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Letalidade policial segue matando mais em 17 estados do Brasil

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

O número de pessoas mortas por policiais aumentou em 17 estados brasileiros em 2025, atingindo governos sob o comando de diversos partidos: PT, PL, União Brasil, Republicanos, PSD, PSB, Novo e MDB.


  — Imagem/Reprodução: Em números absolutos, a Bahia de Jerônimo Rodrigues (PT) segue na liderança, com 1.569 pessoas mortas no ano passado pela polícia (uma alta de 1% em relação a 2024).
 — Imagem/Reprodução: Em números absolutos, a Bahia de Jerônimo Rodrigues (PT) segue na liderança, com 1.569 pessoas mortas no ano passado pela polícia (uma alta de 1% em relação a 2024).

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram 6.519 mortes em 2025, 4,5% a mais do que as 6.238 registradas no ano anterior. Isso representa 18 casos por dia em todo o país. Nordeste e Norte concentraram as maiores altas.


O caso mais extremo é o de Rondônia, onde as mortes em ações policiais saltaram de 8 para 47 em um ano, uma alta de 488%. O estado é governado por Marcos Rocha (PSD).


Na sequência da lista dos estados com maior crescimento aparecem Maranhão (alta de 87%) e Rio Grande do Norte (51%).


No primeiro, governado por Carlos Brandão Júnior (sem partido) os registros quase dobraram, passando de 76 para 142 mortes.


Já no Rio Grande do Norte o número de casos subiu de 91 em 2024 para 137 no ano passado.


A Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social da gestão de Fátima Bezerra (PT) afirmou, em nota, que o aumento está ligado à migração de criminosos do Sudeste para o Nordeste, o que intensificou disputas territoriais e confrontos armados com a polícia.


A pasta disse ainda que aderiu em março ao projeto de câmeras corporais do Ministério da Justiça. Com isso, receberá 793 equipamentos, que vão ser destinados a unidades da PM em cidades com mais de 100 mil habitantes.


A lista incluir os municípios de Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. Procurados, Rondônia e Maranhão não responderam.


A distribuição dos dados por partido político indica que o crescimento da letalidade policial atravessa governos de diferentes espectros ideológicos, do PL de Jair Bolsonaro —o partido governa dois estados que tiveram alta— ao PT de Lula —que comanda três. O líder nesse quesito é o PSD, com quatro.


Em números absolutos, a Bahia de Jerônimo Rodrigues (PT) segue na liderança, com 1.569 pessoas mortas no ano passado pela polícia (uma alta de 1% em relação a 2024).


Na sequência estão São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 835 mortes (alta de 3%), e o Rio de Janeiro de Cláudio Castro (PL), com 798 casos (aumento de 14%). Os dados do Ministério da Justiça e são alimentados mensalmente pelos próprios estados.


Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, afirma que o principal motivo para o crescimento da letalidade policial é a falta de vontade política de governadores e de secretários de segurança.


Ele afirma que o controle da violência policial envolve aspectos técnicos e investimentos em formação, mas a postura do gestor também é um elemento determinante.


Segundo o especialista, muitos governadores adotam discursos que acabam por incentivar o uso da força letal por parte dos policiais.


Rocha diz que mesmo quando esse incentivo não é explícito, há casos em que a letalidade policial é tolerada. Ele afirma ainda que o Ministério Público muitas vezes fecha os olhos para o tema e deixa de cumprir seu papel de controle externo.


"Em alguns estados os governadores muitas vezes deixam as coisas correrem soltas, permitindo que a Polícia Militar, responsável pela maioria das mortes, mantenha uma autonomia excessiva sobre punições.


Muitos gestores evitam confrontar a corporação para não comprar briga com uma instituição politicamente forte, deixando de se responsabilizar pelo controle da violência", diz ele.


NOVE ESTADOS TEM QUEDA


A lista do Ministério Público mostra que nove estados registraram queda na comparação de 2025 com 2024, enquanto o Distrito Federal apresentou estabilidade, com 15 mortos nos dois anos.


O Tocantins teve a maior redução proporcional, com uma diminuição de 55% nas mortes causadas por intervenção policial —foram 49 casos em 2024 e 22 em 2025. Na sequência, aparecem o Rio Grande do Sul (diminuição de 43%) e Roraima (-33%).


Para a diretora do Sistema Único de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Isabel Figueiredo, o aumento pode ser reflexo de uma dinâmica geral da criminalidade.


Ela disse que a pasta ainda não tem uma avaliação fechada sobre o fenômeno, mas que já atua em múltiplas frentes para tentar conter o aumento da letalidade policial.


Ela cita como exemplo a ampliação do uso de câmeras corporais, hoje adotadas por 11 estados, e o Projeto de Qualificação do Uso da Força, que já conta com a adesão de 21 unidades federativas.


A iniciativa criou uma diretriz nacional sobre o uso da força pelas policiais, além de realizar a capacitação dos agentes e de enviar aos estados equipamentos de menor potencial ofensivo, como tasers e spray de pimenta.


O ministério também contratou consultores para apoiar os estados na revisão de normas, doutrinas e procedimentos internos.


"A resistência ao uso do equipamento [câmeras corporais] está diminuindo, pois o programa passou a ser visto não apenas como uma ferramenta de controle, mas como um mecanismo de segurança e proteção para o próprio policial, ao registrar as operações e evitar conflitos de versões sobre as ocorrências", afirma ela.


Rocha, do Sou da Paz, acrescenta que a política das câmeras corporais deve ser permanente, mas ressalta que a tecnologia só funciona com supervisão ativa.


O caso de São Paulo é citado para ilustrar que a queda expressiva da letalidade em anos anteriores decorreu de protocolos de revisão e punição.


Segundo ele, o desmonte dessa estratégia pelo governo atual levou a um novo aumento dos índices. "Sem alguém assistindo e auditando as imagens, a câmera se torna cenográfica e perde seu efeito inibidor", disse.


Como mostrou a Folha, o estado de São Paulo teve queda nos homicídios e aumento nas mortes provocadas pela polícia em 2025, terceiro ano de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no cargo de governador.


Questionada sobre a violência policial, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ressaltou que, somando-se os três anos da atual, o número de mortos está abaixo do que foi registrado no governo anterior.


"Houve redução de aproximadamente 5% nos números de mortes decorrentes de confrontos com policiais, nos três primeiros anos desta gestão, em comparação aos primeiros anos da gestão anterior", afirmou.

 
 
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