Opinião – Adauto Ribeiro: A geopolítica latino-americana em ebulição
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Os acontecimentos recentes na América Latina revelam como a região continua sendo palco de disputas estratégicas entre potências externas e governos locais.
A relação histórica entre Cuba e Venezuela, construída desde a era Chávez, sempre foi vista como um eixo de resistência ao poder norte-americano.
Agora, sinais de enfraquecimento dessa aliança surgem em meio a pressões diplomáticas e econômicas de Washington, que busca redesenhar o tabuleiro regional.
No México, a escalada da violência ligada aos cartéis expõe a fragilidade do Estado diante de organizações criminosas que operam com poder militar e econômico comparável ao de forças regulares. A morte de líderes do narcotráfico, longe de pacificar, tende a abrir espaço para disputas internas e novos ciclos de violência.
O Brasil, por sua vez, se vê diante de dilemas diplomáticos. As declarações do presidente Lula sobre a necessidade de julgamento de Nicolás Maduro em território venezuelano, e não nos Estados Unidos, refletem uma defesa da soberania nacional, mas também levantam questionamentos sobre possíveis implicações políticas e regionais.
O pano de fundo é claro: a América Latina continua sendo pressionada por interesses externos, enquanto enfrenta crises internas de segurança, economia e legitimidade política. O futuro da região dependerá da capacidade de seus líderes de equilibrar soberania com pragmatismo, sem se tornar reféns de agendas alheias.


