top of page

Geopolítica e Economia: Tensões no Oriente Médio e na América do Sul

  • há 21 horas
  • 4 min de leitura
  — Imagem/Reprodução: AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS da GEOPOLÍTICA MUNDIAL - ISRAEL, EUA, ARGENTINA e MAI! - RICARDO MARCÍLIO.

Israel e a Questão Palestina


Nesta semana, declarações do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, reacenderam polêmicas.


Ele afirmou que o plano de Israel seria deslocar palestinos não apenas da Faixa de Gaza, mas também de territórios da Jordânia, em linha com propostas de paz discutidas durante o governo Trump.


Paralelamente, Israel aprovou uma lei que permite ao Estado incorporar áreas da Cisjordânia, o que, segundo palestinos, inviabilizaria a criação de um futuro Estado palestino.


O embaixador dos Estados Unidos declarou que não veria problema em Israel dominar uma grande área do Oriente Médio, justificando com argumentos religiosos e históricos. A posição, porém, gerou forte repercussão internacional.


Tarifas e Comércio Internacional


Outro ponto de destaque foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas impostas por Donald Trump. O ex-presidente havia utilizado uma lei de comércio de 1977, alegando emergência nacional para justificar sobretaxas.


A Corte considerou que ele extrapolou suas atribuições, já que a prerrogativa de impor tarifas pertence ao poder legislativo.


Apesar disso, Trump decretou tarifas temporárias de 15% por 180 dias, prometendo novas medidas no futuro. Curiosamente, essa decisão beneficiou países como Brasil e China. O Brasil, por exemplo, exporta 80% de sua produção de mel para os Estados Unidos e antes enfrentava tarifas de até 50%.


Com a nova regra, a taxa caiu para 15%, ampliando o acesso ao mercado americano. Já aliados tradicionais dos EUA, como União Europeia, Japão e Coreia do Sul, foram prejudicados com aumento das tarifas, gerando insegurança jurídica nos acordos comerciais.


Reforma Trabalhista na Argentina


Na Argentina, Javier Milei aprovou uma reforma trabalhista considerada mais radical que a brasileira. A medida busca reduzir a informalidade, que já atinge cerca de 40% da força de trabalho.


Entre os pontos mais polêmicos estão a possibilidade de jornadas de até 12 horas sem pagamento de hora extra, desde que compensadas em banco de horas, e a exigência de autorização do empregador para realização de greves.


Os sindicatos criticam duramente as mudanças, alegando perda de direitos históricos. A Argentina, conhecida por sua tradição sindicalista e comparada à França nesse aspecto, deve enfrentar intensos protestos nos próximos dias.


Inovação Eleitoral na Colômbia


Por fim, a Colômbia chamou atenção ao autorizar, pela primeira vez, o uso de inteligência artificial em seu processo eleitoral. Embora não seja uma participação direta, a medida abre espaço para novas formas de organização e análise de dados durante campanhas e votações, levantando debates sobre transparência e ética no uso da tecnologia.


Inteligência Artificial, Clima e Conflitos Globais


A Experiência Colombiana com IA


Na Colômbia, pela primeira vez, uma comunidade indígena decidiu lançar uma candidatura baseada em inteligência artificial. A chamada Gaetana foi criada para representar os anseios da população local.


O idealizador afirma que a melhor forma de governar é perguntar diretamente às pessoas o que elas querem. Assim, a IA analisa relatórios complexos, produz infográficos e resumos, e apresenta à comunidade, que decide se aprova ou não determinada proposta.


O representante humano não vota por conta própria: apenas reproduz a decisão da população mediada pela inteligência artificial.


A iniciativa traz legitimidade participativa, mas levanta polêmicas sobre transparência, algoritmos e manipulação de dados. Há dúvidas se a população terá conhecimento suficiente para decidir sobre temas técnicos apenas com resumos produzidos pela IA.


Um caso curioso já ocorreu: uma IA anticorrupção, criada para fiscalizar contratos públicos, acabou “normalizando” desvios de 10% a 15% como prática aceitável, mostrando que até sistemas automatizados podem se corromper.


Colapso Climático na Islândia


A Islândia decretou estado de emergência climática devido ao enfraquecimento da circulação oceânica conhecida como AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation). Essa corrente marítima, que inclui a famosa Corrente do Golfo, leva águas quentes do Golfo do México até a Europa Ocidental.


Com o aquecimento global, a corrente está perdendo força, o que pode provocar congelamento de áreas oceânicas, prejudicar a pesca e alterar drasticamente o clima.


A Islândia calcula que temperaturas podem chegar a -45ºC, agravando os riscos já existentes de vulcanismo e abalos sísmicos. O impacto pode se estender à Flórida e até à Amazônia, aumentando extremos climáticos em diferentes regiões.


A Disputa pelo Nilo


Outro foco de tensão internacional é a disputa entre Etiópia e Egito pelo controle das águas do Nilo Azul. A Etiópia construiu a maior hidrelétrica da África, a Barragem da Renascença, represando grande parte da água que alimenta o rio Nilo.


Como 80% do fluxo que chega ao Egito vem do Nilo Azul, o represamento ameaça a agricultura, a pecuária e o abastecimento humano no país.


O Egito, grande produtor de algodão, vê a obra como uma ameaça existencial. A Etiópia afirma que o projeto é apenas energético, mas especialistas alertam que a água pode ser usada como arma de guerra.


A disputa se insere em um contexto maior de rivalidades regionais: a Etiópia apoia a Somalilândia separatista, enquanto o Egito apoia a Somália.


Além disso, há uma dimensão geopolítica: a Etiópia é mais alinhada com Rússia e China, enquanto o Egito mantém relações estreitas com os Estados Unidos. O risco é que o conflito se torne uma guerra de procuração no continente africano.





 
 
bottom of page