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A morte de El Mencho e o risco de intervenção norte-americana no Brasil

  • há 6 horas
  • 4 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: ATAQUES DOS EUA CONTRA INSTALAÇÕES NO BRASIL? TENSÃO AUMENTA NA REGIÃO APÓS MEXICO E MADURO.

Brasil está na lista. Ação bem coordenada do governo americano em conjunto com o exército mexicano, que derrubou o maior líder de cartel daquele país, gera uma disputa maior com facções criminosas brasileiras e também abre um precedente cada vez mais próximo de um ataque norte-americano.


Também dentro do Brasil, contra cartéis e facções criminosas em uma operação em conjunto com exército brasileiro, vale lembrar que a Agência Central de Inteligência Americana já está no Brasil. A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do cartel Jalisco Nueva Generacion, marcou um dos capítulos mais intensos na luta contra o narcotráfico no México.


A operação militar, que resultou em sua queda, realizada em fevereiro no município de Itapalupa, no estado de Jalisco, foi um esforço coordenado entre o exército mexicano e agências de inteligência dos Estados Unidos. Essa ação, celebrada como um triunfo tático pelas autoridades dos dois países, desencadeou uma onda de violência que expôs a resiliência e o poderio do cartel, deixando dezenas de mortos e paralisando regiões inteiras do país.


No entanto, além dos impactos imediatos no México, o evento levanta preocupações sobre o fortalecimento de grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital, e estabelece um precedente perigoso para intervenções estrangeiras na América Latina. A operação que levou à morte de El Mencho foi o resultado de meses de vigilância conjunta.


Forças especiais mexicanas, apoiadas por dados de inteligência fornecidos pelos Estados Unidos, rastrearam o narcotraficante até uma cabana isolada na região montanhosa de Itapalupa. Durante o confronto, El Mencho foi baleado enquanto tentava fugir e morreu durante o traslado para a Cidade do México. Ele era considerado um dos criminosos mais procurados do mundo, com uma recompensa oferecida pelos Estados Unidos por informações que levassem à sua captura.


O cartel, fundado em dois mil e nove, expandiu-se rapidamente para além do tráfico de drogas como cocaína, metanfetamina, heroína e fentanil, incorporando atividades como extorsão, roubo de combustível, tráfico de pessoas e mineração ilegal na América do Sul. Sua estrutura paramilitar, equipada com drones, explosivos improvisados e veículos blindados, permitia desafios diretos ao Estado mexicano, como o atentado contra o secretário de segurança pública, Omar Garcia Harfuch, em dois mil e vinte.


A reação do cartel à morte de seu líder foi imediata e brutal, transformando o México em um cenário de caos generalizado. Em retaliação, membros do cartel Jalisco Nueva Generacion bloquearam estradas, incendiaram veículos e comércios e promoveram tiroteios em pelo menos sete estados, incluindo Jalisco, Michoacan, Guanajuato, Guerrero, Puebla, Sinaloa e áreas turísticas como Porto Vallarta.


No aeroporto internacional de Guadalajara, relatos de disparos e presença de homens armados geraram pânico entre passageiros, levando à suspensão temporária de operações. O saldo de vítimas ultrapassou dezenas de mortos, incluindo membros da Guarda Nacional Mexicana, além de civis e supostos integrantes do cartel.


O governo mexicano, sob a presidência de Cláudia Shinba, mobilizou milhares de tropas adicionais para conter a escalada, mas analistas destacam que essa resposta expôs a capacidade de mobilização nacional do cartel com células dispersas atuando de forma coordenada. Especialistas como David Mora do Crisis Group afirmam que o cartel demonstrou sua presença em regiões disputadas com rivais como o cartel de Sinaloa e sua disposição para ações de alto impacto político.


Com a morte de El Mencho, que exercia uma liderança personalista e centralizada, o cartel enfrenta um vazio de poder que pode levar a uma fragmentação ou a disputas internas sangrentas. Sem um sucessor claro, nomes como Hugo Gonzalo Mendoza Gaitan, conhecido como El Sapo, responsável por campos de treinamento e recrutamento, onde foram encontrados restos humanos em valas clandestinas, e Júlio Alberto Castilho Rodriguez, El Chorro, genro de El Mencho e operador logístico no porto de Manzanilho, emergem como candidatos. Outros, como Audias Floris Silva, o Jardineiro, responsável por logística em múltiplos estados, também são mencionados por agências mexicanas e americanas.


Analistas preveem uma possível balcanização do grupo, similar ao que ocorreu com o cartel de Sinaloa após a prisão de líderes como Joaquim Guzman, El Chapo, o que poderia intensificar a violência homicida no México e permitir que rivais avancem sobre territórios controlados pelo cartel Jalisco Nueva Generacion. Um dos impactos mais significativos dessa desestabilização pode ser o fortalecimento do Primeiro Comando da Capital, a maior facção criminosa do Brasil, na disputa por rotas de drogas para a Europa.


O cartel Jalisco Nueva Generacion atuava intensamente no tráfico de cocaína e drogas sintéticas via portos sul-americanos, com conexões na Colômbia, Venezuela e Equador, além de mineração ilegal de ouro e comércio de mercúrio na Amazônia. Com a fragmentação do cartel mexicano, especialistas como Roberto, ex-policial e pesquisador da Universidade de Coimbra, argumentam que o Primeiro Comando da Capital está bem posicionado para ocupar esse vácuo.


Diferentemente dos cartéis mexicanos com estruturas verticais e suscetíveis a decapitações, o Primeiro Comando da Capital opera como uma corporação descentralizada, com uma cúpula coletiva que resiste a prisões de líderes como Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola. Essa resiliência permite que o grupo brasileiro mantenha e expanda rotas transatlânticas para a Europa, via África Ocidental, alcançando margens de lucro elevadas, sem os confrontos diretos com o Estado que caracterizam os mexicanos.


Além disso, na Amazônia, o Primeiro Comando da Capital poderia assumir papéis de logística e lavagem de dinheiro em garimpos ilegais, consolidando sua hegemonia na América do Sul. Essa operação conjunta entre México e Estados Unidos, embora bem-sucedida em eliminar uma figura chave, estabelece um precedente perigoso para a soberania na América Latina.


A participação ativa dos Estados Unidos, incluindo inteligência e pressão diplomática sob o governo de Donald Trump, evoca memórias de intervenções históricas, como a invasão do Panamá em mil novecentos e oitenta e nove para capturar Manuel Noriega, acusado de narcotráfico. Recentemente, Trump intensificou esforços contra cartéis, designando grupos como o Tren de Aragua e Mara Salvatrucha como organizações terroristas, o que facilita ações militares extraterritoriais.


No México, isso se manifestou em pressões para operações conjuntas contra laboratórios de fentanil rejeitadas pela presidente Cláudia Shinba em defesa da soberania. Para o Brasil, esse modelo poderia facilitar intervenções similares com os Estados Unidos colaborando com as Forças Armadas Brasileiras, contra facções como o Primeiro Comando da Capital, especialmente em rotas amazônicas ou portos como Santos e Paranaguá.


Analistas alertam que tal abordagem reacende a doutrina Monroe, priorizando a influência dos Estados Unidos na região como reserva política preferencial, potencialmente justificando incursões sob o pretexto de combate ao narcoterrorismo.





 
 
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