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O Brasil ainda está longe de resolver a questão da criminalidade e letalidade policial

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • 2 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de ago. de 2025

Adauto Jornalismo Policial*
Adauto Jornalismo Policial*

A letalidade policial continua sendo um dos temas mais sensíveis da segurança pública brasileira


As opiniões das autoridades brasileiras sobre violência e letalidade policial são diversas e refletem tensões entre segurança pública, direitos humanos e políticas de enfrentamento ao crime


Aqui estão algumas visões recentes:


Especialistas em segurança pública

  • O coronel José Vicente, ex-secretário nacional de segurança pública, afirmou à CNN que há um problema sério de violência policial no Brasil, criticando o novo decreto federal sobre uso de armas por policiais. Segundo ele, o decreto “não muda quase nada” e ignora a complexidade das situações enfrentadas pelos agentes.

  • Vicente também destacou o aumento alarmante da letalidade policial em estados como Mato Grosso do Sul (160%), Santa Catarina (80%) e Distrito Federal (70%).


Pesquisadores e acadêmicos

  • O sociólogo Bruno Paes Manso, da USP, argumenta que a defesa da letalidade policial é populista e autodestrutiva, e que essa abordagem fortalece o crime organizado em vez de combatê-lo. Ele cita o massacre do Carandiru como um marco que impulsionou a criação do PCC.

  • Manso critica a ideia de que violência policial gera ordem, apontando que ela aumenta o caos e a desordem, especialmente em comunidades vulneráveis.


Organizações internacionais

  • A ONU e a Human Rights Watch têm reiterado preocupações sobre a “violência estatal” no Brasil, pedindo ao governo que adote medidas para reduzir a letalidade policial e melhore o controle externo das corporações.


Dados alarmantes

  • Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, 6.393 pessoas foram mortas por policiais no Brasil — número superior à soma de mortes causadas por policiais em 15 países do G20.

  • Mais de 75% das vítimas são negras, evidenciando o impacto do racismo estrutural nas ações policiais.


Os comentários do ministro Gilmar Mendes do STF e do Ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ampliaram o debate sobre violência e letalidade policial no Brasil, mas ainda não foram capazes de exercer algum controle da situação.


Violência policial no Brasil: autoridades se manifestam diante de números alarmantes


A letalidade policial continua sendo um dos temas mais sensíveis da segurança pública brasileira. Em 2024, só na cidade de São Paulo, 4 em cada 10 homicídios foram cometidos por policiais em serviço ou de folga, segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.


Foram 649 mortes por policiais militares em serviço e 126 por agentes fora de serviço, totalizando 775 vítimas atribuídas à ação policial.


Diante desse cenário, autoridades de diferentes esferas têm se pronunciado com preocupação crescente.


Gilmar Mendes: “O Estado não pode adotar os mesmos métodos daqueles que pretende enfrentar”


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, criticou duramente os recentes episódios de violência policial em São Paulo.


Após os assassinatos de Guilherme Dias Ferreira e Igor Oliveira, ambos mortos por policiais militares, Mendes afirmou que há uma “necessidade urgente de reflexão sobre o tema da segurança pública”.

Em suas palavras:


“A Constituição Federal de 1988 não admite atalhos punitivos. Nenhuma suspeita, por mais grave que seja, autoriza execuções sumárias. A Justiça só pode ser feita com base em provas e processos regulares”.


Ele também defendeu formação adequada para as forças de segurança, respeito aos direitos humanos e o uso de câmeras corporais como instrumento de controle e transparência.


Ricardo Lewandowski: “Não podemos compactuar com violência injustificável”

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, também se posicionou após os casos em São Paulo.


Em reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública, ele declarou que o Estado “não pode compactuar com esses atos” e que os episódios de violência policial são “inadmissíveis”, embora os considere casos isolados.


Lewandowski anunciou que o ministério está elaborando um ato normativo sobre o uso progressivo da força, priorizando o diálogo e medidas não letais.


“Queremos evitar aquilo de atirar primeiro e perguntar depois”.


Ele reforçou que as forças de segurança devem observar rigorosamente os direitos e garantias fundamentais, e que o Brasil precisa de uma polícia verdadeiramente democrática, comprometida com a legalidade e a proteção da vida.


Essas manifestações mostram que, embora haja reconhecimento da gravidade da situação, ainda há divergências sobre a abordagem e a profundidade das reformas necessárias.


A pressão por mudanças estruturais cresce, e o debate sobre o papel da polícia na sociedade brasileira segue mais urgente do que nunca.


* Com recursos de Inteligência Artificial



REFERÊNCIAS:

 
 
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