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PREVISÕES SOMBRIAS — Crise geopolítica inédita abala América Latina e coloca Brasil no centro de uma disputa global

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • 9 de set. de 2025
  • 8 min de leitura
 — Imagens/Reprodução: Exército Brasileiro não se opõe a entrada dos militares no país, civis protestam contra e a favor, o combate ao crime se torna severo, Congresso fechado e Lei Marcial é imposta.
 — Imagem meramente ilustrativa: Exército Brasileiro não se opõe a entrada dos militares americanos no país, civis protestam contra e a favor, o combate ao crime se torna severo, Congresso fechado e Lei Marcial é imposta.

Adauto Jornalismo Policial*


A morte de Nicolás Maduro, articulada por generais dissidentes, e a ascensão de um novo governo na Venezuela marcam o início de uma reconfiguração dramática no tabuleiro político sul-americano. Simultaneamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro é condenado pelo Supremo Tribunal Federal e preso, enquanto o governo brasileiro assume uma postura abertamente socialista.


Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declara o Brasil como ameaça estratégica e mobiliza o aparato militar norte-americano em estado de guerra não declarado. Sanções econômicas severas são impostas contra membros do governo brasileiro, provocando rupturas comerciais, financeiras e diplomáticas de grande escala.


Neste cenário hipotético, mas fundamentado em dinâmicas reais e estatísticas históricas, analisamos os desdobramentos políticos, econômicos e militares que poderiam emergir de uma confrontação direta entre o Brasil e os Estados Unidos. O texto a seguir explora os impactos imediatos, as estratégias de resistência e os possíveis caminhos de evolução de uma crise que redefine alianças globais e desafia a estabilidade regional.


Cenário base e premissas


É um cenário tenso e plausível como exercício. Abaixo, mapeio desdobramentos prováveis, com horizontes de tempo, mecanismos de transmissão (econômicos, diplomáticos, militares e sociais) e caminhos de evolução. Não há prescrição de ação; é análise prospectiva com incerteza explícita.


Choques imediatos (0–30 dias)


  • Mercados e moeda: Desvalorização rápida do real, abertura do CDS soberano e fuga para ativos de liquidez em dólar. Bancos restringem crédito, prêmio de risco dispara, e empresas com passivos em dólar sofrem estresse de caixa.

  • Fluxos comerciais: Interrupção logística em cadeias dependentes dos EUA (insumos industriais, software, semicondutores, serviços financeiros). Portos e companhias de seguro exigem prêmios maiores para cargas destinadas ao Brasil.

  • Sistema financeiro: Risco de sanções secundárias leva bancos internacionais a “overcompliance” (encerrando relações mesmo quando não estritamente exigido). Dificulta pagamentos, cartas de crédito e financiamento de comércio exterior.

  • Diplomacia de crise: Ativação imediata de canais com UE, China, Índia, Rússia e parceiros regionais para evitar isolamento total e assegurar linhas de suprimento crítico (combustíveis, fertilizantes, fármacos).


Economia e sanções


  • Sanções primárias e secundárias: Bloqueio a membros do governo, restrições a dívida/ações de estatais e bancos públicos, controle de exportações de tecnologia sensível, e ameaça de sanções secundárias a terceiros que transacionem com entes listados.

  • Impacto setorial:

    • Energia: Brasil é menos vulnerável em petróleo/eletricidade, mas depende de equipamentos e serviços especializados (offshore, software industrial). Refinarias podem enfrentar gargalos de aditivos e catalisadores.

    • Agro: Forte dependência de fertilizantes e defensivos importados; redirecionamento para fornecedores não-EUA aumenta custo e prazo. Exportações para mercados alternativos mitigam, mas logística encarece.

    • Indústria/tech: Semicondutores, ERPs, nuvem, hardwares críticos e licenças ficam em risco. Substituição por fornecedores asiáticos é parcial e lenta, com perda de produtividade.

  • Política macro: Banco Central sobe juros para ancorar expectativas; fiscal tende a contrair via queda de receitas e aumento de despesas anticíclicas. Intervenções cambiais e uso de reservas ajudam, mas não substituem financiamento externo.

  • Controles e compensações: Possível adoção de controles de capitais leves, programas de crédito direcionado, acordos de swap em moedas locais (CNY/INR), e pagamento em moedas alternativas para energia e insumos.


Diplomacia e alinhamentos


  • Reancoragem no Sul Global: Intensificação de BRICS/BRICS+ (clearing em moedas locais, bancos de desenvolvimento), OPEP+ para coordenação logística de combustíveis e aditivos, e acordos bilaterais com China/Índia para garantir fertilizantes e máquinas.

  • UE e países não alinhados: União Europeia tenta mediar para evitar escalada sistêmica; parte dos países europeus pode aderir seletivamente a sanções financeiras, mas reluta em medidas que prejudiquem cadeias verdes e de alimentos.

  • América do Sul: Países vizinhos equilibram neutralidade com pressões comerciais. Argentina, Uruguai e Chile priorizam continuidade de comércio e energia; corredores logísticos alternativos ganham relevância.

  • Organismos multilaterais: OEA e ONU tornam-se arenas de disputa narrativa. Qualquer “estado de guerra” declarado por potência extrarregional tenderá a ser contestado juridicamente no CSNU e AGNU.


Segurança e defesa


  • Postura militar: Aumento de prontidão, proteção de infraestrutura crítica (portos, refinarias, data centers, satélites, cabos submarinos), e dissuasão limitada focada no Atlântico Sul e espaço aéreo. Evita-se qualquer ação que legitime intervenção externa.

  • Domínios cibernético e espacial: Elevação do risco de operações de influência, disrupção de serviços em nuvem, pagamentos e telecom. Mitigação com segmentação de rede, redundância on-prem, e provedores de nuvem fora da jurisdição dos EUA.

  • Interdição econômica não cinética: País pode responder com medidas regulatórias (multas, exigências de dados locais, revisão de concessões) e restrições a ativos de empresas alinhadas às sanções, mantendo aderência ao direito interno para reduzir litigância internacional.

  • Riscos de erro de cálculo: Exercícios militares, interceptações aéreas e incidentes marítimos exigem protocolos claros e hotlines para evitar escalada inadvertida.


Sociedade e política interna


  • Polarização e protestos: A narrativa “soberania versus alinhamento” intensifica mobilizações de massa. Segurança pública protege manifestação pacífica e separa-a de sabotagem ou atos violentos.

  • Inflação e emprego: Choque de custos em combustíveis, alimentos e transáveis pressiona inflação; programas de renda e subsídios temporários aliviam, mas exigem foco em focalização para preservar âncoras fiscais.

  • Governança: Congresso e Judiciário tornam-se decisivos para balizar medidas de exceção. Transparência em contratos com novos fornecedores reduz corrupção e captura regulatória.


Caminhos de evolução (6–18 meses)


  1. Desescalada negociada (probabilidade moderada):

    • Sinais: Canais discretos via UE/países do Golfo, “licenças gerais” para alimentos/medicamentos/tech civil, compromisso de não-uso de retaliações expropriatórias.

    • Resultado: Alívio parcial das sanções, manutenção de divergências políticas, normalização financeira gradual.

  2. Impasse prolongado (probabilidade moderada-alta):

    • Sinais: Sanções estáveis, comércio redirecionado a Ásia/África, adaptação empresarial com menor produtividade.

    • Resultado: Crescimento baixo, inflação mais alta e volátil, porém sem colapso; autonomia estratégica aumenta ao custo de eficiência.

  3. Escalada limitada (probabilidade baixa, mas crítica):

    • Sinais: Ampliação de sanções secundárias, incidentes cibernéticos significativos, medidas unilaterais sobre ativos de multinacionais.

    • Resultado: Queda acentuada do PIB no curto prazo, racionamentos setoriais, risco jurídico internacional elevado. Forte incentivo externo à mediação para conter danos sistêmicos.


Indicadores a monitorar


  • Financeiros: CDS soberano, base monetária em dólar onshore, prêmios de seguro marítimo, taxas de frete, captações via CIPS/ruas alternativas.

  • Comércio real: Estoques de fertilizantes, aditivos para refino, peças de reposição críticas, tempo de desembaraço aduaneiro.

  • Tecnologia: Acesso a nuvem, licenças de software industrial, lead time de semicondutores e componentes.

  • Diplomacia: Votos em OEA/ONU, comunicados conjuntos de UE/BRICS, licenças humanitárias.

  • Sociais: Inflação de alimentos e combustíveis, desemprego setorial, frequência e natureza dos protestos.


Opções prováveis do governo brasileiro que soam hostis aos EUA (alto nível)


  • Reconfiguração econômica: Acelerar acordos de compensação em moedas locais com China/Índia/Rússia, ampliar uso de sistemas de pagamentos alternativos e reforçar bancos de desenvolvimento não ocidentais.

  • Política industrial de contingência: Substituição de importações em insumos críticos (fertilizantes, fármacos, TI), com salvaguardas temporárias e metas claras de produtividade.

  • Regulação e dados: Exigir residência de dados, interoperabilidade e auditorias em provedores críticos; priorizar fornecedores fora da jurisdição americana.

  • Diplomacia assertiva: Bloquear iniciativas contrárias no plano multilateral, articular frentes temáticas (alimentos, clima, saúde) para ampliar custo reputacional de sanções extensivas.


Cenários macro com números estimativos


Abaixo estão três cenários coerentes com o choque descrito. Os intervalos refletem incerteza inerente e pressupõem resposta de política econômica “plausível” em cada caso.


Resumo macro por cenário

Indicador (ano-calendário)

Desescalada negociada

Impasse prolongado

Escalada limitada

PIB real (var. %)

-0,5 a 0,0

-1,5 a -3,0

-4,0 a -7,0

IPCA (fim de ano, %)

6,5 a 8,5

9,0 a 13,0

15,0 a 25,0

Câmbio médio (R$/US$)

5,8 a 6,5

6,8 a 7,8

8,5 a 10,5

Balança comercial (US$ bi)

90 a 105

95 a 115

105 a 130

Conta corrente (US$ bi)

-25 a -10

-35 a -15

-40 a -20

Desemprego (fim de ano, %)

8,5 a 9,5

9,5 a 11,5

11,5 a 14,5

Observação: superávits comerciais maiores em cenários adversos decorrem de compressão de importações e redirecionamento de exportações, mas com custo de atividade e renda.

Impacto setorial estimado


Agro e alimentos


  • Produção: Queda de 0 a 2% (desescalada); 2 a 5% (impasse); 5 a 10% (escalada), puxada por insumos mais caros e gargalos logísticos.

  • Custos de insumos: Alta de 15 a 25% (desescalada); 30 a 50% (impasse); 60 a 100% (escalada) em fertilizantes, defensivos e aditivos.

  • Preços domésticos: Aumento de 8 a 12% (desescalada); 12 a 20% (impasse); 20 a 35% (escalada), com pressão maior em proteínas e derivados.


Energia e combustíveis


  • Disponibilidade de aditivos/catalisadores: Gargalo moderado (desescalada), severo (impasse), crítico (escalada), com risco de paradas pontuais de refinarias no pior caso.

  • Preços na bomba: +10 a 18% (desescalada); +20 a 35% (impasse); +35 a 60% (escalada).

  • Investimento upstream/offshore: Postergação de 10 a 20% do capex (desescalada); 25 a 40% (impasse); 40 a 60% (escalada), por custo de capital e restrições tecnológicas.


Indústria e tecnologia


  • Produção industrial: -2 a -4% (desescalada); -5 a -9% (impasse); -10 a -18% (escalada), com maior impacto em bens de capital e eletrônicos.

  • TI e nuvem: Perda de 10 a 20% de disponibilidade/licenças críticas (desescalada); 25 a 40% (impasse); 40 a 60% (escalada), exigindo migração acelerada a alternativas não norte-americanas.

  • Semicondutores e automotivo: Lead time +30 a +60 dias (desescalada); +90 a +180 dias (impasse); racionamento e paradas de linha (escalada).


Serviços e financeiro


  • Crédito privado: Spread +150 a +300 bps (desescalada); +300 a +600 bps (impasse); +700 a +1200 bps (escalada).

  • Turismo e aviação: Queda de 10 a 20% em passageiros (desescalada); 25 a 40% (impasse); 40 a 60% (escalada).

  • Pagamentos e comércio exterior: Overcompliance bancário moderado (desescalada), alto (impasse), muito alto (escalada), afetando cartas de crédito e seguros.


Hipóteses de política econômica por cenário


  • Desescalada negociada: Juros: alta de 50–150 bps; Reservas: uso de US$ 15–25 bi; Câmbio: intervenções pontuais; Fiscal: pacote focalizado de compensação (0,3–0,6% do PIB).

  • Impasse prolongado: Juros: +200–350 bps; Reservas: US$ 25–45 bi; Controles: medidas leves de capitais; Fiscal: reoneração parcial e realocação de gastos (0,5–1,0% do PIB).

  • Escalada limitada: Juros: +400–700 bps; Reservas: US$ 40–70 bi; Controles: temporários e mais abrangentes; Fiscal: colchões sociais emergenciais (1,0–1,8% do PIB) com compensações.


Cronograma de mitigação de 90 dias


Dias 0–15: Estabilização e continuidade


  • Gabinete de crise: Centro unificado com Fazenda, BC, Itamaraty, Minas/Energia, Agricultura, Defesa e Casa Civil.

  • Liquidez e câmbio: Leilões de linha e swaps; janela extraordinária de redesconto; comunicação clara de metas e instrumentos.

  • Pagamentos externos: Acordos de clearing com China/Índia; priorização de cartas de crédito via bancos não expostos a sanções secundárias.

  • Suprimentos críticos: Estoque inicial de 90 dias para fertilizantes, aditivos de refino, fármacos essenciais; fast-track aduaneiro.

  • Infra digital: Plano de contingência para nuvem e licenças críticas; ativação de instâncias on-prem e provedores fora da jurisdição dos EUA.

  • Sinalização diplomática: Pedido de “licenças gerais” para bens humanitários; canais discretos de descompressão.


Dias 16–30: Blindagem de cadeias e amortecedores sociais


  • Contratos-puente: Compras governamentais emergenciais de fertilizantes, catalisadores e APIs farmacêuticos com garantias soberanas.

  • Frete e seguros: Fundo de garantia para prêmios de seguro marítimo/aéreo; priorização de rotas alternativas (Atlântico Sul e África Ocidental).

  • Energia: Programas de eficiência e gestão de demanda; ajuste de mistura de biocombustíveis para aliviar pressão de importados.

  • Renda e preços: Benefício temporário focalizado a famílias vulneráveis, vale-gás reforçado e subsídio transitório ao diesel para logística essencial.

  • Marco jurídico: Salvaguardas e licenças temporárias (ex-tarifários, drawback emergencial), sem medidas expropriatórias.


Dias 31–60: Substituição e resiliência operacional


  • Indústria crítica: Linhas de crédito direcionadas (BNDES/FGI) para nacionalização de peças, retrofitting e redesign de produtos.

  • TI e compliance: Migração de ERPs e colaboração para alternativas compatíveis; certificação acelerada de fornecedores asiáticos/europeus.

  • Agro: Plano de plantio com menor dependência de NPK importado (otimização de doses, remineralizadores, logística interna de potássio).

  • Finanças públicas: Rebalanceamento orçamentário, preservando investimentos de alto multiplicador; revisão de renúncias ineficientes.

  • Comunicação: Painel público semanal de estoques e prazos, reduzindo corrida a produtos e ataques especulativos.


Dias 61–90: Normalização parcial e travas anticrise


  • Acordos de médio prazo: MoUs plurianuais para fertilizantes, combustíveis e ferramental industrial com China, Índia, países do Golfo e África.

  • Mercado de capitais: Emissão externa em moeda local com liquidação alternativa; títulos atrelados à inflação para alongar dívida doméstica.

  • Segurança cibernética: Redundância de backbones, segmentação de redes críticas, SOC unificado governo-estatais.

  • Governança e auditoria: Portal de transparência de contratos emergenciais; comitês independentes de acompanhamento para reduzir risco de captura.

  • Descompressão diplomática: Roadmap para remoção faseada de sanções em troca de garantias verificáveis (jurídicas e regulatórias).


Notas e pressupostos


  • Base de comparação: Trajetória pré-choque com crescimento ao redor de 2%, IPCA em 4,5–5,5% e câmbio médio em 5,0–5,2 R$/US$.

  • Elasticidades: Importações reagem mais rápido que exportações; repasse cambial a preços é elevado em combustíveis e transáveis.

  • Riscos de cauda: Interrupções de TI/semicondutores e incidentes cibernéticos podem piorar o cenário “escalada” em 1–2 p.p. de PIB adicional.

  • Upside: Licenças humanitárias amplas, mediação europeia e swaps multilaterais podem melhorar “desescalada” em ~0,5 p.p. de PIB e -2 p.p. de IPCA.



* With AI Copilot support provided by Microsoft


 

REFERÊNCIAS:

                 

 
 
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