Valadão Versus Valadão — Entre Identidade e Legado
- há 18 horas
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Adauto Jornalismo* com o canal @AdautoRibeiroReporter @M.GOSPEL1
Olá para você que acompanha o canal M.Gospel. Nesse vídeo você vai ver Ana Paula Valadão e Nívia Soares em conversa já demonstrando não estar mais satisfeitas com o modo de funcionamento da Igreja Batista da Lagoinha.
Hoje nas igrejas, segundo elas, há pessoas dizendo que você deve se sentar à mesa apenas com pessoas maiores do que você, algo que chamaram de “Bíblia dos coaches”.
Ana Paula questiona: existe algum evangelho que descreve Jesus sentado à mesa com alguém maior do que ele? Isso nem seria possível. Jesus estava sempre cercado de pessoas menores, pobres, problemáticas, que não tinham nada para oferecer.
Ana Paula já dava muitas indiretas para André Valadão, mas ninguém percebia. Ela dizia que muita gente vivia às custas do bom nome do pai, mas que se não construíssem sua própria trajetória, isso não duraria muito. A conversa segue com reflexões sobre amizade verdadeira e sobre como muitas igrejas hoje não pregam a palavra de forma profunda. Nívia comenta que é difícil ver a apostasia, pessoas queridas que colheram muito e depois se afastaram, mas consola ver quem permanece firme em Jesus.
As duas criticam a busca por amizades com interesses econômicos dentro das igrejas, afirmando que muitos estão ali para fazer “network de business” e não para viver o evangelho. Para elas, esse tipo de interesse deveria estar em reuniões de empresários, não na igreja. Ana Paula lembra que o poder econômico pode vir de Deus, mas também pode não vir, e que há motivações que são honradas pelos homens, mas que causam náusea em Deus.
Elas reforçam que os verdadeiros amigos não precisam ser ricos, mas sim amigos de Jesus. A Bíblia cita mulheres ricas que sustentaram o ministério de Cristo, mas também lembra que nem muitos são chamados de nobre nascimento. Jesus orienta que, ao fazer um banquete, não se deve chamar os ricos e abastados, mas sim os pobres e aqueles que não podem recompensar. O evangelho é servir, e aquele que quiser ser o maior deve ser o primeiro a servir.
Segundo elas, muitas igrejas hoje estão cheias de pregações voltadas apenas para esta vida, sem esperança da glória. Não se fala das tribulações que produzem o eterno peso de glória. O resultado é que muitos crentes voltam para casa frustrados, achando que a “fórmula” não funciona, porque continuam lidando com suas dores. A resposta, dizem, está no amanhã que nos aguarda, pois este mundo é um mundo de aflições e perseguições.
Nós vivemos essa tensão do “já e do ainda não”. Ainda enfrentamos enfermidades, mas naquele dia não haverá mais nenhuma. Podemos ser curados hoje? Sim, podemos. Mas como fica o crente que só ouve que sua cura é certa, que sua prosperidade aqui na terra é garantida? Esse é um evangelho voltado apenas para esta vida. Jesus, no entanto, disse algo que ecoa profundamente: “Este evangelho do reino será pregado em todas as nações e então virá o fim”.
A questão que se coloca é: será que o evangelho do reino está sendo pregado em todas as nações neste momento? Será que é o evangelho do reino que está sendo anunciado nos nossos púlpitos? O evangelho do reino anuncia um reino que há de vir, que consumirá todos os impérios da terra. Todos os reinos humanos cairão, todo egoísmo humano será derrubado, e todos os projetos que não foram firmados em Cristo ruirão. O reino de Jesus prosperará sobre todos os impérios deste mundo.
As pessoas precisam entender que esse evangelho não é “aguinha com açúcar”, como alguns dizem, nem “Nutella”. É preciso um “chá de raiz”, um evangelho raiz, como brincam. É fácil olhar para referenciais ruins e perder a esperança, dizendo que não vão mais à igreja porque todos são hipócritas. Mas é necessário olhar para aqueles que são verdadeiros, para aqueles que permanecem, e renovar as forças para alcançar aquilo que esperamos.
Muitos ainda acreditam que Ana Paula Valadão e sua família fazem parte da Lagoinha, mas há mais de dez anos ela tem seu próprio ministério, a Igreja Diante do Trono. Em seu relato, ela fala sobre a saída e como foi difícil tomar essa decisão. Houve muito conflito, dor e incompreensão, mas ela e sua família foram obedecendo à direção de Deus, assim como Abraão, que não tinha todas as explicações da jornada, mas obedecia.
Ana Paula lembra que seu pai a abençoou em todas as decisões, mesmo com dor. Ela, Gustavo e Zenete já vinham elaborando o que Deus estava falando, e participaram da plantação da Lagoinha Orlando com Dedé, algo que não foi planejado, mas conduzido sobrenaturalmente. André Valadão os desafiou, e naquela madrugada Deus falou claramente com eles. Na manhã seguinte, desceram para o sul da Flórida para sondar a terra e buscar em oração o chamado para a nova igreja.
Ana Paula Valadão contou que, após meses de oração e reflexão junto com Gustavo e Zenete, chegou o momento de conversar pessoalmente com seu pai, o pastor Márcio Valadão, sobre a decisão de iniciar a Igreja Diante do Trono. Ela lembra que estava hospedada na casa de amigos em Brasília, durante um evento chamado Ação Brasil, e que vivia a tensão de quando e como abordar o assunto. Um profeta teve um sonho em que seu pai lhe entregava um bolo, e ela interpretou aquilo como um sinal de que receberia a bênção dele.
No último dia antes de ir para o aeroporto, Ana Paula finalmente falou com o pai. Tremendo, disse que ela e Gustavo tinham uma identidade própria, um jeito de fazer as coisas, e que sentiam que Deus os chamava para algo novo. Reforçou que Gustavo havia sido braço direito de Márcio por 14 anos, sempre com caráter íntegro, honra e submissão, e que a decisão não era para ferir o coração dele, mas sim para obedecer ao chamado divino.
Ela explicou que se viam como um ramo do tronco da árvore que é o ministério de Márcio Valadão, carregando a seiva e os ensinamentos recebidos. Disse que praticamente tudo que aprenderam no ministério veio dele, e que agora, ao “calçar os sapatos do pai”, compreendiam o peso e as dificuldades que antes não entendiam.
Ana Paula pediu a bênção para que pudessem consolidar a Igreja Diante do Trono, lembrando que já tinham o seminário de formação pastoral, missionária e de adoradores (CTMDT), além de projetos missionários próprios, sempre ligados ao Diante do Trono. Apesar de toda a dor envolvida, o pastor Márcio os abençoou, reconhecendo que aquele era o tempo de seguirem com a identidade que Deus havia dado ao ministério deles.
Ana Paula relatou que, ao conversar com seu pai sobre a decisão de iniciar a Igreja Diante do Trono, ele ficou em silêncio por alguns instantes e depois disse apenas: “Eu só te peço uma coisa, filha: deixa a pombinha do lado do D.” Ela respondeu prontamente que jamais tiraria a pombinha, símbolo que sempre acompanhou o ministério.
Márcio Valadão chegou a visitar a nova igreja quando ela começou, e mesmo após a pandemia, quando as fronteiras foram reabertas, esteve presente novamente. Ele foi até o local alugado com muita dificuldade pela família, orou com eles para que conseguissem as permissões da cidade e sempre ofereceu respaldo espiritual, mesmo diante da dor da separação.
Ana Paula destacou a humildade do pai e disse que, ao se afastar institucionalmente, ganhou algo precioso: um pai que não é patrão. Para ela, foi libertador perceber que Márcio podia ser apenas pai, sogro e avô, sem a tensão de também ser líder direto. Essa mudança trouxe leveza e eliminou pressões, permitindo que cada um seguisse sua jornada com liberdade.
Ela refletiu que a vida adulta dos filhos deve ser marcada por escolhas livres, e que sua maior alegria é ouvir que seus filhos caminham na verdade. Lembrou ainda que sempre honrou pai e mãe, e que honrar não significa carregar um rótulo ou placa de igreja, mas viver em essência aquilo que aprendeu.
Zenete, amiga próxima, reforçou que honrar o pai não é ter o nome “Lagoinha” na fachada, mas sim continuar servindo a Jesus com fidelidade. Ana Paula também destacou que tanto ela quanto André e Mariana vivem fora, e que muitas pessoas interpretam isso como abandono ou ruptura. No entanto, seus pais os criaram para levar o nome de Jesus, e é exatamente isso que fazem.
Ela concluiu dizendo que, apesar das especulações e conspirações que surgem, não houve briga nem afastamento do evangelho. Ao contrário, todos continuam honrando seus pais e servindo a Cristo, frutos da dedicação de Márcio e da missão que receberam desde o início.
Ana Paula encerrou sua fala reforçando que o corpo de Cristo não está dividido, apesar das interpretações equivocadas que muitas vezes surgem. Ela contou que uma irmã, em oração, disse que do ventre de sua mãe nasceram três tribos, e comparou isso à descendência de Jacó, que originou as doze tribos de Israel, cada uma com uma palavra de bênção específica. Para ela, é assim também com sua família: ela e Gustavo representam uma tribo, André e Ciani outra, e Mariana e Felipe uma terceira.
Ana Paula destacou que, como em qualquer família, nenhum irmão é igual ao outro, mas todos carregam o mesmo DNA espiritual. Essa diversidade não significa divisão, mas sim riqueza e respeito. Cada um constrói sua própria trajetória com características próprias, destino e bênção, sempre sob a cobertura da palavra do Pai.
Ela concluiu afirmando que é lindo ver o que cada família está edificando, cada uma com sua identidade, mas todas unidas pelo mesmo propósito em Cristo. O corpo não está fragmentado, mas fortalecido pela diversidade que enriquece a missão.

