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Do Altar à Justiça — O Caso Fore Hands e a Comunidade Evangélica Brasileira

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura
 — Imagem/Foto Reprodução: João Souza no palco ao lado de André Valadão, um casal brasileiro em situação de perda diante de casas inacabadas e, à direita, a “nota oficial” de repúdio sobreposta a símbolos jurídicos.
 — Imagem/Foto Reprodução: João Souza no palco ao lado de André Valadão, um casal brasileiro em situação de perda diante de casas inacabadas e, à direita, a “nota oficial” de repúdio sobreposta a símbolos jurídicos.

Um vídeo que circula entre comunidades brasileiras nos Estados Unidos e no Brasil denuncia um suposto esquema de fraude imobiliária milionária envolvendo a empresa Fore Hands Real Estate Investments, liderada por João Luís Dias de Souza, conhecido como João Souza.


O material afirma que, por trás de discursos de fé e prosperidade, famílias brasileiras foram convencidas a investir em projetos inexistentes, entregando imóveis e economias inteiras em troca da promessa de retornos fixos de até 30% em poucos meses.


Segundo relatos de vítimas, nenhuma obra foi concluída, não houve licenciamento e alguns imóveis entregues à empresa teriam sido usados como garantia em operações financeiras no Brasil. O golpe teria ganhado força ao ser apresentado em um evento da igreja Lagoinha em Orlando, na virada de 2023 para 2024, diante de cerca de 10 mil pessoas. João Souza subiu ao palco a convite de André Valadão, já que a empresa patrocinava o evento, e misturou discurso religioso com promessas ligadas ao mercado imobiliário, chegando a anunciar a doação de um terreno para sorteio.


Embora André Valadão não apareça como sócio ou dono da empresa, o fato de ter dado espaço no palco acabou funcionando como endosso indireto. Esse episódio soma-se a outros casos em que líderes religiosos brasileiros foram associados a figuras ou empresas posteriormente acusadas de golpes, como o “Sheik dos Bitcoins” e Fabiano Zetel.


Diante da repercussão, a Fore Hands divulgou uma nota oficial de esclarecimento e repúdio, classificando o vídeo como anônimo, difamatório e sem provas. A empresa afirmou estar registrada regularmente na Flórida, que nunca prometeu retorno garantido e que não há condenações judiciais contra ela ou seu diretor. No entanto, já existem processos em andamento no Brasil, incluindo uma ação em Goiânia de mais de R$ 2 milhões e outra em São Paulo, ambas com decisões favoráveis a autores que alegam prejuízos.


A nota também ameaçou responsabilizar civil e penalmente quem compartilhasse o vídeo, incluindo administradores de grupos de WhatsApp, e chegou a afirmar que estaria processando a Meta para identificar disseminadores. Até o momento, porém, não há registro de nenhuma ação nesse sentido, o que sugere uma estratégia de intimidação.


O caso expõe uma dinâmica recorrente: empresas que se apresentam em ambientes religiosos, associando fé e prosperidade a investimentos de alto retorno, acabam atraindo vítimas que confiam na legitimidade do espaço. A sequência de denúncias envolvendo brasileiros evangélicos nos Estados Unidos já chamou atenção das autoridades locais, que acompanham de perto a atuação dessas organizações.


Enquanto a empresa insiste em sua regularidade, vítimas se organizam para reunir provas e buscar investigação formal, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O desfecho ainda está em aberto, mas a pressão crescente indica que novos capítulos dessa história devem surgir em breve.





 
 
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