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Empresário alvo de sanções operava como doleiro internacional

  • há 19 horas
  • 2 min de leitura
 — Imagem/Reprodução: Rede transnacional de lavagem de dinheiro.
 — Imagem/Reprodução: Rede transnacional de lavagem de dinheiro.

A investigação da Polícia Federal (PF) que deu origem à Operação Exchange aponta que a organização chefiada pelo empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada — alvo de sanções dos Estados Unidos e atualmente foragido — mantinha uma rede sofisticada de operações financeiras em diversos países para lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores, mais de 70 empresas estavam vinculadas ao esquema, que teria movimentado até R$ 10,4 bilhões em transações ilícitas.


Estrutura e modus operandi


De acordo com a decisão judicial que autorizou prisões e buscas, Shimada utilizava o apelido “Bryan Willians” em grupos de WhatsApp para coordenar movimentações financeiras. Em uma das conversas analisadas pela PF, ele compartilhou uma planilha com registros detalhados de datas, cidades, valores, taxas de câmbio e saldos. O documento reunia operações que somavam US$ 7,54 milhões, distribuídas por cidades como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles. Para os investigadores, os registros indicam recolhimento sistemático de dinheiro em espécie e uso de estruturas financeiras para ocultar a origem dos recursos.


Atuação internacional


Além de Brasil e Estados Unidos, a PF identificou movimentações em Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Em uma conversa, Ygor Fokin Saviolli, apontado como integrante da organização, relatou ter participado de reunião na Colômbia sobre oportunidades de recolhimento de milhões de dólares em cidades americanas.

Em Portugal, o operador financeiro Carlos Henrique Costa Almeida recebia e custodiava euros para o grupo. Mensagens mostram tratativas sobre entregas de centenas de milhares de euros em Lisboa e Cascais, além de negociações de câmbio paralelo para brasileiros residentes no país.


No Paraguai e na Argentina, as mensagens revelam operações envolvendo depósitos e compensações em moeda local. Um dos investigados, João Gilberto Codognotto (“Giba”), propôs a Shimada uma operação em Assunção com depósito de US$ 50 mil convertidos em guaranis e compensação no Brasil. Em Buenos Aires, o mesmo operador apresentou uma oportunidade envolvendo 1 bilhão de pesos argentinos, que seria convertido pelo mercado informal conhecido como “dólar blue”.


A Argentina também aparece em outra frente: segundo a PF, Diego Lameiro Diz atuava em negociações ligadas à comercialização de alho produzido em Mendoza, atividade suspeita de ser usada para movimentar recursos ilícitos.


Ferramentas de ocultação


A decisão judicial destaca que a organização utilizava diversos mecanismos para dificultar o rastreamento das operações, incluindo criptomoedas (USDT e Bitcoin), empresas de fachada, telefones não registrados e aplicativos criptografados como Signal e Telegram. Entre as empresas ligadas ao grupo estão Victory Trading, Transborder Import and Export, Pixwave Soluções de Pagamentos e GP8 Pay, usadas para movimentar recursos em diferentes moedas — dólares, euros, pesos argentinos e guaranis paraguaios.


Liderança e familiares envolvidos


Segundo a PF, Shimada era o líder do núcleo financeiro da organização e contava com apoio de familiares e operadores de confiança. Entre eles, o tio Amauri Henrique de Oliveira, a prima Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira — presa em 3 de maio — e o operador financeiro Carlos Henrique Costa Almeida. Conversas atribuídas a Stella mostram sua participação na coordenação de operações internacionais, incluindo planilhas com movimentações em “EUA, Portugal e outros” e remessas identificadas pelo codinome “Lisboa”.

 
 
 

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