significativa das exportações brasileiras. Reações internacionais e domésticas não tardaram.
Empresas norte-americanas como produtores de etanol e aço apoiam a continuidade das investigações, enquanto no Brasil a Confederação Nacional da Indústria estima que a derrubada inicial das tarifas poderia isentar até vinte e um bilhões de dólares em exportações, mas alerta para riscos com as novas medidas.
Analistas econômicos apontam que essa dinâmica pode forçar o Brasil a fazer concessões, como fortalecer regulamentações ambientais ou ajustar o Pix para atender padrões internacionais de transparência.
Essa ofensiva de Trump contra o Brasil representa uma escalada na guerra comercial global, onde os Estados Unidos utilizam ferramentas legais como a sessão 301 para pressionar aliados e rivais.
Para o presidente brasileiro, o encurralamento é multifacetado. Além dos impactos econômicos que podem agravar a inflação e o desemprego em setores dependentes de exportações, há um componente político.
Trump, com sua retórica populista, busca demonstrar força doméstica ao proteger empregos americanos, o que pode enfraquecer a posição negociadora do Brasil em fóruns internacionais.
No longo prazo, isso pode impulsionar o Brasil a diversificar parcerias comerciais, como com a China ou a União Europeia, mas no curto prazo exige uma diplomacia ágil para evitar perdas bilionárias.
A continuidade das investigações sinaliza que, apesar da vitória judicial, a agenda protecionista de Trump permanece viva, potencialmente redefinindo as relações bilaterais para os próximos anos.


