Possível guerra entre Estados Unidos e Irã — Alvos estratégicos e resistência ideológica do regime iraniano
- há 2 horas
- 6 min de leitura
Adauto Jornalismo* mais Inteligência Artificial e o canal @AdautoRibeiroReporter com a @ZonaZeroBrasil
Nesse vídeo bombardearam quatro instalações nucleares dentro do Irã. Desta vez, onde será o ataque? Creio que veremos muitas operações de assassinato e haverá um esforço israelense bastante significativo.
Nós também vimos aviões furtivos pousando em Israel, além de especialistas e soldados americanos em Israel. Se o objetivo também for derrubar o regime, então haverá ataques a instalações da Guarda Revolucionária, do Basig, a centros governamentais, ao centro do líder supremo. Seriam atacadas instalações do regime para provocar desestabilização e derrubá-lo. Esse regime tem mísseis e se continuar lançando esses mísseis até o último momento, além de drones e outras coisas, vai considerar que venceu.
Embora os Estados Unidos possam ter destruído, ou seja, muitas instalações e as forças iranianas tenham sofrido perdas, o objetivo é obrigar o regime a mudar suas posições, mudar seu comportamento, eliminar o programa nuclear, impor um limite às suas capacidades de mísseis e interromper o apoio a esses braços. Quanto ao que restar das instalações nucleares, esses são os alvos principais. Sim, porque estão entre os pontos visados. O problema é o programa de mísseis e o programa nuclear, e, portanto, serão alvos naturais. Trata-se de um regime que pensa de maneira ideológica e não de um modo tradicional para recuar.
Estamos no estúdio com o consultor da Al Hadf em temas militares e armamentos, Riad Kawagi. Vamos às estimativas mais recentes da inteligência americana, segundo o Wall Street Journal, que dizem que o Irã não é capaz da criação de mísseis de longo alcance intercontinentais, como diz Washington, e ainda questiona quais seriam as justificativas dos Estados Unidos para lançar qualquer operação contra esses mísseis.
Qual é a precisão do que foi noticiado pelo Wall Street Journal? Ou seja, é precisa e imprecisa ao mesmo tempo. É precisa no sentido de que qualquer país que alcance o nível de lançar foguetes capazes de transportar satélites para o espaço. Isso estabelece um programa de mísseis balísticos intercontinentais não é necessariamente preciso do ponto de vista do cronograma e dos desafios tecnológicos que acompanham todo o processo de alcançá-lo.
Sobre a fabricação de mísseis balísticos intercontinentais. Sim, mísseis balísticos de curto ou médio alcance de até dois mil a dois mil e quinhentos quilômetros podem ter um ou dois estágios. Isso é diferente dos mísseis intercontinentais, que geralmente têm três estágios e também exigem uma precisão maior nas ogivas. Quer dizer, ela consegue percorrer distâncias tão grandes e ainda assim chegar ao alvo com precisão, isto é, com uma precisão de alta qualidade mesmo. E por isso existe essa necessidade de mais tempo. A Coreia do Norte é um exemplo.
Ela iniciou programas e se dizia que não possuía esses programas mais avançados, tendo apenas mísseis balísticos mais comuns. No entanto, com o passar do tempo, hoje a Coreia do Norte possui mísseis intercontinentais, porém foi um processo que levou de vinte a trinta anos para chegar a este estágio. E, portanto, o relatório do Wall Street Journal é preciso no sentido de que desafios técnicos fazem com que a missão exija cerca de dez anos. Assim, não se trata de uma ameaça atual, mas pode vir a se tornar uma ameaça após uma década.
Pois bem, ainda sobre o artigo do Wall Street Journal, ele também mencionou que o Irã, na prática, não consegue realmente fazer frente aos Estados Unidos da América, porém ela consegue prolongar a guerra. Até que ponto isso também poderia ser do interesse do governo Trump e do interesse do Irã? Quer dizer, o Irã tem esse fôlego para conduzir uma guerra prolongada e o que enfrentaria se não fosse capaz?
Esse é um assunto muito delicado. A questão aqui é: se os Estados Unidos desferirem ataques dolorosos e destruíssem várias instalações, isso levaria esse regime a se render? Esse regime entende que sua permanência e a sua resistência, mesmo que a maior parte do Irã seja destruída, já seriam suficientes. Com um simples término ou cessar fogo, ele diria: "Eu continuei vivo". Ele considera uma vitória o fato de ter enfrentado os Estados Unidos e ele não acabou se rendendo, certo?
O que o Irã teria para prolongar a guerra? Como? Por que mecanismo ele prolongaria? A forma de pensar do regime é, no fundo, a de um regime ideológico, como o Hezbollah, por exemplo. Apesar de todas essas perdas que sofreu no Líbano, ele considera que venceu. Para o Irã é a mesma coisa. Trata-se de um regime que pensa de maneira ideológica e não de um modo tradicional para recuar. E é daí que vem essa armadilha. Quer dizer, esse regime tem mísseis e se continuar lançando esses mísseis até o último momento, além de drones e outras coisas, vai considerar que venceu.
Embora os Estados Unidos possam ter destruído, ou seja, muitas instalações e as forças iranianas tenham sofrido perdas, perdas devastadoras nesta guerra. Ele considerará sua permanência, continuidade e a não queda do regime como uma vitória. E assim, os Estados Unidos teriam travado uma guerra longa que lhes custou dinheiro e talvez haja perdas e no fim acabe não resultando em nada. E é daí que vem essa possibilidade da qual alguns analistas nos Estados Unidos têm algum receio.
Pois bem, quer dizer, há muitos objetivos interligados. Francamente, falam em atacar instalações nucleares e, novamente, atacar o programa de mísseis. Os relatórios também mencionaram algo em torno de cem plataformas de lançamento que Teerã possui caso esse ataque venha mesmo a ocorrer, qual seria o principal objetivo que ele buscaria alcançar? Seria, por exemplo, provocar uma paralisação das capacidades iranianas, ainda que de um modo que não lhes permitisse reagir naquele momento.
O importante é qual é o objetivo desta guerra? Deve haver um objetivo estratégico. O objetivo é obrigar o regime a mudar suas posições, mudar seu comportamento, eliminar o programa nuclear, impor um limite às suas capacidades de mísseis e interromper o apoio a esses braços. Esse é o objetivo básico da guerra. Então, como é possível alcançar esse objetivo? No terreno? O objetivo desta guerra é mudar e obrigar esse regime, modificar esse objetivo. Ou o regime dirá: "Eu me rendi e vou aceitar estas condições". Ou então o regime será efetivamente derrubado. Não haverá, isto é, nenhuma outra opção, a não ser derrubar o regime. Então essa guerra vai conseguir provocar isso? Essa é a pergunta.
Estou falando do objetivo. A primeira ação militar, ou seja, o primeiro ataque contra o que ele seria direcionado. Da última vez as coisas estavam claras. Bombardearam quatro instalações nucleares dentro do Irã. Desta vez, onde será o ataque? Seria para provocar talvez uma paralisação primeiro nas comunicações ou na eletricidade? As plataformas de lançamento de mísseis ou o programa de mísseis. O início das guerras sempre começa com a destruição dos sistemas e equipamentos, do alerta antecipado, ou seja, das plataformas de radar e das plataformas de defesa aérea, porque se deseja alcançar um controle aéreo total para que não haja qualquer ameaça às aeronaves a partir do solo.
Haverá a destruição das defesas aéreas e das plataformas de radar. Eles destruirão também as pistas das bases aéreas para impedir que qualquer aeronave consiga decolar e enfrentar outras aeronaves. Em seguida, passarão então para os alvos estratégicos, indo atrás dos mísseis balísticos, caso existam fábricas e capacidades de alcance e de ataque àquilo que é chamado de cidade dos mísseis balísticos.
Israel assume papel central em possíveis ataques contra o Irã
E quanto ao que restar das instalações nucleares, esses são os alvos principais. Sim, porque estão entre os pontos visados, ou seja, o problema é o programa de mísseis e o programa nuclear e, portanto, serão alvos naturais.
Se o objetivo também for derrubar o regime, então haverá ataques a instalações da Guarda Revolucionária, do Basig, a centros governamentais, ao centro do líder supremo, seriam atacadas instalações do regime para provocar desestabilização e derrubá-lo.
Bem, o que também chama a atenção desta vez é que Israel está falando sobre participação nesses ataques. Nós também vimos aviões furtivos pousando em Israel, além de especialistas e soldados americanos em Israel. Qual é o papel atribuído a Israel militarmente aqui em qualquer ataque esperado dos Estados Unidos?
Israel vai ter um papel fundamental. É Israel. É, ela possui uma capacidade de inteligência muito forte em campo. Nós vimos isso na guerra dos doze dias. Claro que isso será muito explorado. Agora, ela vai se concentrar principalmente em atingir instalações de lançamento de mísseis que ameaçariam sobretudo Tel Aviv. Ou seja, esse é o grande problema que vimos na guerra dos doze dias. Houve grandes danos dentro de Tel Aviv e consequentemente em Israel.
Concentrar-se-á em realizar ataques preventivos com o objetivo de destruir plataformas de lançamento de mísseis, a fim de impedir ou ao menos limitar ataques vindos do Irã em direção a Israel. Além disso, há um ponto importante. Creio que veremos muitas operações de assassinato e haverá um esforço israelense bastante significativo nesse contexto, porque deve haver um trabalho voltado a preparar movimentações internas, ou seja, destruir concentrações, moradias e instalações do Basig, da Guarda Revolucionária e de outros, de modo a facilitar de forma mais ampla as operações ou as movimentações internas, objetivos simultâneos que visem a derrubada do regime, que é o objetivo desejado.
Muito obrigado. O senhor esteve aqui no estúdio conosco, o consultor do Alad em Assuntos Militares e Armamentos.

