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CONEXÃO FARIA LIMA — PCC lava dinheiro sujo em conveniências e padarias

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • 2 de set. de 2025
  • 3 min de leitura
   —Viaturas policiais e da Receita Federal em operação.
   —Viaturas policiais e da Receita Federal em operação.

Esquema Oculto: Como Padarias e Lojas de Conveniência Viraram Engrenagens da Lavagem de Dinheiro do PCC

Segundo o Ministério Público de São Paulo, estabelecimentos funcionavam como camadas de ocultação patrimonial ligadas ao crime organizado


Adauto Jornalismo Policial*


Por trás da aparente simplicidade de padarias de bairro e lojas de conveniência, uma rede complexa de lavagem de dinheiro operava silenciosamente no coração da elite financeira paulistana.


A investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), revelada pelo portal Metrópoles, expôs uma engrenagem oculta que ligava negócios da Faria Lima ao Primeiro Comando da Capital (PCC).


O Mosaico de CNPJs Sobrepostos


Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema se apoiava em uma estratégia de pulverização societária: estabelecimentos eram registrados em nome de laranjas e rapidamente transferidos a terceiros, criando sobreposições de CNPJs que embaralhavam a trilha dos verdadeiros beneficiários.


Um padrão recorrente chamou atenção dos investigadores: padarias com nomes semelhantes — como as diversas unidades da marca Iracema na Avenida Angélica — se repetiam com variações mínimas. O mesmo se aplicava à marca Salamanca.


A investigação aponta vínculos entre Tharek Majide Bannout, sócio de padarias e postos de combustíveis, e Maria Edenize Gomes, moradora de Santo Amaro das Brotas (SE), que, sem vínculo formal de trabalho, tornou-se sócia de 70 empresas em menos de um ano — 33 delas ainda ativas.


“As padarias sob sua titularidade possuem indícios de vínculos com aquelas de Tharek Bannout, sugerindo um padrão de empresas com nomes similares para ocultação”, revela trecho do inquérito.

Lojas de Conveniência: A Nova Face da Ocultação Patrimonial


A investigação também escancarou o uso de lojas de conveniência como instrumentos de disfarce patrimonial. Algumas estavam em nome de familiares de líderes da facção, como Amine Mourad, irmã de Mohamed Hussein Mourad — apontado como o cérebro financeiro do esquema.


Amine teria sido titular de uma rede com 168 filiais, posteriormente extintas e substituídas por negócios ligados ao Group Potenza Atacadista, numa manobra para reconectar o patrimônio oculto à estrutura controlada por Mohamed.


Outro nome-chave é Ricardo Romano, descrito como peça central na engrenagem financeira do PCC.


Ele teria criado 18 lojas chamadas Strawberry, muitas nos mesmos endereços das antigas conveniências de Amine, que depois foram transferidas a um suposto testa de ferro.


Postos de Combustíveis e Fundos de Investimento: A Lavanderia Bilionária


A operação Carbono Oculto, deflagrada pelo MPSP e pela Receita Federal, revelou que entre 2020 e 2024, cerca de 1.200 postos movimentaram R$ 52 bilhões, mas recolheram apenas R$ 90 milhões em tributos — uma discrepância de 0,17%.


Para lavar esse dinheiro, o grupo teria utilizado 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões, operados por gestores da Faria Lima.


Os Articuladores do Esquema


Entre os principais alvos estão:

  • As instituições financeiras BK e Banrow

  • As usinas Itajobi e Carolo

  • Os operadores Mohamed Hussein Mourad (Primo ou João) e Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Louco)


Ambos são apontados como ligados à distribuidora Aster e à formuladora Copape, empresas com papel estratégico na movimentação dos recursos ilícitos.




* Com suporte de IA Copilot fornecido pelo Microsoft



REFERÊNCIAS:

                 

 
 
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