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Navio chinês no Rio: entre suposta cooperação médica e tensão geopolítica

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura
  — Imagem/Reprodução: NAVIO CHINÊS SUSPEITO CHEGA AO BRASIL! LULA DESAFIA TRUMP DIRETAMENTE AQUI NÃO EXISTE MOUROE.

Lula pode despertar a ira dos Estados Unidos ao aceitar um navio da Marinha de Libertação Popular da China no Rio de Janeiro.


Por se tratar de um navio hospitalar, o Conselho Nacional de Medicina quer explicações sobre essa embarcação suspeita no litoral brasileiro.


Brasil entre potências: alianças econômicas e pressões internacionais


Além disso, Lula ignora milhares de mortes no Irã, afirmando que apenas o próprio povo iraniano pode lutar contra o regime, desconsiderando o fato de que a população está desarmada enquanto o governo utiliza seu exército bem equipado para realizar massacres cruéis.


Um navio hospital da Marinha do Exército de Libertação Popular da China, o Silk Road Arc, atracou no Pierma, no Rio de Janeiro, no início de janeiro de 2026, como parte da missão Harmony 2025.


A embarcação partiu da China em setembro de 2025 para uma jornada de 220 dias, visitando cerca de uma dúzia de países, com o objetivo oficial de promover cooperação em saúde, intercâmbios de conhecimento e atividades culturais.


No entanto, sua presença no Brasil tem gerado questionamentos sobre os reais propósitos, especialmente em um contexto de crescente influência chinesa na América Latina.


O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro enviou ofícios à Secretaria de Saúde e à Marinha do Brasil solicitando esclarecimentos sobre possíveis atendimentos médicos à população local.


De acordo com as normas do Conselho Federal de Medicina, qualquer ato médico no território brasileiro, mesmo em missões diplomáticas, deve ser fiscalizado e requer registro temporário de profissionais estrangeiros.


Secretaria de Saúde afirmou que não há atendimentos médicos sendo realizados, limitando-se a intercâmbios institucionais com a Marinha brasileira e profissionais locais. Apesar disso, uma fiscalização está em andamento para verificar a conformidade.


Essa visita ocorre em um momento em que a China busca intensificar sua parceria com o Brasil, um dos principais aliados econômicos na região, com investimentos em infraestrutura, agricultura e energia.


China, Irã e Estados Unidos: o dilema diplomático de Lula


Pequim visa expandir sua presença na América Latina diante dos avanços dos Estados Unidos sob a influência de Donald Trump, que tem revigorado elementos da doutrina Monroe, política de mais de 200 anos que limita influências externas no hemisfério ocidental.


Nos últimos anos, Trump obteve vitórias significativas na América do Sul com a eleição de presidentes alinhados em países como Argentina, Chile e Peru, que priorizam relações próximas com os Estados Unidos e adotam posturas críticas a regimes autoritários.


Poucos países permanecem fora desse alinhamento, como o Brasil sob Lula, que demonstra maior proximidade com China, Rússia e Irã, e a Colômbia de Gustavo Petro, cuja popularidade tem declinado.


A chegada do Silk Road Arc, um navio militar com capacidades hospitalares avançadas, é vista por analistas como uma estratégia chinesa para sustentar sua presença militar e diplomática na região, acentuando suspeitas nos Estados Unidos, que veem a China como sua principal rival global.


Paralelamente, o governo brasileiro tem sido criticado por sua postura em relação ao Irã. Lula enfatiza que questões internas iranianas devem ser decididas pelo povo local sem intervenções externas, ignorando relatos de repressão severa contra manifestantes.


De acordo com organizações como a Anistia Internacional, o Irã executou pelo menos 1922 pessoas em 2025, o maior número em mais de uma década, com aumento de 106% em relação a 2024.


Muitas dessas execuções ocorreram em segredo, relacionadas a crimes como tráfico de drogas e protestos políticos, afetando desproporcionalmente minorias e dissidentes. Essa repressão inclui o uso de força letal contra civis desarmados durante manifestações.


Apesar de condenações internacionais, incluindo da ONU, o governo brasileiro tem se abstido em resoluções sobre direitos humanos no Irã, priorizando relações comerciais e diplomáticas.


Enquanto o navio chinês permanece no Rio até 15 de janeiro, promovendo visitas e demonstrações de equipamentos médicos, o episódio reflete tensões mais amplas na diplomacia global.


A China continua a usar ferramentas de soft power como missões humanitárias para fortalecer laços, mas em um cenário de pressão norte-americana, o Brasil de Lula navega entre parcerias econômicas vitais e críticas internacionais por seletividade em direitos humanos.


A visita do Silk Road Arc exemplifica a estratégia chinesa de soft power na América Latina, mas também destaca riscos geopolíticos para o governo Lula em um contexto de rivalidade intensificada entre China e Estados Unidos.


Sob Trump, os EUA revigoraram a doutrina Monroe por meio da chamada Don R Doctrine, visando excluir influências não hemisféricas como a China, com ações como a intervenção na Venezuela servindo de advertência.


Essa abordagem pode pressionar o Brasil, que depende economicamente da China, seu maior parceiro comercial desde 2009, com investimentos crescentes em veículos elétricos, energia verde e infraestrutura digital.


Em 2026, designado como ano da cultura e turismo Brasil–China, espera-se aprofundamento desses laços, incluindo cooperações em economia digital e aeroespacial, mas isso pode atrair tarifas ou sanções americanas.


No front eleitoral sul-americano, vitórias de candidatos alinhados a Trump em países como Argentina e Chile contrastam com o Brasil de Lula e a Colômbia de Petro. Nas eleições colombianas de maio de 2026, o candidato progressista Ivan Cepeda lidera as pesquisas, sugerindo que o legado de Petro pode persistir, mas uma virada à direita poderia isolar ainda mais o Brasil.


Soft power ou presença militar? A visita chinesa e seus impactos


A presença militar chinesa, ainda que humanitária, pode ser interpretada como tentativa de Pequim de contrabalançar perdas regionais, elevando suspeitas em Washington. Quanto ao Irã, o superávit comercial brasileiro de 2,8 bilhões de dólares em 2025 reflete prioridades econômicas, mas o silêncio de Lula sobre a repressão atrai críticas por seletividade em direitos humanos.


Trump já anunciou tarifas de 25% contra países que negociam com Teerã, o que Lula rebateu com ameaças de reciprocidade, potencialmente escalando tensões comerciais.


Para o Brasil, equilibrar essas parcerias é crucial. Depender excessivamente da China pode comprometer autonomia, enquanto ignorar violações iranianas prejudica credibilidade internacional.


Em um hemisfério polarizado, Lula arrisca isolamento se não diversificar alianças, possivelmente impulsionando aproximações com Europa e Índia para mitigar riscos. No longo prazo, essa dinâmica pode beneficiar a China economicamente, mas expor o Brasil a instabilidades geopolíticas, demandando uma diplomacia mais assertiva e equilibrada.



 
 
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