CRIMES POLICIAIS — Indígena acusa policiais de estupro em delegacia
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 25 de jul. de 2025
- 3 min de leitura

Denúncia de estupro contra indígena sob custódia policial
Adauto Jornalismo Policial*
Segundo reportagem do Jornal Nacional do dia 23/07/2025, exibido em rede nacional às 20h20, uma mulher da etnia Kokama denuncia ter sido vítima de abusos sexuais enquanto estava encarcerada com seu filho recém-nascido no interior do Amazonas.
De maneira alarmante, ela relata ter sido mantida na mesma cela que homens e retirada pelos próprios policiais para sofrer os abusos.
Esse caso escancara a barbárie institucional que persiste nas estruturas de segurança pública — onde a negligência, o racismo e a misoginia se entrelaçam para violar os corpos indígenas com crueldade e impunidade.
A presença de um bebê torna a violência ainda mais revoltante, revelando um sistema que falha não apenas em proteger, mas que contribui diretamente para perpetuar o abuso.
Não se trata de uma falha isolada, mas de um padrão histórico de desrespeito às mulheres indígenas, que são duplamente vulnerabilizadas: pela condição de gênero e pelo pertencimento étnico.
A denúncia exige resposta imediata, responsabilização exemplar e uma revisão profunda sobre como o Estado lida com populações tradicionais sob custódia.
A omissão é cúmplice. O silêncio é violência. Justiça, neste caso, não pode ser uma promessa — deve ser um imperativo.
Análise
VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL CONTRA MULHER INDÍGENA
Contexto
Uma mulher da etnia Kokama denuncia abusos sexuais cometidos por policiais enquanto esteve presa com seu bebê recém-nascido no interior do Amazonas.
Detalhe chocante
Ela afirma que foi mantida na mesma cela que homens e retirada pelos agentes para sofrer os abusos.
Crítica ao sistema
A denúncia escancara o racismo, a misoginia e a negligência das instituições do Estado.
Chamado à ação
O silêncio é cúmplice. Exigimos responsabilização, justiça e proteção real às mulheres indígenas.
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Reportagem original
Indígena acusa quatro policiais e um guarda civil de estupro durante os nove meses em que esteve presa em delegacia

No Amazonas, uma indígena acusa quatro policiais e um guarda civil de a terem estuprado durante nove meses em que esteve presa em uma delegacia.
Em novembro de 2022, a mulher, indígena da etnia Kokama, foi até a delegacia de Santo Antônio do Içá, no interior do Amazonas, denunciar que tinha sofrido violência doméstica. Lá, descobriu que era condenada por um homicídio em Manaus, cometido em 2018. Ela nega a autoria do crime.
Segundo a Defensoria Pública, por falta de vagas nos presídios, a mulher foi colocada em uma cela da delegacia com outros homens, o que é proibido pela Lei de Execuções Penais. O bebê dela, com 20 dias de vida, também ficava na cela.
A indígena denunciou que, nos nove meses em que permaneceu na delegacia, era estuprada por quatro policiais militares e um guarda municipal.
No depoimento à Defensoria, ela afirmou que os abusos aconteciam sempre à noite, nos plantões dos policiais, e em salas da delegacia, que era obrigada a consumir álcool com os policiais e que, na primeira noite na prisão, ela foi abusada ao lado do filho recém-nascido. A indígena afirmou que não denunciou os crimes na época por medo.
Em agosto de 2023, assim que chegou em Manaus para cumprir a pena, a indígena fez um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher. Ela denunciou os crimes e deu os nomes dos policiais e também do guarda municipal. O caso foi encaminhado à delegacia de Santo Antônio do Içá que, segundo o Ministério Público, até hoje não abriu investigação para apurar as denúncias.
A mulher se submeteu a exames.
"O laudo é conclusivo, claro, sobre a existência dessa conjunção carnal, o que aponta também, pelo laudo, que isso teria sido cometido mediante violência", disse defensor público Theo Costa.
Na segunda-feira (22), promotoras ouviram a indígena. Os suspeitos foram identificados.
"Eles estão afastados das suas atividades, mas estão em liberdade. Nós temos uma ação de execução que de alguma forma colheu alguns elementos de convicção que podem ser aproveitados no nosso procedimento investigatório", afirma a procuradora-geral de Justiça/AM, Leda Albuquerque.
A Funai informou que está prestando assistência à indígena. A Polícia Civil, a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Amazonas e a Polícia Militar investigam a denúncia.
O Ministério Público pediu à Justiça que a mulher cumpra a pena fora da prisão, com uso de tornozeleira eletrônica.
* Com recursos de Inteligência Artificial
REFERÊNCIAS:


