Letalidade Policial no Brasil: entre estatísticas alarmantes e impasses estruturais
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 16 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Adauto Jornalismo Policial*
A violência policial no Brasil em 2024 continua sendo um dos temas mais controversos e polarizadores da segurança pública. Embora o país tenha registrado uma queda de 3,1% no número absoluto de mortes por intervenção policial em relação a 2023, o número ainda é assustador: 6.243 pessoas mortas por agentes de segurança pública. Isso representa uma média de 17 mortes por dia, com 82% das vítimas sendo negras e 99,2% homens jovens entre 18 e 29 anos.
Dados e estatísticas
São Paulo teve um aumento de 60,9% na letalidade policial, com destaque para as cidades de Santos e São Vicente, onde 66% das mortes violentas foram causadas por policiais.
Bahia lidera em números absolutos, com 1.701 mortes por intervenção policial em 2023, ultrapassando o Rio de Janeiro.
Amapá tem a pior taxa proporcional: 25,3 mortes por 100 mil habitantes.
Jovens negros entre 18 e 24 anos são os mais afetados, com uma taxa de 9,6 mortes por 100 mil habitantes.
Paradoxos e contradições
Apesar da queda geral nos homicídios, a proporção de mortes causadas por policiais aumentou, passando a representar 14% das mortes violentas intencionais no país.
A letalidade policial cresceu 188% desde 2013, mesmo com avanços em políticas de segurança e uso de câmeras corporais.
O uso de força letal é frequentemente justificado como resposta ao crime organizado, mas especialistas apontam que ações violentas desestruturam comunidades e fortalecem facções criminosas.
Impasses e tensões institucionais
O Brasil ainda não cumpriu decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre execuções extrajudiciais por policiais.
A falta de perícias adequadas e a impunidade dificultam investigações e responsabilização de agentes envolvidos.
A corrupção policial está diretamente ligada à violência: policiais abusivos podem extorquir, matar e manipular provas sem punição efetiva.
Exemplos emblemáticos
A Operação Escudo, em São Paulo, matou 28 pessoas em 40 dias, sendo considerada a ação mais letal desde o massacre do Carandiru.
Em Duque de Caxias (RJ), uma família foi alvejada por agentes da PRF a caminho da ceia de Natal. Uma jovem foi baleada na cabeça.
Em Guarulhos (SP), o Aeroporto Internacional foi palco de uma execução ligada ao PCC, evidenciando a fragilidade da segurança urbana.
Tendências e probabilidades
A tendência de crescimento da letalidade policial em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro indica uma escalada de confrontos diretos entre forças de segurança e facções criminosas.
A probabilidade de uma pessoa negra ser morta por policiais é 3,5 vezes maior do que a de uma pessoa branca.
A expansão do uso de câmeras corporais tem mostrado resultados positivos, mas enfrenta resistência política e institucional em alguns estados.
* Com recursos de Inteligência Artificial
REFERÊNCIAS:


