PAULO GUEDES FALA SOBRE CRISE IMINENTE NA ECONOMIA DO BRASIL
- José Adauto Ribeiro da Cruz

- 31 de out. de 2025
- 5 min de leitura
Juro muito alto, impostos subindo, tributa tudo: nascimento de criança, voo de morcego, qualquer coisa que passar é tributável. Respirou, tá tributado. Mas o governo continuou gastando.
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Você, na verdade, tá jogando a conta para filhos e netos. Ó, eles vão pagar algum dia e o Brasil vai parando de crescer com juro alto e impostos muito altos. Isso é um erro grosseiro. Vou falar dos bem-intencionados, os que erram por militância e os que erram por boas intenções. Eles seguem o modelo antigo.
O modelo antigo é o seguinte: quem dirige o crescimento brasileiro são os investimentos públicos. Quanto era a taxa de investimento do Brasil? Quando o Brasil crescia muito, era 25% do PIB. Setor privado 17%, setor público 8%. Aí o setor público veio 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0,3, 0,4% ao ano. Ou seja, o Brasil perdeu a capacidade de investimento. E do outro lado, juro muito alto, impostos subindo, tributa tudo: nascimento de criança, voo de morcego, qualquer coisa que passar é tributado, é venda, faturamento, tudo que respirar.
Respirou, tá tributado. Isso é um erro grosseiro. Aí o Brasil vai perdendo dinâmica de crescimento. A dívida vira bola de neve. Se dividendo, nós trocamos o financiamento inflacionário pelo financiamento em bola de neve. Acabou a inflação, mas o governo continuou gastando. Cada governo que entrou, no próprio início dos militares, era 18% do PIB a despesa. Quando os militares saíram já era 22. O Sarney pegou com 22, soltou com 26. Fernando Henrique pegou com 26, soltou com 32. Aí entrou o Lula, soltou com 36.
A Dilma levou para 45. Quer dizer, eles foram crescendo o tempo inteiro. Então, se você parou de fazer financiamento inflacionário, parou de emitir moeda, mas continua gastando muito, você vai hipotecar seus filhos. Você, na verdade, tá jogando a conta para filhos e netos. Ó, eles vão pagar algum dia e o Brasil vai parando de crescer com juro alto e impostos muito altos. Porque o estado empreendedor é um desastre. Corrompeu a democracia brasileira e estagnou a economia brasileira. Quebraram tudo: nuvem de gafanhoto, quebraram fundo de pensão, quebraram as empresas, quebraram tudo. Então, nós temos que mudar.
E nós usamos esses conceitos durante a crise, daí os erros de previsão, porque os conceitos estavam firmes. Renda básica. Você quer ajudar o pobre? O Brasil vai dar o dinheiro pro superministério, que vai repassar por um banco público, que vai repassar para um grande empresário, que vai criar uma... dos 100 que você deu, vai chegar um no pobre, porque a burocracia vai consumir tudo no caminho. A política, a burocracia, vão consumir tudo no caminho. Você quer ajudar o pobre? Dá na veia. Dá na veia. Nunca os estados e municípios receberam tantos recursos.
Quem reclama hoje ou é débito mental ou tá fazendo militância. Porque se você olhar os dados, são inequívocos. Nunca receberam tanto dinheiro. Nunca. Você chega em Brasília e pergunta para um cara da oposição: você já viu tanto dinheiro assim? Ele fala: "Nunca. Ainda bem que vocês são trouxa e mandam esse dinheiro todo pra gente." E a resposta: "Nós não somos trouxas, nós somos republicanos. Nós somos a favor da descentralização de recursos e atribuições."
E eu dizia: "Nós vamos surpreender." Eu ia aos fóruns internacionais no G20, em Washington, em Davos, ia à OCDE em Paris e dizia: "Olha, vocês estão subestimando o Brasil. Não subestimem o Brasil. Nós somos uma grande nação. Nós vamos surpreender. Nós temos 30 anos de democracia. Ela é robusta, ela é flexível." Ah, ela tá sob ameaça.
O seu governo ameaça a democracia. Narrativa, fake news. É ao contrário. Agora sim, é uma democracia ampla o suficiente. Democracia Saci Pererê só tem perna esquerda. Só pulava numa perninha. Agora sim, uma democracia ampla, ampla. Tem voto dos dois lados, tem as duas perninhas, pode pular numa, pode pular na outra, pode escolher. Mas antes você era obrigado a votar só num lado. E criou-se uma convenção.
Como é que 3,8 bilhões de pessoas estão saindo da miséria? Nunca tanta gente saiu da miséria na história da humanidade como nos últimos 30 anos. Quem eram os mais miseráveis da humanidade? China, Paquistão, Índia, Indonésia, Vietnã — estão saindo da miséria. Há 30 anos eles vêm saindo da miséria.
Viúvas do socialismo, vítimas do socialismo, mergulharam nos mercados globais. Estão há 30 anos subindo, reduzindo a miséria lá. E os bobocas do lado de cá rasgando seu próprio conhecimento, sua própria sofisticação por falta de conhecimento.
Quer dizer, eu não vou falar o nome dos países também por elegância, mas tem gente achando que pode ficar oito meses de férias por ano e receber salário do governo. Tem gente que acha que pode sacar recurso público para se ajudar e esquecer que tem uma população de 200 milhões lá embaixo precisando desse recurso. Então o pessoal do lado de cá tá ignorando a fonte de sua própria riqueza.
E o Brasil era esse gigante caído no chão, derrubado. Um país que crescia 5, 6, 7% ao ano por 20, 30, 40 anos. De repente começa a crescer cinco, no final do período militar já tá crescendo cinco com a inflação subindo, os militares atônitos saindo pela porta dos fundos do Planalto sem entender o que está acontecendo. Foram pro caminho errado: planejamento central, campeões nacionais, grandes empresas estatais. Foi o caminho errado.
Agora, deixaram uma herança: a infraestrutura brasileira. Se temos uma infraestrutura hoje, foi porque eles entraram e botaram em pé uma infraestrutura pro Brasil. Isso foi muito bom. Mas ok, pronto, acabou. Vamos saindo porque tá começando a produzir chapa de aço com prejuízo. Aí os civis entraram, começaram também por falta de rumo a procurar atender as legítimas aspirações sociais de uma democracia emergente.
Nota 10. Vamos ajudar os mais frágeis, nota 10. Mas tira o subsídio dos campeões nacionais, faz a transformação do Estado brasileiro, vende Eletrobras, privatiza a Petrobras, privatiza o Banco do Brasil, transforma o Estado brasileiro. Em vez do Estado empresário com maus resultados — porque nós fomos parar na inflação, na estagnação econômica, na corrupção da democracia.
Então, visivelmente o caminho estava errado. Visivelmente o caminho estava errado. Tem gente dizendo, eu vi outro dia um candidato dizendo que não, que vamos fazer a mesma coisa, vamos botar as pessoas nas estatais, vamos repetir tudo. Tudo igual. Não aprendeu nada. Zero. Aprendeu zero. Achando que tá vivendo naquele tempo. Mudou a estrutura, mudou. Mudou. Nós viramos o eixo. Então: menos Brasília, mais Brasil.
REFERÊNCIAS:

