CRIMES POLICIAIS — Com apoio político e comando firme, “coronel matador” acumula 84 mortes em dois anos
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 15 de ago. de 2025
- 4 min de leitura

Adauto Jornalismo Policial*
Na PM SP desde 1993, o coronel Sabino é defensor dos modelos tradicionais da corporação e defende que a PM SP não deve desempenhar trabalhos sociais e, sim, “combater o crime”.
Em entrevista à Jovem Pan, em maio de 2025, após assumir o comando do CPI-9, ele disse que acredita “que a Polícia não pode ser desviada de suas funções […] se você pegar a origem da Polícia, ela foi criada para restringir direitos e fiscalizar quem transcendia as leis.”
No caso do assassinato de Gabriel Silva, mesmo com a repercussão negativa e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) ter apontado que ele se revoltou pelas agressões contra sua esposa, o coronel Sabino saiu em defesa de seus agentes: “o policial militar não sai de casa para apanhar na rua e muito menos para perder sua vida [ou] trocar socos com quem quer que seja.
Toda agressão contra o policial militar em serviço deve ser encarada como um atentado à sua vida. O policial militar é treinado para avaliar as circunstâncias e voltar vivo para casa”, disse o coronel em um vídeo publicado em sua conta no Instagram.
Em 2014, quando ainda era sargento da PM, Sabino foi alvo de denúncia do Ministério Público, após um torcedor do clube XV de Piracicaba ser espancado por policiais sob sua supervisão. Na época, a Justiça de São Paulo absolveu “sumariamente” todos os PMs envolvidos, mas o caso foi reaberto pelo STJ em fevereiro de 2024.
Polícia Militar SP: Batalhões comandados por coronel Sabino mataram 84 pessoas em 2 anos
A Pública teve acesso aos autos do processo. Na denúncia do promotor Tiago Essado, em agosto de 2015, consta o pedido de “condenação, aplicação dos efeitos previstos no 5º do art. 1º da Lei 9.455/97, entre eles a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada”.
Após a determinação do STJ, a Justiça de São Paulo enviou o caso para a Justiça Militar, onde o processo tramita.
Alinhamento com Tarcísio e proximidade com Derrite
“Combatendo o crime e protegendo a população do estado de São Paulo e se tem alguém que sabe fazer isso com propriedade, chama-se coronel Sabino”, disse o secretário de segurança paulista, Guilherme Derrite, que tem um histórico de discursos em defesa de policiais, mesmo em casos de violência. A fala foi proferida em março deste ano, durante o evento de posse de Sabino como novo comandante do CPI-9, um mês após ele assumir o posto.
O novo cargo de comandante do CPI-9 é mais uma função no currículo do coronel Sabino, que ostenta posições de destaque no comando dos policiais da ativa, desde que o secretário Derrite assumiu o posto, em janeiro de 2023.
“Eu fui favorecido e agraciado pelo secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, que me colocou no 16º batalhão, é o batalhão mais importante da capital e o mais complexo”, disse o coronel em entrevista à Jovem Pan FM, em maio deste ano.
Em sua conta no Instagram, em meios às publicações sobre ações de apreensões de drogas, prisões, produtividade policial e pronunciamentos, o coronel expõe os encontros com o secretário.
A proximidade entre Derrite e Sabino não é de agora. Em novembro de 2021, Sabino participou do podcast “Papo de Rota”, que era apresentado por Derrite, na época em que ainda era somente deputado. Publicados todas as sextas-feiras, os episódios abordavam o dia a dia de policiais militares da ativa e da reserva, quando integravam a Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar). Atualmente, os vídeos encontram-se indisponíveis no YouTube.
Mas foi durante a ausência de Derrite no posto de secretário de segurança, em março de 2024, que Sabino conquistou o mais alto posto da Polícia Militar de São Paulo: o de coronel, em um decreto assinado pelo governador Tarcísio de Freitas . Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, a promoção gerou repercussão negativa dentro da corporação e colegas de farda chegaram a apontar a ascensão como resultado da proximidade entre Sabino e o chefe de gabinete do secretário de segurança, Paulo Mauricio Maculevicius Ferreira.
Sobre a promoção de Sabino ao posto de coronel na PM SP, a SSP informou que a ascensão de Sabino seguiu os critérios técnicos e legais estabelecidos pela Polícia Militar para a progressão na carreira”.
Em março deste ano, o governador Tarcísio esteve na região de Piracicaba e fez uma homenagem ao coronel: “Queria cumprimentar, de uma maneira muito especial, o coronel Sabino, comandante do CPI-9, Polícia Militar de São Paulo e a Polícia Civil […] eu precisava ressaltar que aqui na região [de Piracicaba] nós temos os menores indicadores de homicídios, roubos e furtos de todos os tempos, desde o início da série histórica.”
Um ano antes disso, em março de 2024, Tarcísio, ao ser questionado sobre o aumento da violência policial na Baixada Santista, disse que não estava “nem aí” para as denúncias.
Depois das repercussões negativas, ele moderou o discurso.
* Com recursos de Inteligência Artificial
REFERÊNCIAS:


