CRIMES POLICIAIS — Batalhões comandados por coronel Sabino mataram 84 pessoas em 2 anos
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 15 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Adauto Jornalismo Policial*
Segundo o levantamento da Agência Pública, de fevereiro a junho deste ano – o período do CPI-9 sob comando de Sabino – foram registradas 26 mortes por ações policiais. Isso representa quase 70% de todas as mortes em 2024 na região (39 mortes) e 18% a mais do que as mortes em 2023, quando foram registradas 22 casos de óbito por intervenção policial.
Coronel Sabino, da PM SP, em cerimônia de assunção ao comando do CPI-9
O CPI-9 não é o único batalhão da PM SP sob o comando de Sabino que apresentou aumento na letalidade policial.
Quando ainda era tenente-coronel – o segundo na hierarquia militar – Sabino foi anunciado, em junho de 2023, como o comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), na capital, onde foi responsável por cinco companhias de área (as bases da PM), que atendem o bairro do Morumbi e a favela do Paraisópolis. O mesmo batalhão já foi apontado, em uma reportagem da Folha de São Paulo no passado, como o mais letal do estado.
Durante os nove meses de sua gestão, que durou até março de 2024, os policiais militares subordinados a Sabino mataram 24 pessoas. O número é maior do que todas as mortes no ano de 2022, quando o mesmo batalhão registrou 21 mortes em decorrência de intervenções policiais.
Em mais uma promoção, em março de 2024, ele foi indicado à chefia do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-3 (CPAM3), que responde pelos cinco batalhões da PM SP na Zona Norte de São Paulo.
A sua passagem pelo CPA-M3 durou 11 meses e foi marcada pelo aumento da letalidade policial, registrando 34 mortes – o dobro de todo o ano de 2023, quando os mesmos batalhões juntos contabilizaram 16 óbitos.
Polícia Militar SP: batalhões comandados por coronel Sabino mataram 84 pessoas em 2 anos
Por que isso importa?
Em 2024, São Paulo foi o estado que apresentou o maior crescimento do número de mortes em decorrência de intervenção policial, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A reportagem procurou Sabino, que não respondeu aos questionamentos enviados. Dois dias após o pedido de posicionamento, o coronel fez uma publicação em sua conta no Instagram, onde escreveu que “cada vez mais matérias orquestradas pelo crime, tentam criminalizar a atividade policial” e que “não vão conseguir nos transformar em vilões e transformar marginais violentos em vítimas” (sic).
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP), disse que “A PM reafirma que não tolera desvios de conduta. Todos os casos de Morte Decorrente de Intervenção Policial (MDIP) são apurados rigorosamente pela Corregedoria, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. Comprovadas irregularidades, os envolvidos são responsabilizados nos termos da lei.”
Sobre a atuação de Sabino no CPI-9, a pasta acrescentou que “registrou, no primeiro semestre deste ano, o segundo menor índice de homicídios dolosos em 25 anos (-6,19%). Os roubos em geral caíram 23,78%, atingindo o menor patamar desde 2001, e todos os demais crimes patrimoniais também registraram queda. No período, mais de 9,6 mil infratores foram presos ou apreendidos, 592 armas ilegais retiradas de circulação e 1.683 veículos recuperados.” Leia a nota na íntegra aqui.
* Com recursos de Inteligência Artificial
REFERÊNCIAS:


