top of page

SEGURANÇA PÚBLICA — Uma análise estatística da violência urbana no Brasil

  • Foto do escritor: José Adauto Ribeiro da Cruz
    José Adauto Ribeiro da Cruz
  • 11 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de ago. de 2025

   — Imagem/Reprodução: As 10 cidades mais violentas do Brasil em 2023.
— Imagem/Reprodução: As 10 cidades mais violentas do Brasil em 2023.

O que torna um lugar perigoso para viver?


Adauto Jornalismo Policial*


Quando pensamos em lugares perigosos, é comum associarmos imediatamente a crimes como homicídios, assaltos e violência sexual. Embora esses delitos ocorram em todo o mundo, sua intensidade varia significativamente entre regiões. No Brasil, essa variação é capturada por indicadores como a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) — que inclui homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.


Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, baseado em dados de 2023, o país registrou uma média de 22,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, uma redução de 3,4% em relação ao ano anterior. No entanto, algumas cidades ultrapassam esse índice em múltiplos, revelando cenários críticos de violência.


As 10 cidades mais violentas do Brasil em 2023

A lista abaixo considera apenas municípios com mais de 100 mil habitantes. A taxa representa o número de MVIs por 100 mil habitantes:

Cidade

Estado

MVI

Variação Anual

Fatores Contribuintes

Santana

Amapá

92,9

+88,2%

Disputa pelo porto e aumento de mortes por intervenção policial

Camaçari

Bahia

90,6

+10,3%

Conflitos entre facções e violência urbana

Jequié

Bahia

84,4

-5%

Rota do narcotráfico e presença do crime organizado

Sorriso

Mato Grosso

77,7

+10,3%

Expansão urbana desordenada e facções criminosas

Simões Filho

Bahia

75,9

-13,1%

Histórico de violência e assassinato de liderança quilombola

Feira de Santana

Bahia

74,5

+8,8%

Segunda maior cidade do estado, com alta taxa de homicídios

Juazeiro

Bahia

74,4

+9%

Disputas entre traficantes e crimes chocantes

Maranguape

Ceará

74,2

+85,7%

Guerra entre facções (PCC, GDE, Comando Vermelho)

Macapá

Amapá

71,3

+1,9%

Única capital entre as 10 mais violentas

Eunápolis

Bahia

70,4

+25%

Retorno ao ranking após queda em anos anteriores


Tendências regionais e fatores estruturais

  • Bahia domina o ranking com 6 das 10 cidades mais violentas, refletindo a atuação intensa de facções criminosas e desafios na segurança pública.

  • Regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de violência, com taxas até 60% superiores à média nacional.

  • Disputas territoriais entre facções, ausência de políticas públicas eficazes, desigualdade social e letalidade policial são os principais vetores da violência.


Grandes cidades fora do topo

Curiosamente, metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro não aparecem entre as mais violentas. Isso se deve à alta densidade populacional, que dilui a taxa de MVI, apesar dos números absolutos de mortes serem elevados.


Vamos aprofundar a análise estatística e estrutural da violência urbana no Brasil com base nos dados mais recentes e nas principais variáveis explicativas.


Panorama da Violência Urbana no Brasil: Fatores Estruturais e Dinâmicas Criminais

A violência urbana no Brasil é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores estruturais, sociais e institucionais. A seguir, destrinchamos os principais elementos que explicam os altos índices de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) em determinadas cidades.


Fatores Estruturais da Violência

Segundo o Brasil Escola e o Mundo Educação, os principais fatores que agravam a violência urbana são:

  • Desigualdade socioeconômica: Má distribuição de renda, pobreza extrema e falta de acesso a direitos básicos como saúde, educação e moradia.

  • Segregação urbana: Expansão desordenada das cidades gerou bolsões de pobreza com infraestrutura precária.

  • Falta de oportunidades: Altas taxas de desemprego e subemprego tornam jovens vulneráveis à coação por facções criminosas.

  • Histórico de exclusão racial: 70% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, com risco 3,8 vezes maior de morte por intervenção policial.

  • Ausência de políticas públicas eficazes: Falta de investimento em segurança cidadã, prevenção e inclusão social.


Disputas territoriais entre facções

O Atlas da Violência 2024 revela que a atuação de facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) está diretamente ligada ao aumento da violência:

  • Expansão nacional: PCC e CV atuam em todos os estados brasileiros, muitas vezes em disputa direta por controle de rotas de tráfico e territórios urbanos.

  • Facções locais: Grupos como GDE (Guardiões do Estado), Família do Norte e Bonde dos 13 intensificam os conflitos regionais.

  • Ruptura de acordos: Tentativas de trégua entre facções falham devido a interesses territoriais e autonomia das lideranças locais.

  • Exemplos críticos:

    • Maranguape (CE): guerra entre PCC, CV e GDE.

    • Santana (AP): disputa pelo porto e presença de facções locais violentas.


Letalidade Policial como componente da violência

A letalidade policial é outro fator estatisticamente relevante:

  • Em 2023, 6.393 pessoas morreram em ações policiais, sendo 83% negras.

  • A taxa nacional foi de 3,2 mortes por intervenção policial por 100 mil habitantes, mas em cidades como Jequié (BA), esse número chegou a 55,2% das MVIs.

  • A letalidade policial cresceu 188,9% em uma década, enquanto as MVIs caíram 27,7% no mesmo período.

  • Estados com maior letalidade: Amapá (23,6 por 100 mil), Bahia (12,0), Sergipe (10,4).


Correlações e implicações estatísticas

  • Cidades com alta taxa de MVI tendem a apresentar:

    • Presença de facções em disputa

    • Alta letalidade policial

    • Baixo IDH e infraestrutura precária

  • Grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro têm números absolutos altos, mas taxas menores devido à grande população.

Se quiser, posso montar gráficos comparativos por estado, por tipo de violência, ou até uma análise preditiva com base em tendências. Quer seguir por esse caminho?


* Com recursos de Inteligência Artificial


  

REFERÊNCIAS:

 
 
bottom of page